Rádio Extraclassse Kolping

domingo, 1 de maio de 2011

Borrifada contra a malária

Pesquisadores dos Estados Unidos testam fungo geneticamente modificado para combater a doença negligenciada. A estratégia poderia ser usada também no combate a outras enfermidades transmitidas por artrópode, como a dengue.
Por: Cássio Leite Vieira
Borrifada contra a malária
Fotomicrografia de tecido placentário revelando a presença do 'Plasmodium falciparum'. Fungo geneticamente modificado produz moléculas que atacam o parasita da malária em fase inicial de suas vidas. (imagem: CDC)
Nova estratégia promete baixar significativamente os números a seguir em relação à malária: aflige 240 milhões de pessoas no mundo, mata 850 mil delas (principalmente, crianças) e está presente em 108 países, segundo a Organização Mundial da Saúde.
A ideia do experimento foi testar a ação de um fungo contra o Plasmodium falciparum, parasita causador da malária. Estudos anteriores já haviam mostrado a eficiência da estratégia ao borrifar os mosquitos vetores da doença com o fungo patógenoMetarhizium anisopliae. Mas os resultados dos experimentos mostraram que a eficácia da técnica se restringia apenas aos insetos que haviam acabado de se contaminar com o parasito.
Agora, a equipe de Raymond St. Leger, da Universidade de Maryland (EUA), resolveu manter a arma, mas alterar o projétil. Os pesquisadores introduziram, no fungo, anticorpos humanos ou toxinas de escorpião, ambos com poder de combater o parasita.
Os resultados relatados na revista Science impressionam. Os autores dividiram os mosquitos Anopheles em três grupos. No primeiro, aplicaram o fungo modificado; no segundo, o fungo normal; no terceiro, nada. Nos primeiros, foram encontrados P. falciparum nas glândulas salivares de 25% dos mosquitos. Esse mesmo índice subiu para 87%, no segundo grupo, e 94%, no último. 
Mas, no primeiro grupo, o número de parasitas nas glândulas salivares foi reduzido em cerca de 95%. 
‘Anopheles albimanus’ fêmea
Mosquito ‘Anopheles albimanus’ fêmea, vetor da malária, se alimentando de um hospedeiro humano. A doença aflige 240 milhões de pessoas no mundo, mata 850 mil delas e está presente em 108 países, incluindo o Brasil. (foto: James Gathany/ CDC)

Estratégia ampla

O fungo M. anisopliae modificado produz, segundo os pesquisadores, moléculas que atacam o parasita em uma fase inicial de suas vidas – daí sua utilidade em reduzir a transmissão da malária em até cinco vezes, quando comparado com fungos não modificados geneticamente.
Considerada ‘doença de pobre’ pela indústria farmacêutica, a malária é – como se nota pelas cifras no primeiro parágrafo – um problema de saúde pública mundial. Os resultados de agora serão testados em campo, na África, continente assolado pela doença. 
A estratégia valeria, segundo os autores, também para qualquer doença transmitida por artrópode, o que inclui nessa lista a dengue. A equipe já está criando fungos modificados para reduzir a transmissão de outras doenças, como a de Lyme (transmitida por carrapatos) e a doença do sono (por moscas tsé-tsé), bem como contra pestes (gafanhotos, por exemplo).

Cássio Leite VieiraCiência Hoje/ RJ
Texto originalmente publicado na CH 280 (abril de 2011).

