Rádio Extraclassse Kolping

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O mundo é feito de átomos

A Grécia Antiga foi o primeiro berço da ideia, que voltou à tona no século 19 como uma das maiores revelações da ciência: a de que por trás de tudo estão os átomos. Adilson de Oliveira descreve o que constitui e o que constroem esses minúsculos tijolos da vida.
Por: Adilson de Oliveira

O mundo é feito de átomos
Átomos de carbono compõem tanto a grafite nossa de cada dia quanto os cobiçados diamantes. A diferença está na disposição dos átomos nas estruturas (Fotos: Sxc.hu/Zsuzsanna Kilian e Swamibu. Montagem: Júlia Carneiro).
"Se, em algum cataclisma, todo o conhecimento científico for destruído e só uma frase puder ser passada para a próxima geração, qual seria a afirmação que conteria maior quantidade de informação na menor quantidade de palavras? Eu acredito que seria a hipótese atômica de que todas as coisas são feitas de átomos..."
Richard Feynman (1918-1988)
em 
The Feynman Lectures on Physics
Ipê florido
Um dos ipês floridos no campus da Universidade Federal de São Carlos, inspiração para o colunista (foto: Coordenadoria de Comunicação Social/ UFSCar).
Neste mês estamos no final do inverno (que para algumas regiões do Brasil foi muito quente) e no começo da primavera. Em alguns lugares, como no campus da universidade em que trabalho (Universidade Federal de São Carlos – UFSCar) muitos ipês começam a florir. São amarelos e brancos e fazem contraste com muitas outras árvores que estão sem folhas, devido à seca que dura muito tempo.
Sem dúvida é um belo espetáculo. Se pararmos para pensar, poderemos lembrar de outras belas visões que encontramos em nosso mundo, como as Cataratas do Iguaçu, a praia de Copacabana, o pantanal mato-grossense, Fernando de Noronha, apenas para citar alguns lugares no Brasil.
Ao observar o céu, com auxílio de telescópios, podemos ter acesso a visões de objetos espetaculares, como Saturno e seus anéis, belas nebulosas, como a de Órion, e galáxias maravilhosas, como a de Andrômeda.
Como podemos encontrar tanta beleza no universo? Como é possível haver toda essa diversidade? Talvez a resposta mais simples a essa questão seja que todas essas coisas são simplesmente feitas de átomos.
A ideia de que as coisas são feitas de alguns elementos fundamentais vem desde a Grécia antiga. Filósofos como Anaximandro, que viveu no século 6 a.C., imaginavam que tudo era composto por uma substância primordial denominada Apeiron, que seria uma ‘massa geradora’ dos seres, contendo em si todos os elementos.  Outros, como Anaxímenes (588-524 a.C.), acreditavam que o ar era a substância primordial. 
Demócrito propunha que tudo o que existe seria constituído por um turbilhão de infinitos átomos de diversos formatos
Mas, por volta do século 4 a.C., surgiu o conceito de átomo. Demócrito (460-370 a.C.), discípulo Leucipo (século 5 a.C), propunha que tudo o que existe (inclusive a própria alma que animaria os seres vivos) seria constituído por um turbilhão de infinitos átomos de diversos formatos movendo-se ao acaso e se chocando.
A partir desses choques e movimentos ao longo do tempo, esses átomos se uniriam por suas características, formando as diversas substâncias que encontramos na natureza.

Da antiguidade à era moderna

A palavra átomo em grego quer dizer ‘não divisível’ (a = não; tomo = parte). Embora o conceito fosse interessante, ele foi superado por outras ideias na antiguidade, como o princípio segundo o qual tudo é composto a partir de cinco elementos fundamentais: terra, água, ar e fogo para os objetos celestes, e o éter para os objetos terrestres.
Um dos grandes problemas para o conceito do átomo era que estes deveriam se mover no vazio, algo que era de difícil concepção para muitos filósofos – entre eles Aristóteles, que construiu a sua visão de universo baseado nos cinco elementos e não no conceito de átomo.
No século 19, John Dalton resgatou a ideia do átomo como uma pequena esfera
No começo do século 19, em 1803, o químico inglês John Dalton (1766-1844) resgatou a ideia do átomo como uma pequena esfera, com massa definida e propriedades características de cada elemento químico. Dessa maneira, ele poderia explicar as reações químicas pelo arranjo de átomos, que seriam, para ele, as menores partículas indivisíveis que constituem a matéria.
No final do século 19, o modelo do átomo foi novamente modificado. Em 1897, J. J. Thompson descobriu o elétron, uma minúscula partícula de carga elétrica negativa. Thompson então imaginou que o átomo seria composto por um ‘caroço duro’ positivo e que os elétrons estariam incrustados nesse ‘caroço’ e poderiam ser arrancados quando se aplicasse, por exemplo, um potencial elétrico sobre o átomo.
Alguns anos depois, Ernest Rutherford realizava experimentos de colisões de partículas alfa (núcleos de átomos de hélio) em uma fina folha de ouro quando percebeu que algumas partículas atravessavam com facilidade, enquanto outras eram ricocheteadas, como se colidissem com algo mais denso. Dessa forma, ele descobriu que o átomo parecia ter praticamente toda a sua massa concentrada em uma pequena região, enquanto os elétrons estariam muito afastados desse núcleo.
Atualmente sabemos que o núcleo do átomo é cerca de 100 mil vezes menor que a região na qual ficam os elétrons. O tamanho típico de um átomo é na ordem de 0.1 nanômetro (um nanômetro é um milionésimo de um milímetro).
Átomo hélio
Imagem de um átomo de hélio. A nuvem ao redor indica a região onde se encontram os elétrons, com aproximadamente 1 Angstrom (um décimo de um nanômetro). Em destaque, uma imagem do núcleo atômico, com dois prótons e dois nêutrons e cem mil vezes menor que um Angstrom (imagem: Yzmo/ Wikimedia Commons).

