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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Veja como as federais vão usar a nota do ENEM 2010 em suas seleções

UFG, Unifap e Unifal definem utilização do Enem 2010; confira o aproveitamento da nota do exame em todas as universidades federais.





A UFG (Universidade Federal de Goiás), a Unifap (Universidade Federal do Amapá) e a Unifal (Universidade Federal de Alfenas) já decidiram como a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) será utilizada nos vestibulares para ingresso em 2011. Com isso, já é possível saber como todas as 59  universidades federais aproveitarão a nota do Exame.
A Unifal, localizada em Minas Gerais, irá ofertar todas as vagas do processo seletivo 2011, para o primeiro e o segundo semestre, pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) do MEC (Ministério da Educação).
Na Unifap, 50% das vagas serão preenchidas pela nota do Enem 2010 ou 2009. O candidato deve realizar a inscrição no vestibular, no período de 1 de outubro a 1 de novembro,  e indicar que pretende concorrer pelo uso do Enem. Esses candidatos estarão isentos do pagamento da taxa de inscrição. Confira outras informações sobre este processo aqui.
Para o vestibular da UFG, o Enem poderá ser usado para compor a média final do estudante. O uso da nota é opcional e só será aceito quando beneficiar o candidato. Segundo a instituição, algumas vagas dos cursos que ficaram com 20% ou mais de vagas ociosas serão disponibilizadas pelo Sisu.
Confira no quadro a forma de utilização do Enem em todas as universidades federais: 