O jogo dos sete acertos no Vestibular

Por: Marcela Campos - Gazeta do Povo

 A repórter Marcela Campos conversou com três professores, um psicólogo e uma nutricionista. Confira as dicas para bombar os estudos – sempre com equilíbrio – e para evitar que o cansaço e a ansiedade se tornem ameaças nessa reta final
1) Mantenha o ritmo
Continue a separar quatro ou cinco horas do seu dia apenas para os estudos em casa, sejam eles complementares ou não a um curso preparatório. O ideal é reservar aproximadamente 40 minutos para cada disciplina, com pequenas pausas – de três a dez minutos – entre elas. “Não é interessante estudar duas horas só de Matemática, por exemplo. Cansa muito mais do que estudar duas horas de matérias diferentes”, explica o professor João Pedro Alvarez Mateos, orientador de hábitos de estudos do Curso Positivo. Para o professor de Química Daniel da Silva Faria, do Curso Unificado, o ideal é que o aluno revise, em casa, os conteúdos que viu na sala de aula naquele mesmo dia.
2) Estude todas as matérias
O vestibulando deve continuar estudando todas as disciplinas e não apenas aquelas cobradas na segunda fase do processo seletivo da UFPR. “A primeira fase não pode ser abandonada, porque a nota do vestibular é cumulativa. Às vezes o candidato passa na primeira fase com pontuação muito baixa e acaba não sendo aprovado”, enfatiza o professor Daniel, do Unificado. A dica do professor Mateos, do Positivo, para o aluno que deseja se preparar para a prova discursiva é resolver os exercícios mais difíceis relacionados aos conteúdos da segunda fase. “Já com relação às matérias que não são da segunda fase, deve-se estudar e fazer os exercícios mais fáceis”, orienta.
3) Busque o silêncio
Procure um local bem iluminado, silencioso e arejado para estudar. Afaste-se de tudo o que possa distrai-lo, como telefone, rádio ou televisão. Se em casa não houver um ambiente propício à concentração, vá a uma biblioteca ou mesmo ao cursinho – várias escolas oferecem salas de estudo. Outra opção é estudar em grupo. “A troca de informações entre os membros do grupo permite completar dados, resolver questões e aprimorar a comunicação”, afirma o diretor do Curso Expoente, Renaldo Franque. Para que a estratégia dê bons resultados, ressalta, é necessário reunir alunos com facilidade de entrosamento.
4) Acompanhe as notícias
Como os vestibulares normalmente incluem questões sobre assuntos da atualidade, é importante manter-se informado. Mateos recomenda a leitura de pelo menos uma reportagem por dia. Outra dica é intercalar diferentes jornais e revistas, para ter acesso a opiniões e enfoques distintos. Já para o professor Daniel, do Unificado, o aluno pode ler, todos os dias, de três a quatro matérias publicadas em um jornal. “Ele pode pegar a capa do jornal e escolher matérias interessantes de política, educação, saúde”, afirma.
5) Reserve um dia para o descanso
Segundo o coordenador do curso de Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Raphael Di Lascio, o excesso de estudos pode provocar uma estafa. “O vestibulando pode ter dor de cabeça, dor no corpo, diarreia, mudanças de apetite e até problemas cardíacos”, alerta. “O vestibulando tem de estudar cinco horas por dia, fora as aulas. Isso dá 11 horas diárias de trabalho, de segunda a sábado, ou 66 horas por semana. Um trabalhador permanece em média 44 horas semanais no serviço e tem pelo menos um dia inteiro de folga por semana. O patrão paga para ele descansar, porque sabe que a produção pode cair”, compara Mateos, do Positivo.
6) Faça atividades físicas
Os exercícios físicos são importantes para diminuir a ansiedade e o nervosismo, pois estimulam a produção de serotonina, neurotransmissor que provoca sensação de bem-estar. “O ideal é que o estudante faça um atividade para descarregar a energia negativa. Pode fazer musculação, andar de patins, alguma coisa que supra o corpo com sensações prazerosas e faça com que ele tenha uma predisposição mais positiva frente à vida”, afirma a psicóloga Mariita Bertassoni da Silva. O professor Daniel, do Unificado, recomenda a prática de exercícios físicos durante uma hora, pelo menos três vezes por semana.
7) Alimente-se bem
Para não perder tempo, há vestibulandos que comem depressa demais, pulam refeições ou as trocam por lanches gordurosos. O problema é que esse tipo de alimentação prejudica o desempenho nos estudos. “Esses estudantes comem rápido e, consequentemente, muito mais do que precisam, pois o organismo não tem tempo de ativar o sistema de saciedade. Toda a energia é canalizada para a digestão e eles têm mais sonolência”, explica a nutricionista Juliana Trevilini. Ela acrescenta que o consumo excessivo de café e refrigerantes à base de cola pode causar irritação. “A dica é consumir até duas xícaras (de 70 ml) de café por dia”. Segundo Juliana, o ideal é fazer as três principais refeições do dia, além de um lanche leve no meio da manhã e outro à tarde. “Quando são feitas várias refeições, como-se menos, porém melhor. O organismo se torna mais eficiente porque não é sobrecarregado”, afirma.
Aprendendo com os erros
Ler a teoria e só depois resolver os exercícios das disciplinas vistas em sala de aula. Essa é uma das principais estratégias que os vestibulandos Nicolas Micael Smalarz, 19 anos, e Dayra Liz Milleo Costa Kwitko, 18 anos, adotarão até o dia da prova da Federal. Veteranos na preparação para o vestibular, os dois já tiveram a chance de avaliar as metodologias de estudo mais eficientes para cada um. “Ler a teoria é essencial porque me dá o embasamento para resolver os exercícios”, afirma Nicolas, que disputa pela terceira vez uma vaga no curso de Arquitetura da Federal e atualmente cursa Design – Projeto de Produtos na Universidade Positivo.
Candidata ao curso de Engenharia Civil, Dayra decidiu seguir este ano uma rotina mais rigorosa de estudos. “Faço cursinho pela segunda vez. No ano passado eu não tinha um método de estudos certo. Estudava as matérias do dia, mas às vezes só via a teoria e às vezes só fazia os exercícios. E descansava sexta, sábado e domingo. Este ano eu estou vendo a teoria e fazendo os exercícios. Descanso só no sábado”, conta.
Das recomendações feitas por professores, nutricionistas e psicólogos, Dayra só não segue uma. “Eu fazia academia, mas parei por causa do vestibular”, confessa. Nicolas, por sua vez, diz que aprendeu com o erro. “No ano passado eu jogava futebol com os amigos, mas a minha consciência pesava e por isso deixei de lado. Mas aprendi e esse ano passei a jogar tênis no domingo. É essencial manter a cabeça fria, não viver só do vestibular”, conta.