O que faz cada átomo

O núcleo é composto por prótons, que têm aproximadamente mil vezes a massa do elétron, mas com carga positiva; e por nêutrons, que têm massa similar à do próton, mas sem carga elétrica. É a partir da interação eletromagnética que os elétrons interagem com os prótons no núcleo atômico, e pela interação nuclear forte entre os prótons e nêutrons que se mantém o núcleo coeso.
Existem 92 tipos de átomo naturais. O menor deles é o hidrogênio, que contém apenas um próton no seu núcleo, e o maior é o urânio, que tem 92 prótons e 146 nêutrons. Já foram produzidos cerca de 26 átomos artificiais, mas eles não são estáveis e rapidamente se desintegram em outros menores. 
A diferença entre a grafite e o diamante é apenas a disposição dos átomos de carbono nas suas estruturas
O que diferencia um átomo do outro é essencialmente o número de prótons que cada um contém. Por exemplo: o gás oxigênio que respiramos do ar é uma molécula composta por dois átomos de oxigênio (que contém oito prótons e oito nêutrons).
Já o carbono, que está presente em inúmeras substâncias, em particular nos seres vivos, formando diversas moléculas orgânicas, tem seis prótons e seis nêutrons.
O carbono se apresenta também como a grafite utilizada no lápis para escrever e os famosos diamantes que tanto nos fascinam. A grafite é negra e mole, e o diamante é duro e reflete a luz de uma maneira maravilhosa (daí vem a sua beleza). A diferença entre a grafite e o diamante é apenas a disposição dos átomos de carbono nas suas estruturas.
O mesmo elemento químico, quando arranjado de diferentes formas, produz diferentes propriedades físicas. Esse fenômeno é conhecido como alotropia. O carbono apresenta outras estruturas, como a das bucky balls, nas quais 60 átomos de carbono ficam dispostos como se formassem uma bola de futebol.
Nesta configuração, os átomos de carbono podem apresentar propriedades magnéticas e supercondutoras, além de suportar grandes tensões (os supercondutores são materiais que em baixas temperaturas conduzem corrente elétrica sem perda de energia. As bobinas das máquinas de ressonância magnética são feitas com esses materiais).

Tecnologia em escala atômica

Atualmente, com o avanço científico e tecnológico, sabemos não apenas que a matéria é feitas de átomos, mas também podemos manipular a matéria em escala atômica e produzir novas coisas.
A chamada nanotecnologia, que é a tecnologia na escala do nanômetro, vem permitindo o desenvolvimento de novos materiais que são aplicados nos mais diversos ramos. Alguns exemplos são a produção de computadores mais rápidos e baratos, ou a criação de remédios que curam inúmeras doenças. 
Em um futuro próximo, será possível produzir máquinas feitas de apenas alguns átomos
Em um futuro próximo, será possível produzir máquinas feitas de apenas alguns átomos. Esses nanodispositivos poderão ser inseridos no organismo, por exemplo, para atacar vírus ou bactérias no nível molecular ou na regeneração de células danificadas.
Os átomos de carbono também estão presentes nos ipês amarelos e brancos que floriam nesta semana na UFSCar. São idênticos aos dos diamantes mais caros ou aqueles que estão nos detritos que formam os anéis de Saturno. Os de oxigênio estão também nessas árvores, nos cristais de gelos que formam algumas nuvens, na água que cai nas Cataratas do Iguaçu e em muitas das belas nebulosas que observamos no céu.
Saber que as coisas são feitas de átomos talvez tenha sido uma das mais importantes descobertas da humanidade. Quando vemos que a natureza pode combiná-los de forma a produzir belos espetáculos, percebemos mais ainda como esse conhecimento é valioso.

Adilson de Oliveira
Departamento de Física
Universidade Federal de São Carlos

Custo de estrago ambiental pode chegar a US$ 4,5 tri



Levantamento apresentado nesta última quinta-feira, 09/09, mostra benefícios econômicos da manutenção do ecossistema.

A devastação ambiental representa perda de US$ 2 trilhões a US$ 4,5 trilhões em capital natural por ano, segundo dados apresentados em Curitiba, pelo economista Pavan Sukhdev, coordenador do estudo encomendado pelos países do G8+5 sobre 'A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade' (TEEB, na sigla em inglês).

O objetivo do levantamento é chamar a atenção para os benefícios econômicos globais da biodiversidade e somar forças que permitam ações concretas. Os valores não foram divididos por regiões. Fazem parte do G8+5 Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos, África do Sul, Brasil, China, Índia e México.

O representante do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, classificou a parte referente ao Brasil no estudo de "certamente importante". "Temos as mais extensas florestas e convivemos com taxa grande de desmatamento, além de um aumento (no desmatamento) no Pantanal, que já começa a preocupar", disse.

Energia

Sukhdev destacou o cuidado que o País precisa ter na construção de hidrelétricas. "É preciso uma avaliação das bacias hidrográficas", disse, acrescentando a necessidade de florestas em volta dos reservatórios para evitar o assoreamento, que reduz a vida útil da usina e exige mais recursos. Segundo ele, a sedimentação é reduzida de 1% para 0,5% no comparativo entre locais devastados e aqueles que têm florestas intactas. Para ele, o Brasil é uma "superpotência" em biodiversidade.