Veja como as Universidades Federais irão utilizar a nota do Enem 2010

UniversidadeComo vai usar a nota do Enem 2010
Norte
Ufam (Universidade Federal do Amazonas)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (50%)
Ufac (Universidade Federal do Acre)100% das vagas de filosofia e 50% das vagas de música/licenciatura serão preenchidas pelo Enem 2010
UFPA (Universidade Federal do Pará)Vai substituir a primeira fase do vestibular 2011 pelo Enem 2010
Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia)Vai usar o Enem como parte da nota do vestibular 2011
Unir (Universidade Federal de Rondônia)Vai substituir a primeira fase do vestibular 2011 pelo Enem 2010
UFRR (Universidade Federal de Roraima)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (20%)
Unifap (Universidade Federal do Amapá)Vai preencher 50% das vagas do vestibular 2011 pela nota do Enem 2010 ou 2009
UFT (Universidade Federal do Tocantins)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (25%)
Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará)Vai usar exclusivamente a nota do Enem 2010
Nordeste
UFS (Universidade Federal de Sergipe)Vai usar o Enem 2010 somente para vagas remanescentes
UFPI (Universidade Federal do Piauí)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (50%)
UFMA (Universidade Federal do Maranhão)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)Vai disponibilizar 245 vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
Ufal (Universidade Federal de Alagoas)Vai usar o Enem 2010 somente para vagas remanescentes
UFBA (Universidade Federal da Bahia)Seleção pela nota do Enem para 1.460 vagas dos bacharelados interdisciplinares e 95 dos cursos superiores de tecnologia
UFPB (Universidade Federal da Paraíba)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (10%)
UFPE (Universidade Federal de Pernambuco)Vai substituir a primeira fase do vestibular 2011 pelo Enem 2010
UFC (Universidade Federal do Ceará)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFCG (Universidade Federal de Campina Grande)Vai usar exclusivamente a nota do Enem 2010
Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
Unilab (Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira)Vai usar exclusivamente a nota do Enem 2010
Centro-oeste
UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UnB (Universidade de Brasília)Vai usar o Enem 2010 somente para vagas remanescentes
UFG (Universidade Federal de Goiás)Vai usar o Enem como parte da nota do vestibular 2011/Vai disponibilizar parte das vagas pelo Sisu
UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados)Vai usar o Enem 2010 somente para vagas remanescentes
Sudeste
Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFV (Universidade Federal de Viçosa)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (20%)/Vai usar o Enem como parte da nota
UFU (Universidade Federal de Uberlândia)Vai substituir a primeira fase do vestibular 2011 pelo Enem 2010/Vai disponibilizar 332 vagas pelo Sisu
UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu/Vai usar o Enem como parte da nota do vestibular 2011
UFF (Universidade Federal Fluminense)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (20%)
Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo)Vai substituir a primeira fase do vestibular 2011 pelo Enem 2010
UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)Vai substituir a primeira fase do vestibular 2011 pelo Enem 2010
UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora)Vai substituir a primeira fase do vestibular 2011 pelo Enem 2010
UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (20% sistema de cotas/40% sistema universal)
Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)Vai disponibilizar 628 vagas pelo sistema misto (Enem 1ª fase) e 1.720 vagas pelo Sisu
Ufla (Universidade Federal de Lavras)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (60%)
Unifal (Universidade Federal de Alfenas)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (50%)
UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro)Vai usar o Enem como parte da nota do vestibular 2011
Unifei (Universidade Federal de Itajubá)(4 engenharias terão o Enem como 1ª fase/25 cursos serão disponibilizados pelo Sisu
UFABC (Universidade Federal do ABC)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
Sul
UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFPel (Universidade Federal de Pelotas)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)Vai usar o Enem como parte da nota do vestibular 2011
UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)Vai usar o Enem como parte da nota do vestibular 2011
UFSM (Universidade Federal de Santa Maria)Vai usar o Enem como parte da nota do vestibular 2011
UFPR (Universidade Federal do Paraná)Vai disponibilizar parte das vagas do vestibular 2011 pelo Sisu (10%)/Vai usar o Enem como parte da nota do vestibular 2011
Unipampa (Universidade Federal do Pampa)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
Furg (Fundação Universidade Federal do Rio Grande)Vai disponibilizar todas as vagas do vestibular 2011 pelo Sisu
O que é o Enem
O
 Enem é organizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Mais de 4,6 milhões de estudantes se inscreveram para participar do Enem 2010. Exatamente 4.611.441 candidatos são esperados para fazer as provas nos dias 6 e 7 de novembro.
As provas terão a mesma estrutura do ano passado. Vão abranger as áreas de linguagens e códigos, ciências da natureza, matemática e ciências humanas. O exame terá quatro provas objetivas de múltipla escolha, com 45 questões cada uma, e redação. A novidade este ano serão as questões de língua estrangeira (inglês ou espanhol) na área de linguagens e códigos.
No primeiro dia do exame, um sábado, serão aplicadas as questões de ciências da natureza e ciências humanas. A prova começa às 13h e vai até as 17h30. No domingo, das 13h às 18h30, será a vez de matemática, linguagens e códigos e da redação.

Fome no mundo diminui pela primeira vez em 15 anos


Segundo a FAO, 7 países na Ásia e na África
concentram 2/3 dos subnutridos
O número de pessoas subnutridas no mundo teve a primeira queda em 15 anos no último ano, de 1,023 bilhão para 925 milhões, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). 

Segundo a organização, a queda nos números absolutos de subnutridos em 2010 é consequência, em grande parte, da expectativa de retomada do crescimento da economia, particularmente em países em desenvolvimento, e da queda no preço de alimentos desde meados de 2008.

Mas embora tenha havido uma redução de 98 milhões de pessoas, ou 9,6%, no total de subnutridos, o número continua "inaceitavelmente alto", segundo a organização. “Ainda que tenha ocorrido um esperado declínio, o primeiro em 15 anos, quase 1 bilhão de subnutridos no mundo continua sendo um número alto demais e acima do objetivo estabelecido pelas metas do milênio, que era de reduzir pela metade o número de vítimas da fome no mundo até 2015”, diz o relatório, apresentado na sede da FAO, em Roma.

As metas do milênio, estabelecidas pela ONU ao final do século passado, previam que a proporção de pessoas subnutridas caísse dos 20% do período 1990-1992 para 10% em 2015, não superando 400 milhões de pessoas.

Brasil

As últimas estatísticas disponíveis indicam que têm sido feitos alguns progressos no sentido de alcançar as metas do milênio. De um percentual de 20% de desnutridos no período de 1990/1992, passou-se para 16% em 2010, conforme o organismo.