EL NIÑO E LA NIÑA: QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE OS FENÔMENOS?

O El Niño e a La Niña são fenômenos com potencial de alterar o clima do planeta. Ainda não se sabe ao certo quais são suas causas, mas vejamos as consequências:

El Niño
Acontece de tempos em tempos (é um fenômeno cíclico) e forma-se a partir do aquecimento anormal das águas do Pacífico. Quando ocorre, o aquecimento tem início entre os meses de setembro e outubro. Em dezembro, as águas já estão quentes na costa do Peru. O fenômeno é chamado de El Niño, fazendo referência ao Menino Jesus, por chegar à costa da América do Sul na época do Natal.


O El Niño complica a vida dos pescadores peruanos porque diminui a piscosidade da corrente de Humboldt, que fica influencia as costas chilena e peruana.


O fenômeno muda o regime de chuvas e o clima em diversas regiões do planeta. Em 1997, por exemplo, as águas do Pacífico estiveram 4oC acima da média normal. Devido ao El Niño, os Estados Unidos, o sudeste da África, a Indonésia, a Austrália e a América Central sofreram com seca e calor.

La niña
Também é um fenômeno cíclico. Durante a La Niña (antes chamada de “El Viejo”) o Oceano Pacífico resfria a mais do que o normal – em torno de 2oC a 3oC. O fenômeno permanece por cerca de um ano, e há um intervalo de 2 a 7 anos até que volte a se repetir.


Embora ainda não se possa prever as consequencias provocadas pela La Niña, no Brasil já foram detectados, durante o fenômeno, a passagem rápida de frentes frias na região Sul, a diminuição da temperatura e o aumento nos índices pluviométricos no Sudeste, frentes frias durante o inverno no Nordeste e o aumento de chuvas no leste e norte da Amazônia.


Entre 1998 e 1999, o clima no mundo ficou caótico devido ao fenômeno. Houve secas na Austrália e na África do Sul e chuvas torrenciais na América do Sul. Os Estados Unidos passaram por um dos invernos mais rigorosos. Na Europa, houve muitas tempestades de neve.

A centenária e misteriosa supercondutividade

Cem anos após a descoberta dessa propriedade física em certos materiais, ainda há um longo caminho até sua compreensão total e a realização de todas as suas aplicações tecnológicas. Carlos Alberto dos Santos traça um panorama do conhecimento atual sobre o fenômeno.
Por: Carlos Alberto dos Santos
Publicado em 22/04/2011 | Atualizado em 25/04/2011
A centenária e misteriosa supercondutividade
Os materiais supercondutores são capazes de repelir as linhas de força de um campo magnético, característica que explica a levitação do ímã mostrada na imagem. (foto: Julien Bobroff, Frederic Bouquet, LPS, Orsay, France/ CC BY-SA 3.0)
A supercondutividade é um dos poucos fenômenos naturais – senão o único – a reunir virtualmente todas as facetas do desenvolvimento científico e tecnológico. Descobertas ocasionais, erros que conduzem a acertos, acertos ignorados que poderiam antecipar descobertas, promessas e realizações de aplicações tecnológicas, abandono relativo e interesse revigorado e, sobretudo, grandes desafios para sua explicação fazem parte da sua história.
A descrição do fenômeno dá a impressão de algo estonteantemente simples. Mede-se a resistência elétrica do material em função da temperatura. Quando esta decresce, o valor da resistência varia suavemente até que, em determinada temperatura, ele cai abruptamente a zero. A temperatura em que isso ocorre é conhecida como temperatura crítica (Tc) do material observado. Diz-se então que o material é supercondutor abaixo dessa temperatura.
A humanidade ainda não pôde utilizar a supercondutividade em muitas das suas tão sonhadas e plausíveis aplicações tecnológicas
Mas, no alvorecer de seu primeiro centenário, a supercondutividade permanece envolta em mistério e ainda não permitiu que a humanidade a utilizasse em muitas das suas tão sonhadas e plausíveis aplicações tecnológicas.
Como é usual acontecer com as grandes descobertas, a da supercondutividade resultou de um conjunto de eventos fortuitos conduzidos e observados por cientistas. No início do século passado, o físico holandês Heike Kamerlingh Onnes (1853-1926) dedicava-se à liquefação do hélio para obter temperaturas próximas do zero absoluto – ou zero grau Kelvin (0 K). Conseguiu a façanha em 1908, obtendo a temperatura de 4,2 K, o que lhe valeu o Prêmio Nobel de Física de 1913.
Aparato para liquefazer hélio
Aparato usado em 1908 pelo físico holandês Heike Kamerlingh Onnes para produzir hélio líquido e obter temperaturas próximas do zero absoluto. (foto: Rob Koopman/ CC BY-SA 2.0)
A motivação para a obtenção de temperaturas tão baixas era, principalmente, o estudo da resistência elétrica dos metais em função da temperatura. De acordo com o conhecimento da época, para levar adiante esses estudos seria preciso usar amostras metálicas de alta pureza. Mas purificar metais não era e continua não sendo uma tarefa fácil.
O físico holandês Gilles Holst (1886-1968), um dos colaboradores de Onnes, teve a ideia de usar mercúrio em vez de um metal. Por se tratar de um líquido, a purificação do mercúrio era uma tarefa banal. Então, no dia 8 de abril de 1911, eles colocaram um tubo capilar cheio de mercúrio no hélio líquido e mediram a resistência elétrica do material em função da temperatura: a 4,2 K, a resistência era tão pequena que não podia ser medida. Estava descoberta a ‘supracondução’, primeiro termo usado por Onnes para descrever o fenômeno.
Ironicamente, tudo poderia ter sido muito mais simples. Bastaria ter colocado um pedaço qualquer de chumbo, impuro que fosse, e observariam o fenômeno em temperatura por volta de 7,2 K. Mas apenas em 1913 eles fizeram o experimento com esse metal.