A cerca de 100 gestores e formuladores de políticas locais, Sukhdev falou que a redução na destruição do ecossistema somente será conseguida se houver engajamento de quem toma decisão regionalmente. "Não há ação se esta não é tomada localmente", defendeu. "Ver o tamanho econômico dos ecossistemas e deixá-los de fora das contas nacionais é um erro", acrescentou.

Segundo o economista, as comunidades pobres e rurais, que vivem em torno de florestas e dela retiram parte do sustento, são as que mais sofrem. No Brasil, ele estimou que o número chega a 20 milhões de pessoas. "A biodiversidade é uma necessidade para os pobres e não apenas uma ligação afetiva para os ricos", afirmou Sukhdev.

Amazônia

Sobre a Amazônia, o economista disse que vale o "princípio do perigo". "Se existe dúvida razoável de que a perda da Amazônia pode destruir o suprimento de água para a agricultura no Paraguai, Argentina e Brasil, então a gente tem que tomar medidas de precaução para evitar que isso aconteça", disse. De acordo com o relatório, "a análise econômica indica que a manutenção de ecossistemas saudáveis é geralmente a opção menos onerosa".

O relatório, que será apresentado em português no dia 14, em São Paulo, destaca 120 exemplos de decisões políticas que alteraram realidades degradantes ao meio ambiente, contando com a participação da comunidade. Como complemento houve redução de custos.

Em regiões costeiras do Vietnã, por exemplo, onde mais de 70% da população está vulnerável a desastres naturais, as comunidades passaram a plantar e proteger os manguezais, ao invés de construir e manter barreiras artificiais. O investimento de US$ 1,1 milhão poupou custos anuais de US$ 7,3 milhões em manutenção dos diques. "É importante achar a solução específica para cada área", destacou Sukhdev.

Créditos: Revista Isto É


Fonte: http://www.passeiweb.com/saiba_mais/atualidades/1284127178

Bactéria resistente a antibióticos se espalha e preocupa OMS

Apesar das especulações uma notícias na área da saúde ganhou os comentários na semana. Uma nova "superbactéria", originária da Índia e que demonstra ser resistente a quase todos os antibióticos conhecidos, representa uma grande ameaça mundial. Segundo cientistas não se sabe ainda a velocidade em que o fenômeno está se espalhando. Existe neste momento uma necessidade de estabelecer um sistema de vigilância internacional para evitar que o problema se alastre.
A "superbactéria", chamada NDM-1 (metalo-beta-lactamase 1 de Nova Délhi) e suas variações parecem ter se originado na Índia. Ela foi detectada pela primeira vez em 2007, na Grã-Bretanha. A NDM-1 resiste a quase todos os tipos de antibióticos, inclusive os carbapenemas, geralmente reservados às emergências e ao tratamento de infecções multirresistentes.
Os cientistas acreditam que esse gene, encontrado hoje principalmente na bactéria E.coli (que causa infecções urinárias), possa ser rapidamente reproduzido em outras bactérias. Se isso acontecer, algumas infecções perigosas poderiam se espalhar, com poucas possibilidades de tratamento.
De acordo com as autoridades competentes, a enzima NDM-1 está se alastrando na Índia e no Paquistão e já chegou ao Reino Unido, sendo provável que se estenda a todo o mundo, uma vez que na Índia se fazem com frequência cirurgias estéticas a europeus e americanos, pelo seu baixo custo.
Existem notícias de que a bactéria já está presente, inclusive, nos Estados Unidos e Canadá. Como não existe uma central de monitoramento dos casos, o número de mortes que o gene NDM-1 (metalo-beta-lactamase 1 de Nova Délhi) pode ter causado é desconhecido. Até agora, esse gene tem sido encontrado principalmente em bactérias que causam infecções intestinais ou urinárias.
O gene NDM-1 é transportado por bactérias que podem se espalhar da mão para a boca, o que torna indispensável uma boa higiene. É por isso que as autoridades de saúde estão tão preocupadas com essa ameaça, segundo o Dr. Patrice Nordmann, professor de microbiologia da Faculdade de Medicina do Sul de Paris.
Cientistas na Grã-Bretanha acreditam que estas bactérias foram trazidas por pacientes que fizeram viagens à Índia e ao Paquistão. O Ministério da Saúde britânico já emitiu um alerta para que hospitais do país fiquem atentos a casos de infecção com essas bactérias.
Até agora, a maior parte das infecções com micróbios com o gene NDM-1 são passíveis de tratamento. No entanto, pelo menos um tipo de infecção por NDM-1 estudado pelos cientistas até agora é resistente a todos os tipos de antibióticos disponíveis.
Infecções deste tipo já foram registradas nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e na Holanda. Para impedir que a NDM-1 se espalhe, os cientistas recomendam que se identifique e isole rapidamente pacientes diagnosticados com infecções do tipo. Medidas normais para tratamento de infecções - como desinfetar equipamentos de hospitais e boa higiene por parte de médicos e enfermeiras - podem ajudar a impedir que as bactérias se espalhem.

Ocidente e Islã - Choque entre duas culturas define mundo contemporâneo

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicaçã
o
Na véspera dos 9 anos dos atentados do 11 de Setembro , a ameaça de um pastor americano de queimar o Alcorão mobilizou lideranças mundiais para evitar uma crise entre o Ocidente e o Islã. Na Europa, o Senado francês aprovou uma lei polêmica que proíbe o uso de véu por muçulmanas, seguindo uma tendência conservadora entre governos europeus.
Direto ao ponto: Ficha-resumo

Cada vez mais, o antagonismo entre as modernas nações capitalistas e países islâmicos se torna fonte de conflitos políticos e religiosos no mundo 
pós-Guerra Fria .