Com base nos últimos dados completos disponíveis, a partir de 2005-07 vários países alcançaram ou estão prestes a alcançar o objetivo de reduzir a fome pela metade, entre eles o Brasil.

Segundo a FAO, a queda do número de subnutridos deve-se a uma tendência positiva da economia em 2010, sobretudo nos países em desenvolvimento, e à queda dos preços dos alimentos em comparação com o pico registrado em 2008.

De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional, citados no documento da FAO, a renda está crescendo mais rápido nas economias emergentes do que nos países desenvolvidos. Paralelamente, houve uma queda no preço dos cereais e dois anos consecutivos de recordes de safras.

O FMI prevê um crescimento da economia mundial de 4,2% neste ano, após uma contração de 0,6% no ano passado.

Concentração

Conforme as estimativas da FAO, 98% das pessoas subnutridas vivem em países em desenvolvimento, representando cerca 16% da população. Dois terços vivem em apenas sete países: Bangladesh, China, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão. Mais de 40% vivem na China e na Índia.

As regiões com a maioria das pessoas desnutridas são a Ásia e o Pacífico, com 578 milhões. Estas regiões também registraram o maior declínio da desnutrição em 2010: 80 milhões.

Na América Latina e no Caribe, a FAO estima o número de subnutridos em 53 milhões. A África subsaariana foi a região com a maior prevalência de desnutrição, registrando 30% e um declínio em 2010 de 12 milhões.


Riscos

As estimativas para 2010 indicam que o número de pessoas subnutridas irá diminuir em todos os países e regiões do mundo, embora com um ritmo diferente.

E a instituição alerta para os riscos de ainda existir um número elevado de desnutridos. “O fato de quase 1 bilhão de pessoas continuarem a passar fome indica um aprofundamento estrutural do problema que ameaça gravemente a capacidade de atingir as metas concordadas internacionalmente para a redução do problema”, diz o relatório.

Segundo a FAO, para combater as causas da fome os governos devem investir mais na agricultura, expandir redes de segurança e programas de assistência social, reforçar atividades que geram renda para as áreas rurais e urbanas mais pobres e criar mecanismos adequados para lidar com situações de crise e proteger as populações mais vulneráveis.



Para a ActionAid, Brasil deveria investir mais na
agricultura em pequena escala
Pelo 2º ano, Brasil lidera ranking de combate à fome

O Brasil lidera, pelo segundo ano consecutivo, um ranking da ONG ActionAid que mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a pobreza.

O novo ranking foi divulgado nesta terça-feira no relatório Who’s Really Fighting Hunger? (Quem realmente está combatendo a pobreza?), em que a ONG analisa os esforços em 28 países para combater o problema.

A ONG considerou o desempenho dos países em categorias como presença de fome, apoio à agricultura em pequenas propriedades e proteção social. O Brasil é seguido por China e Vietnã. Em último na lista está a República Democrática do Congo.

Pequenas propriedades

Como em 2009, a ActionAid elogia as políticas sociais adotadas pelo governo federal para reduzir a fome no país, destacando os efeitos benéficos de programas como o Bolsa Família e o Fome Zero.

Entretanto, o relatório destaca o pequeno avanço do Brasil, em relação aos demais países emergentes estudados, na adoção de políticas de incentivo à agricultura em pequenas propriedades.

Nesse quesito, o documento coloca o Brasil na 26ª posição entre os 28 analisados, à frente apenas da República Democrática do Congo (27º colocado) e de Guatemala (28º). 

“O governo (brasileiro) começou a investir muito mais na agricultura em pequenas propriedades. Entretanto, ainda há um longo caminho para acabar com a fome e reagir às imensas desigualdades históricas que existem entre os pequenos e grandes produtores”, diz o relatório.

“O Brasil tem tido a tendência de concentrar seu investimento em agrobusiness, o que contribuiu para a concentração de terras nas mãos de um pequeno número de pessoas.”

“O governo brasileiro (...) precisa evitar a promoção de biocombustíveis às custas da segurança alimentar, pois a expansão dos biocombustíveis está elevando o preço da terra e transformando plantações em combustível”, diz o texto.