Terry Jones era um desconhecido pastor de uma igreja na cidade de Gainesville, de 114 mil habitantes, no Estado da Flórida. Ele chamou a atenção da imprensa internacional ao anunciar que queimaria exemplares do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, no aniversário dos ataques de 2001. A intenção do religioso era protestar contra o projeto de construção de um centro islâmico próximo ao Marco Zero, local onde era situado o World Trade Center.

Temendo reações de extremistas islâmicos, autoridades como o 
Papa Bento 16, o presidente Barack Obama e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon , além de chefes de Estado da Europa, pediram que o religioso desistisse do ato. Ao mesmo tempo, três pessoas morreram em manifestações contrárias ao pastor no Afeganistão. A pressão, porém, surtiu efeito, e Jones desistiu de queimar o livro sagrado.

Episódios como esse têm se tornado mais comuns nos últimos anos. Em 1989, o escritor anglo-indiano 
Salman Rushdie ficou famoso depois do Irã decretar uma fatwa (sentença de morte) contra ele. Rushdie foi acusado de blasfêmia em seu romance Os Versos Satânicos. Desde então, passou a viver escondido e sob proteção policial, mesmo após o Irã suspender a condenação em 1998, atendendo aos apelos da comunidade internacional.

Em 30 de setembro de 2005, o jornal Jyllands-Posten, de maior tiragem na Dinamarca, publicou 12 caricaturas intituladas "As faces de Maomé". As charges provocaram manifestações violentas, incêndios em embaixadas dinamarquesas e uma crise diplomática com países árabes. O redator-chefe do jornal, que foi ameaçado de morte, pediu desculpas publicamente, enquanto outros jornais europeus publicaram as caricaturas em defesa da liberdade de expressão e de imprensa.

Mais recentemente, países europeus votaram leis restritivas aos costumes islâmicos em ações consideradas hostis pelos 15 milhões de muçulmanos que vivem no continente. Em 29 de novembro de 2009, a Suíça aprovou, mediante referendo, a construção de minaretes - torres de mesquita de onde se chamam os muçulmanos para as orações diárias.

No último 14 de setembro, o Senado francês aprovou uma lei que proíbe o uso de véus islâmicos integrais - a "burka" e o "niqab" - em espaços públicos do país. Os parlamentares alegam questões de segurança, além de respeito aos direitos das mulheres.

Mas a lei, que deve entrar em vigor no próximo ano, causou controvérsia no país que abriga a maior comunidade muçulmana da Europa. O islamismo é a segunda maior religião da França, atrás somente do catolicismo.

A norma prevê multa de 150 euros para quem desacatar a proibição do uso da vestimenta. Estimativas apontam que cerca de 2 mil mulheres usam o véu no país. Propostas semelhantes foram aprovadas na Bélgica e na Dinamarca (proibição parcial), e entraram em discussão na Itália, Espanha, Reino Unido, Holanda e Áustria.

Raízes comuns

Islã ou civilização islâmica se refere aos povos que seguem a religião do islamismo, cujos fiéis são chamados muçulmanos ou islamitas. O islamismo foi fundado pelo profeta Maomé no século 7, na Arábia. Ele possui raízes comuns com outras duas religiões monoteístas, o cristianismo e o judaísmo.

Apesar de essa religião ter surgido entre os árabes, eles representam apenas 15% dos muçulmanos no mundo. O islamismo é predominante em mais de 50 países do 
Oriente Médio , Ásia, África e Europa, estando espalhado em comunidades em todo o mundo, inclusive no Brasil.

O Alcorão (ou Corão) é o livro sagrado dos muçulmanos. Eles consideram que a obra foi ditada a Maomé pelo arcanjo Gabriel.

Uma das principais diferenças dos países islâmicos em relação ao Ocidente é justamente não separar religião de Estado. O Alcorão serve de base para organização social, política e jurídica ("sharia"). Por esta razão, enquanto a maioria dos povos ocidentais adotou a 
democracia , os povos islâmicos vivem, em sua maior parte, em teocracias. A Turquia é um dos raros países de maioria muçulmana que também é secular e democrático.

Outro ponto de discórdia diz respeito a liberdades civis e direitos humanos, considerados uma conquista no mundo moderno. Uma interpretação mais rigorosa do Alcorão acaba confrontando alguns destes valores ocidentais.

Por conta desse estranhamento, para o Islã a cultura ocidental é materialista, decadente e imoral. Os ocidentais, por sua vez, costumam associar os muçulmanos a grupos terroristas, como a 
Al-Qaeda , o Hamas e o Hezbollah , e à violência contra mulheres e minorias. Ambas as visões, é claro, são equivocadas na maioria das vezes.

Cruzadas

As diferenças religiosas, culturais e políticas entre os povos islâmicos e os ocidentais se acentuaram a partir da segunda metade do século 20. Dessa forma, os principais conflitos do mundo contemporâneo, como as guerras do Iraque e do Afeganistão, possuem causas na animosidade entre as duas civilizações. A origem da discórdia, porém, é bem mais antiga.

Entre os séculos 7 e 8, os árabes dominaram o Oriente Médio, o Norte da África, a Pérsia e a Índia Setentrional. A reação da Cristandade começou no século 11, com a conquista do Mediterrâneo e o início das 
Cruzadas (1095). Por um século e meio, os cristãos resistiram em potentados na Terra Santa, até a invasão dos turcos otomanos, que retomaram o controle da região dos Bálcãs e do Oriente Médio.

Até então, e durante a maior parte da história da humanidade, o contato entre povos foi escasso e pouco duradouro. O motivo eram as dificuldades para se transpor as barreiras geográficas. Isso começou a mudar a partir dos séculos 15 e 16, com a expansão colonial.

As principais nações imperialistas, como Inglaterra, França, Espanha, Alemanha e Estados Unidos, travaram guerras e promoveram campanhas expansionistas até o século 20. O imperialismo europeu levou seus valores ocidentais - oriundos de dois importantes movimentos, a 
Reforma Protestante e oIluminismo - ao mundo árabe. Décadas depois, os Estados Unidos fariam o mesmo em guerras no Golfo Pérsico .

Acontece que tais iniciativas, promovidas mediante o poderio bélico, só alimentaram movimentos nacionalistas e de independência nos países árabes, que passaram a ver o ocidental como inimigo. Um bom exemplo disso é a Guerra do Iraque, que constituiu uma tentativa, até agora fracassada, de implantar a democracia à força. Como resultado dessas intervenções, os americanos se tornaram o principal alvo de grupos extremistas como a Al- Qaeda, suspeita dos atentados de 11 de Setembro.

Fundamentalismo

Mas como o Islã ganhou importância no panorama geopolítico do mundo moderno? Até poucas décadas atrás, durante a Guerra Fria, o mundo era dividido em três blocos econômicos e ideológicos distintos: havia o Primeiro Mundo, representado pelos Estados Unidos; o bloco socialista, liderado pela antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e o chamado Terceiro Mundo, formado por países pobres e não alinhados (entre eles o Brasil).

Neste contexto, o islamismo surgiu em sua versão fundamentalista como movimento religioso e intelectual, nos anos 1970, e se espalhou rapidamente pelo Oriente Médio, África, Ásia e Europa. Para isso, contou com o financiamento de potências árabes, ricas em petróleo, e ocidentais, que os viram como alternativa a movimentos nacionalistas e comunistas.

Com o colapso dos regimes comunistas no final dos anos 1980, os choques culturais com o Islã substituíram a antiga disputa entre as superpotências.

Isso ocorreu primeiro devido à crescente importância das nações árabes, decorrente da alta do preço do petróleo, até os anos 1980, e depois em razão do crescimento populacional. O aumento da população de jovens também alimentou o fundamentalismo. Depois de doutrinados, os jovens se espalharam pelo Ocidente e, com a maior proximidade entre os povos, foram acentuadas as diferenças religiosas e de valores culturais.

Em segundo lugar, enquanto na maior parte da Europa a queda de ditaduras socialistas deu lugar a regimes democráticos, em países islâmicos, ausentes de tradição democrática, o fundamentalismo foi adotado. Um exemplo foi a
Revolução Iraniana de 1979, que precedeu o fim do comunismo. Com a esquerda combalida, a afirmação de identidades regionais em torno do islamismo emergiu como principal resposta ao processo de globalização .

Os ataques do 11 de Setembro nos Estados Unidos foram o ponto alto desse embate cultural. Desde então, a tensão entre os povos islâmicos e ocidentais tem ditado manobras diplomáticas e políticas, com um forte - e perigoso - apelo a radicais de ambos os lados. 

Direto ao ponto volta ao topo
Dois fatos recentes são emblemáticos a respeito do antagonismo entre as modernas nações capitalistas e países islâmicos, fonte de conflitos políticos e religiosos no mundo pós-Guerra Fria.

Na véspera dos 9 anos dos atentados do 11 de Setembro, a ameaça de um pastor americano de queimar o Alcorão mobilizou lideranças mundiais para evitar uma crise entre o Ocidente e o Islã. Na Europa, o Senado francês aprovou uma lei polêmica que proíbe o uso de véus integrais por muçulmanas, seguindo uma tendência conservadora entre os governos europeus.

As diferenças religiosas, culturais e políticas entre os povos islâmicos e os ocidentais se acentuaram a partir da segunda metade do século 20.

Isso ocorre primeiro devido à crescente importância das nações árabes, decorrente da alta do preço do petróleo, até os anos 1980, e depois em razão do crescimento populacional. O aumento da população de jovens também alimentou grupos islâmicos fundamentalistas. Esses jovens depois se espalharam pelo Ocidente. E, com a maior proximidade entre os povos, foram acentuadas as diferenças religiosas e de valores culturais.

Em segundo lugar, enquanto na maior parte da Europa a queda de ditaduras socialistas deu lugar a regimes democráticos, em países islâmicos sem essa tradição o fundamentalismo foi adotado como resposta ao processo de globalização. Após os ataques do 11 de Setembro, a tensão aumentou entre o Islã e o Ocidente.
*Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.