Prejuízo

O relatório da ActionAid também destaca que a fome causa um prejuízo anual de US$ 450 bilhões para os países mais pobres.

Segundo a ONG, dos 28 países emergentes analisados no relatório, apenas oito estão a caminho de conseguir cumprir, no prazo previsto, as metas de desenvolvimento do Milênio da ONU para a redução da fome. As metas preveem que, em relação aos níveis de 1990, os países diminuam pela metade o número de pessoas subnutridas e de crianças que estão abaixo do peso ideal até 2015. 

“Lutar contra a fome agora vai custar dez vezes menos do que ignorar o problema. (Por causa da forme), todos os anos, a redução da produtividade dos trabalhadores, os problemas de saúde e a oportunidade perdida de buscar educação resultam num custo de bilhões para os países pobres”, disse a presidente da ActionAid, Joanna Kerr.

Créditos: BBC Brasil


Fonte: http://www.passeiweb.com/saiba_mais/atualidades/1284474055

Entenda o processo de capitalização da Petrobrás





O governo vem sendo acusado de interferir demais
na empresa


Após diversas reuniões com ministros e técnicos de governo, o Palácio do Planalto definiu em US$ 8,51 o preço do barril de petróleo que será cedido à Petrobras, no processo de capitalização da empresa. 



Por meio dessa operação, a companhia brasileira venderá novas ações no mercado, e assim poderá arrecadar os recursos financeiros dos quais precisa para ampliar seus investimentos, sobretudo em função da exploração do pré-sal.


O preço do barril, definido em última instância pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, era considerado um dos pontos mais polêmicos das negociações que antecedem a capitalização.

O governo federal, dono dos cinco bilhões de barris que serão cedidos à Petrobras, chegou a defender um preço de US$ 10 por barril. Já a Petrobras e os acionistas majoritários pressionaram por um valor menor, em torno de US$ 5 ou US$ 6.

O valor definido pelo governo, de US$ 8,51, está praticamente na média desse intervalo. Resta agora esperar para ver se os acionistas majoritários terão interesse em participar da capitalização, programada para o dia 30 de setembro.


Entenda o que está em jogo:



O que é uma capitalização e para que serve?



A capitalização (ou aumento de capital) é um processo comum entre as companhias de capital aberto que por algum motivo precisam de mais recursos. 

Uma alternativa à capitalização, por exemplo, seria o endividamento junto ao sistema bancário. Em alguns casos, no entanto, a empresa pode não achar conveniente aumentar seu nível de dívida.

No caso da capitalização, a empresa coloca novas ações à venda no mercado. O capital arrecadado com a venda desses papéis dá fôlego para novos investimentos.

Segundo o diretor da Faculdade de Administração da Faap, Tharcisio Santos, em geral a capitalização ocorre em um ambiente “favorável” aos negócios daquela companhia. “Quando a empresa tem um projeto muito bom, com potencial de retorno elevado, a chance de arrecadar mais dinheiro na capitalização é maior”, diz.


Por que o governo decidiu capitalizar a Petrobras?



Uma das cinco maiores companhias petrolíferas de capital aberto do mundo, a Petrobras sempre teve projetos de investimentos significativos. Esses planos ganharam ainda mais força com a descoberta do pré-sal.

A necessidade de investimentos até 2014 é de US$ 220 bilhões, de acordo com estimativas da própria companhia.

Ao mesmo tempo, a empresa brasileira – que já vinha acelerando seus investimentos – está tendo de lidar com uma forte dívida, que chegou a R$ 118,4 bilhões em junho. O valor equivale a 34% do patrimônio, o que está muito próximo do teto estipulado pela empresa, que é de 35%.

Sem poder se endividar mais, a empresa optou pela capitalização. A previsão é de que, com a operação, a petrolífera brasileira possa arrecadar até R$ 130 bilhões. O resto do dinheiro poderia vir de empréstimos, se a empresa diminuir seu nível de endividamento. Outra possibilidade é a Petrobrás voltar a capitalizar-se.


O que é a cessão onerosa?