sábado, 11 de setembro de 2010

Disciplina é um grande passo para alcançar o sucesso no vestibular

Alunos de escolas militares têm um índice excelente de aprovação. Sabe por quê?  Disciplina, disciplina e disciplina. Para estudar é preciso disciplina também!
A professora de Biologia Cynara Chemale Kessler deu uma entrevista ao site Vestibular.com.br e repassou algumas dicas para que o vestibulando tenha disciplina e obtenha o resultado esperado. Confira:
- Decorar não cola, é preciso entender a matéria, não guardar dúvidas. Sempre há alguém a consultar, seja um colega, um professor ou seu professor de reforço;
- Estude diariamente e estude em grupo; 
- Reserve um caderno para escrever todas as suas observações e resumos;
- Mantenha seus materiais de estudo (apostilas, anotações, resumos, livros, etc) bem ordenados, de forma que qualquer consulta possa ser feita com rapidez;
- Muitos candidatos, na busca de garantir mais tempo para os estudos, tomam bebidas energéticas, muito usadas hoje em dia. O uso frequente desses produtos pode levar à dependência ou até a problemas cardíacos (taquicardia, por exemplo), além de gerar efeito depressivo. Muitas dessas bebidas energéticas contêm alta dosagem de cafeína e, algumas, até álcool. Outras misturas, como coca-cola com café e pó de guaraná com acerola prejudicam o sono e afetam a memória e a capacidade de concentração. Portanto, não entre nessa onda! Durma bem, alimente-se melhor ainda; 
- Programa-se para todos os compromissos e tenha tempo para relaxar e se divertir;
- Não estude mais do que quatro horas por dia, além do período que você está na escola;
- Mantenha a atenção nas aulas: este é o melhor momento da aprendizagem;
- As relações humanas são o equilíbrio emocional do candidato, necessário para enfrentar a rotina de estudos, portanto não tire férias de suas relações afetivas;
- A ansiedade e o medo são considerados reações normais em situações aflitivas, como o momento de realizãção das provas, e a adrenalina produzida pela ansiedade pode ajudar no processo competitivo, gerando iniciativa e garra para lutar;
- Aprenda a ter controle sobre a situação em vez de entrar em pânico: esta é a chave para um melhor aproveitamento da adrenalina;
- Manter-se atualizado é tão importante quanto estudar. Intensifique o seu grau de atualização, especialmente por meio da leitura de jornais, revistas e pesquisa na Internet.

CAUSAS DO FRACASSO NO VESTIBULAR
- Falta de concentração. Estudar, comer, beber e ouvir música, ao mesmo tempo, é impossível;
- Falta de sensibilidade e determinação. Estudar não é fácil, exige pique, paciência e muita vontade;
- Falta de disciplina e horário de estudo. É o caso do aluno que se porta como se fosse milionário, ou seja, somente estuda quando está a fim; 
- Falta de preparação conscienciosa e diária para as provas. Trata-se do estudante turista, que só estuda nos dias que antecedem os exames; 
- Indecisão quanto ao futuro profissional. O candidato que presta vestibular para várias carreiras diferentes e faz as provas com displicência tem grandes chances de fracassar;
- Falta de atenção às aulas. Prestar atenção é melhor do que ficar distraído, pois além de proporcionar aprendizagem efetiva dá a sensação de que a aula passa mais depressa.

A entrevista completa da professora Cynara pode ser conferida no linkwww.vestibular.com.br/mostraentrevista.php?cod=31   


Fonte: http://www.vestibular.com.br/mostradica.php?cod=57

A Redemocratização Brasileira: Um lento processo rumo à liberdade


Redemocratização é o processo de restauração da democracia e do estado de direito em países ou regiões que passaram por um período de autoritarismo ou ditadura. A redemocratização pode acontecer de maneira gradual, onde o poder restaura os direitos civis lentamente, ou abrupta, como é em geral o caso quando isso acontece através de revoluções.
No Brasil
Na história do Brasil, dois processos ocorridos em períodos distintos recebem essa designação: o primeiro, culminado em 1945, com a deposição de Getúlio Vargas, dando fim a uma ditadura iniciada com o golpe de 1937; no segundo, após o período ditatorial iniciado com o Golpe de 1964, o processo de redemocratização teve início no governo do general João Baptista Figueiredo, com a anistia aos acusados ou condenados por crimes políticos, processo perturbado pela chamada linha dura.

Em dezembro de 1979, o governo modificou a legislação partidária e eleitoral e restabeleceu o pluripartidarismo. A Arena transformou-se no Partido Democrático Social PDS, e o MDB acrescentou a palavra partido à sigla, tornando-se o PMDB. Outras agremiações foram criadas, como o Partido dos Trabalhadores PT e o Partido Democrático Trabalhista PDT, de esquerda, o Partido Popular PP e o Partido Trabalhista Brasileiro PTB, de centro-direita. Alguns partidos, como o Partido Comunista do Brasil ainda permaneceram proibidos.

Com o agravamento da crise econômica, inflação e recessão, os partidos de oposição ao regime cresceram; da mesma forma fortaleceram-se os sindicatos e as entidades de classe.

Em 1984, o País mobilizou-se na campanha pelas "Diretas Já". A partir do governo Ernesto Geisel, entre 1974 e 1979, a crise econômica do país e as dificuldades do regime militar agravam-se. A alta do petróleo e das taxas de juros internacionais desequilibra o balanço brasileiro de pagamentos e eleva a inflação. Além disso, compromete o modelo de crescimento econômico, baseado em financiamentos externos. Apesar do encarecimento dos empréstimos e do crescimento acelerado da dívida externa, o governo não interrompe o ciclo de expansão econômica do começo dos anos 70 e mantém os programas oficiais e os incentivos aos projetos privados. Ainda assim, o desenvolvimento industrial é afetado e o desemprego aumenta.

Nesse quadro de dificuldades, o apoio da sociedade torna-se indispensável. Para consegui-lo, Geisel anuncia uma "distensão lenta, gradual e segura" do regime autoritário em direção à democracia. Entre 1980 e 1981, prisões de líderes sindicais da região do ABC paulista, entre eles Luís Inácio Lula da Silva presidente do recém-criado Partido dos Trabalhadores (PT), atentados terroristas na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no centro de convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro, revelam as grandes dificuldades da abertura. Ao mesmo tempo, começa a se formar um movimento suprapartidário em favor da aprovação da emenda constitucional, proposta pelo deputado federal mato-grossense Dante de Oliveira, que restabelece a eleição direta para a Presidência da República. A campanha das Diretas Já espalha-se em grandes comícios, passeatas e manifestações por todo o país.

Em 25 de janeiro de 1984. O cenário é a Praça da Sé, centro da cidade de São Paulo. Marcado para o dia do aniversário da cidade de São Paulo, o primeiro grande comício da campanha por eleições diretas para presidente foi organizado por Franco Montoro, governador paulista. Participaram também diversos partidos políticos de oposição, além de lideranças sindicais, civis e estudantis. A expectativa era das mais tensas. O governo militar tentava minar o impacto do evento. O dia estava chuvoso. Aos poucos, a praça foi lotando e, no final, cerca de 300 mil pessoas gritavam por "Diretas já!" no centro da cidade.

Declarando apoio à emenda constitucional do deputado federal Dante de Oliveira que permitia a eleição direta para a Presidência da República. Mas a emenda foi derrotada na Câmara dos Deputados em votação realizada em 25 de abril: não alcançou número mínimo de votos para ser aprovada.

Em 15 de janeiro de 1985, o governador de Minas Gerais Tancredo Neves foi eleito Presidente da República pelo Colégio Eleitoral, com José Sarney como vice-presidente, derrotando o candidato da situação, o deputado federal Paulo Maluf, por 480 a 180 votos e 26 abstenções. Tancredo, porém, foi internado em Brasília, um dia antes da cerimônia de posse. Foi submetido a várias cirurgias mas seu estado de saúde só se agravou. Até que, para grande pesar e comoção dos brasileiros, Tancredo faleceu em 21 de abril de 1985 em Cidade de São Paulo. Sarney assumiu a Presidência no dia 15 de março, dando fim a 21 anos de ditadura militar no Brasil. Mas a redemocratização só foi completa com a promulgação da Constituição de 88,a Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988.

Catástrofes que marcaram 2010


O registro de dois grandes e mortíferos terremotos no intervalo de menos de dois meses no início deste ano nas Américas, enquanto tempestades de neve nos Estados Unidos e chuvas no Brasil e no Peru também causaram mortes, chamou a atenção para a concentração de desastres naturais de proporções históricas em menos de 60 dias.
 
O terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou a capital haitiana no dia 12 de janeiro e causou um número estimado de mais de 200 mil mortes marcou o início de 2010 e foi seguido, 46 dias depois, pelo tremor de 8,5 graus na costa chilena, que causou um tsunami.
Os mortos pelos efeitos combinados do terremoto e das ondas gigantes em território chileno ainda não foram completamente contabilizados, mas o governo já identificou 452 corpos.
O terremoto do Haiti está sendo considerado a maior tragédia natural da história das Américas, enquanto o tremor chileno foi o mais forte em 50 anos no país. Mas é preciso conhecer um pouco a natureza dos terremotos para entender que 2010 não está apresentando uma atividade sísmica incomum em termos globais. 
A média de terremotos no início deste ano não foge ao padrão histórico, segundo dados do Serviço Geológico dos EUA (USGS na sigla em inglês). Nos dois primeiros meses de 2009, cinco terremotos de magnitude igual ou superior ao do Haiti foram registrados, todos na Ásia ou em regiões do oceano, sem número significativo de vítimas.
A média é de um terremoto com 8 ou mais graus na escala Richter a cada ano, de acordo com o USGS. Em 2007, por exemplo, foram quatro os tremores acima de 8. A particularidade de 2010 não é a concentração dos terremotos, mas o fato de eles terem atingido áreas densamente povoadas.
A situação foi agravada por fatores que nada têm a ver com condições geológicas. O Haiti já era o país mais pobre das Américas antes do terremoto, e suas construções não tinham resistência a tremores. No caso do Chile, um dos países com melhor nível de vida na América Latina, a maior parte das mortes está sendo atribuída a falhas no alerta de tsunamis.
Além da pobreza, contribuiu para a tragédia haitiana o fato de que nem o governo nem a população tinham preparo para terremotos. O último tremor comparável no país aconteceu há mais de um século. Mas a ocorrência não era totalmente inesperada, porque a capital haitiana, Porto Príncipe, está ao lado de uma falha geológica.
Já o tremor do Chile aconteceu em uma região de atividade sísmica intensa, que em 1960 registrou o mais forte terremoto da história mundial, com 9,5 graus na escala Richter.
O fato de o país ter construções adaptadas aos tremores – e a circunstância de que o terremoto não foi tão próximo a uma cidade povoada como no Haiti – fizeram com que houvesse menos mortes no Chile.
O continente já estava abalado antes dos tremores. As chuvas no Brasil, que se intensificaram em dezembro, continuaram a fazer vítimas em janeiro. O primeiro dia do ano foi marcado pela contagem dos mortos em Angra dos Reis, principalmente devido a um deslizamento de terra na véspera do ano-novo.  Mais de 50 pessoas morreram na cidade, e cerca de 80 no Estado do Rio de Janeiro nos dias finais de 2009 e nos primeiros de 2010. Em São Paulo, mais de 70 pessoas morreram desde dezembro.
Segundo medição do Inmet, (Instituto Nacional de Meteorologia), o primeiro mês de 2010 foi o janeiro mais chuvoso desde 1947, O instituto atribuiu à intensidade, em parte, ao fenômeno El Niño, um aquecimento das águas do Pacífico Sul que acontece de forma mais ou menos regular a cada sete anos.
Segundo especialistas, o mesmo El Niño explica as chuvas no Peru, que isolaram a cidade turística de Machu Picchu, e influencia até mesmo as nevascas registradas nos EUA, onde Washington e Nova York enfrentaram um dos invernos mais rigorosos em cem anos.
Seus efeitos são sentidos das águas aquecidas do Pacífico no Peru, e quando vemos o aquecimento no leste do Pacífico, essa é a pista de que estamos no ciclo do El Niño, explica Don Grene, geólogo da Universidade Baylor, nos EUA.
Levando-se em conta as três últimas décadas, nem as chuvas nem a neve causaram tantas mortes quanto outros fenômenos semelhantes em um passado não muito distante nas Américas.
Nos meses finais de 1999, por exemplo, enchentes e deslizamentos mataram um número estimado entre 10 mil e 30 mil pessoas na Venezuela, enquanto mais de 400 morreram no México. E as nevascas deste ano na América do Norte foram responsáveis por menos de um terço das mais de 150 mortes registradas na grande tempestade de neve que atingiu a costa leste dos EUA entre 6 e 8 de janeiro de 1996.
Mas a dimensão inédita da catástrofe haitiana lançou uma sombra de tragédia sobre o início de 2010 no continente, sob a qual os outros desastres acabaram realçados. E os fatores humanos ajudaram tanto a realçar as catástrofes naturais – nos casos de falta de preparação – como para aliviá-las – o que se evidenciou na corrente de solidariedade que se seguiu a cada um dos eventos.