Como principal acionista da Petrobras, governo federal teria de desembolsar uma grande quantia de dinheiro para participar do aumento de capital da empresa, na proporção de sua participação acionária.

Em vez de lançar mão desse montante, o que seria inviável do ponto de vista fiscal, governo decidiu usar outro tipo de moeda: o petróleo da camada pré-sal, que pertence à União e ainda não explorado.

A ideia é que o governo ceda cinco bilhões de barris de petróleo à Petrobras, que em troca entregará ao governo títulos da dívida pública, por sua vez recebidos da União durante o processo de capitalização. 

O resultado dessa operação é que o governo poderá manter (ou até ampliar) sua participação no capital da Petrobras sem gastar dinheiro ou títulos públicos.


Como será feita a capitalização?



Diante da emissão de novas ações da Petrobras, tanto o governo como os acionistas minoritários poderão adquirir os papéis. Em tese, todos poderão manter a participação que têm hoje na companhia.

Os novos papéis serão oferecidos primeiro aos acionistas minoritários. Se eles adquirirem toda a parte colocada a sua disposição, estarão mantendo sua participação na Petrobras. Os minoritários, no entanto, podem decidir não comprar todas as ações – por exemplo, se considerarem o preço alto demais.

Nesse caso, o restante das ações poderá ser adquirido pela União, que na prática estará ampliando sua fatia na empresa. Para isso acontecer, porém, o governo terá de encontrar outras fontes para arcar com esse custo.

Atualmente, o governo tem 32% do capital da Petrobras e 55,6% das ações ordinárias (com direito a voto).


Por que o preço do barril era tão importante?



Na última quarta-feira, 08/09, o governo anunciou que o barril de petróleo que será cedido à Petrobras vale US$ 8,51. O valor foi definido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após uma série de discussões com ministros e com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), que apresentaram levantamentos de auditorias independentes.

Esse preço servirá de base para toda a operação, tendo impacto direto no valor das novas ações que serão colocadas no mercado. Enquanto a Petrobras e os minoritários torciam por um preço mais baixo, para o governo federal, dono dos barris de petróleo, um preço mais alto seria o ideal.

O governo federal, dono dos cinco bilhões de barris que serão cedidos à Petrobras, chegou a defender um preço de US$ 10 por barril. Já a Petrobras e os acionistas majoritários pressionaram por um valor menor, em torno de US$ 5 ou US$ 6.

O valor definido pelo governo, de US$ 8,51, está praticamente na média desse intervalo. Resta agora esperar para ver se os acionistas majoritários terão interesse em participar da capitalização, programada para o dia 30 de setembro.

A pergunta, agora, é se os acionistas minoritários terão capacidade para absorver os novos papéis a esse preço. Se os investidores não comparecerem, o processo de capitalização poderá ser prejudicado.


Por que a operação tem sido criticada?



Entre especialistas, há consenso de que a Petrobras não teria como realizar os investimentos previstos com seu próprio capital – mesmo porque, a empresa não teria esse dinheiro em caixa.

Com o endividamento no limite, muitos consideram a capitalização a única saída. O que tem sido motivo de críticas é a forma como o aumento de capital está sendo conduzido.

Uma delas diz respeito a uma interferência “excessiva” do governo em uma empresa que, apesar de ser controlada pela União, tem suas ações negociadas em bolsa – e portanto, precisa prestar contas ao mercado. “Existe uma relação entre o governo e a empresa, que na minha opinião não é saudável”, diz Amaral.

Outro ponto de polêmica é a definição do preço do barril. Coube ao presidente da república definir o valor do barril, sendo que o governo é um dos principais atores no processo de capitalização, o que para muitos analistas configura um conflito de interesse.

Por fim, especialistas ainda questionam a cessão de milhões de barris de petróleo que ainda não foram explorados. Um dos receios é de que os poços escolhidos pelo governo acabem revelando ter menos óleo do que o inicialmente estimado.


Por que as ações da Petrobras não param de cair?



Desde o início do ano, as ações da Petrobras já caíram 28%, o que representa uma perda de US$ 56 bilhões no valor de mercado da companhia.