Centenário da criação da Funai

Em 2010 a Fundação Nacional do Índio (Funai) completou 100 anos de existência, período marcado por conquistas na área indígena. O marco inicial foi em 20 de junho de 1910, com a edição do Decreto nº 8.072, pelo presidente Nilo Peçanha, que criou o Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
A Funai propriamente dita só foi criada mais de 50 anos depois, em 1967, num momento histórico em que predominavam, ainda, as antigas e equivocadas idéias evolucionistas sobre a humanidade e seu desenvolvimento através de estágios - uma ideologia fortemente etnocêntrica. A Constituição do Brasil da época considerava os índios como "relativamente incapazes", por isso o centenário deste órgão do Governo Federal Brasileiro, que estabelece e executa a política indigenista no Brasil, é um marco bastante importante, tendo em vista os avanços feitos em benefício deste povo.
Desde sua criação, a Funai já passou por diversas reformas administrativas, sempre com o intuito de cumprir as determinações da Constituição e adequar suas ações de forma a atender melhor às necessidades e aspirações das populações indígenas.
Segundo dados da Funai, hoje no Brasil vivem cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas, que perfazem cerca de 0,25% da população brasileira. Cabe esclarecer que este dado populacional considera tão-somente aqueles indígenas que vivem em aldeias, havendo estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, inclusive em áreas urbanas. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados, além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista.
Sendo um órgão tão importante, compete à Funai promover diversos programas de assistência ao índio, como a educação básica, demarcação de território, proteção das terras por eles tradicionalmente ocupadas, estímulo ao desenvolvimento de estudos e levantamentos sobre os grupos indígenas.
A Fundação tem, ainda, a responsabilidade de defender as comunidades indígenas; de despertar o interesse da sociedade nacional pelos índios e suas causas; e de gerir o seu patrimônio e fiscalizar suas terras, impedindo ações predatórias de garimpeiros, posseiros, madeireiros e quaisquer outros que ocorram dentro de seus limites e que representem um risco à vida e à preservação desses povos.
Nos anos setenta, os servidores do departamento médico da Funai tinham todo apoio para poder exercer seus trabalhos, principalmente na área de tratamento da tuberculose. Era a Funai a que mais se empenhava para que nada faltasse aos indígenas, sendo sua maior parceira para socorrer os mesmos, independentemente da distância ou circunstância, a Aeronáutica, que estava sempre pronta a atender um pedido de emergência para socorrer índios constantemente doentes por epidemias de gripe, sarampos e rubéola.
 
Os habitantes das Américas foram chamados de índios pelos europeus que aqui chegaram. Uma denominação genérica, provocada pela primeira impressão que eles tiveram de terem chegado às Índias. Mesmo depois de descobrir que não estavam na Ásia, e sim em um continente até então desconhecido, os europeus continuaram a chamá-los assim, ignorando propositalmente as diferenças linguístico-culturais. Era mais fácil tornar os nativos todos iguais, tratá-los de forma homogênea, já que o objetivo era um só: o domínio político, econômico e religioso.
Se no Período Colonial era assim, ao longo dos tempos definir quem era índio ou não constituiu sempre uma questão legal. Desde a independência em relação às metrópoles européias, vários países americanos estabeleceram diferentes legislações em relação aos índios e foram criadas instituições oficiais para cuidar dos assuntos a eles relacionados.
Nas últimas décadas, o critério da auto-identificação étnica vem sendo o mais amplamente aceito pelos estudiosos da temática indígena. Na década de 50, o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro baseou-se na definição elaborada pelos participantes do II Congresso Indigenista Interamericano, realizado no Peru em 1949, para definir, no texto "Culturas e línguas indígenas do Brasil", o indígena como "(...) aquela parcela da população brasileira que apresenta problemas de inadaptação à sociedade brasileira, motivados pela conservação de costumes, hábitos ou meras lealdades que a vinculam a uma tradição pré-colombiana. Ou, ainda mais amplamente: índio é todo o indivíduo reconhecido como membro por uma comunidade pré-colombiana que se identifica etnicamente diversa da nacional e é considerada indígena pela população brasileira com quem está em contato".
Uma definição muito semelhante foi adotada pelo Estatuto do Índio (Lei nº. 6.001, de 19.12.1973), que norteou as relações do Estado brasileiro com as populações indígenas até a promulgação da Constituição de 1988.
Em suma, um grupo de pessoas pode ser considerado indígena ou não se estas pessoas se considerarem indígenas, ou se assim forem consideradas pela população que as cerca. Mesmo sendo o critério mais utilizado, ele tem sido colocado em discussão, já que muitas vezes são interesses de ordem política que levam à adoção de tal definição, da mesma forma que acontecia há 500 anos.

Fonte: http://www.vestibular.com.br/mostraatualidade.php?cod=2545&cat=4