De acordo com Weber Amaral, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), a desvalorização está ligada a dois fatores.

Um deles é o vazamento de óleo da BP no Golfo do México, que despertou a desconfiança dos investidores sobre a segurança das explorações profundas – o que se aplica à camada pré-sal.

O segundo fator está ligado à capitalização. “Diante do adiamento da operação e de incertezas quanto ao preço do barril e outras questões ligadas à nova legislação, os investidores acabaram fugindo dos papéis da Petrobras”, diz Amaral.

A expectativa dos analistas de mercado é de que, com a capitalização, os investidores voltarão a apostar na petrolífera brasileira – mas segundo o professor da FIA, há ainda outras questões em aberto, como por exemplo, como será feita a divisão dos royalties do petróleo.


Existe algum risco de a capitalização não ocorrer?



Tanto o governo como a Petrobras garantem que a capitalização ocorrerá no dia 30 de setembro. No entanto, como a operação já foi adiada uma vez, o mercado tem sido cauteloso. Muitos analistas ainda consideram a chance de um novo adiamento.

Um dos motivos seria a eleição para presidente. A avaliação é de que o governo pode querer evitar críticas que prejudiquem sua candidata, a ex-ministra Dilma Rousseff.


POLITIZAÇÃO É MAIOR RISCO PARA PETROBRAS, DIZ 'WALL STREET JOURNAL'




Jornal diz que maior risco para Petrobras é a 

politização da empresa

Uma reportagem publicada na edição desta segunda-feira do jornal americano Wall Street Journal afirma que a politização da Petrobras é o maior risco que a empresa enfrenta no futuro.


O texto, assinado pelo jornalista Edward Tan, afirma que a Petrobras, em sua oferta pública de ações estimada em US$ 65 bilhões, tem ressaltado aos potenciais compradores dos títulos os altos riscos envolvidos na exploração de petróleo em águas profundas. 

"Mas o maior risco [da Petrobras] pode ser político", afirma o texto. "A grande reserva de petróleo no litoral do Brasil ameaça reintroduzir a política na administração da gigante petrolífera, que é controlada pelo governo brasileiro, mas competentemente administrada de forma comercial."

"Como a Petrobras é vista como um instrumento de política nacional, seja na sua concepção ou através da evolução econômica, ela se permite ser politizada. O perigo é que ela se aproxime da Petróleos Mexicanos ou Petróleos de Venezuela AS, as companhias nacionais do México e Venezuela respectivamente, que foram transformadas para promoverem várias causas sociais."

O jornal prevê que as ações da Petrobras ficarão mais voláteis no futuro próximo, devido às atividades exclusivamente petrolíferas da companhia, aos riscos ligados à exploração em águas profundas e ao "risco de que sua filosofia independente [...] seja alterada pela política".


Eleições presidenciais



O Wall Street Journal ressalta que a Petrobras tem perspectivas enormes de retorno financeiro diante das reservas comprovadas de 14 bilhões de barris equivalentes de petróleo (BEP), com potencial para chegar a 35 bilhões de BEP. 

No entanto, o jornal diz que isso pode levar a um controle político maior da Petrobras, já que o Congresso brasileiro está considerando criar leis que dariam exclusividade à empresa brasileira na operação de áreas do pré-sal.

Com isso, a empresa, que tem 55% das suas ações com direito de voto sob controle do governo, teria uma posição predominante na exploração das novas jazidas. No entanto, alguns acionistas reclamam que a Petrobras pagaria caro demais pela operação nas áreas determinadas pela lei e podem levar a questão à Justiça.

Outro risco de politização da Petrobras apontado pelo jornal são as eleições presidenciais brasileiras, que "introduzem outra incerteza". "A candidata com ampla margem de liderança nas pesquisas, Dilma Rousseff, é vista em geral como tendo posições mais esquerdistas do que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ter o seu apoio", escreve o Wall Street Journal.

O jornal não menciona as plataformas dos candidatos presidenciais em relação à Petrobras.

Créditos: BBC Brasil


Fonte: http://www.passeiweb.com/saiba_mais/atualidades/1284385834