Entraves à pesquisa

As pesquisas com o novo fenômeno se arrastaram lentamente por muito tempo. Instalações que permitissem esse tipo de estudo eram quase um monopólio do grupo liderado por Onnes.
Além disso, havia outro incômodo na supercondutividade: o estado de resistência zero desaparecia quando a amostra era colocada nas proximidades de um campo magnético, por mais fraco que fosse esse campo.
Sabe-se hoje que a explicação para isso é que vários supercondutores descobertos naquela época eram metais elementares, muitos deles supercondutores do tipo I. Nesses metais, o estado supercondutor existe apenas em uma fina camada superficial e é facilmente destruído por campos magnéticos acima de determinado valor que penetram no material.
Passaram-se duas décadas até que a existência de supercondutividade em ligas metálicas fosse reconhecida. Era o nascimento dos supercondutores do tipo II, com temperaturas críticas maiores e estado supercondutor distribuído em grande volume da amostra, de modo que o material resistia mais à presença de campos magnéticos.
Depois da descoberta do efeito Meissner, o grande salto na pesquisa sobre supercondutividade foi a hoje famosa teoria BCS
Essa interação entre estado supercondutor e campo magnético foi bem investigada pelos físicos alemães Walther Meissner (1882-1974) e Robert Ochsenfeld (1901-1993), que, em 1933, descobriram o efeito Meissner, uma das principais assinaturas do estado supercondutor. O fenômeno está associado à capacidade que um material supercondutor tem de repelir as linhas de força de um campo magnético.
Depois da descoberta do efeito Meissner, o grande salto na pesquisa sobre supercondutividade ocorreu no final dos anos 1950, quando os físicos estadunidenses John Bardeen (1908-1991), Leon Cooper (1930-) e Robert Schrieffer (1931-) apresentaram a hoje famosa teoria BCS, que lhes valeu o Prêmio Nobel de Física de 1972. Um componente importante dessa teoria é a formação de pares de elétrons, os famosos pares de Cooper, responsáveis pela condução elétrica nos supercondutores.

Primeiras aplicações tecnológicas

Se a comunidade científica recebeu com grande entusiasmo a teoria BCS, não havia como esconder a frustração pela falta de aplicações tecnológicas da supercondutividade. Mas esse caminho foi pavimentado poucos anos depois, com a fabricação de fios supercondutores de Nb3Sn, NbZr e NbTi, que ainda hoje são usados nos equipamentos de ressonância magnética de laboratórios de pesquisa e de hospitais e nos eletroímãs do Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), por exemplo.
Eletroímãs do LHC
Os primeiros fios supercondutores, fabricados em meados do século 20, ainda hoje são usados em vários equipamentos, como os eletroímãs do LHC (na foto), o maior acelerador de partículas do mundo, localizado na Suíça. (foto: Rainer Hungershausen/ CC BY-NC-ND 2.0)
Ao mesmo tempo em que os pesquisadores experimentais avançavam na elaboração de supercondutores do tipo II, por volta de 1962, o físico teórico britânico Brian Josephson (1940-) previu a existência do efeito túnel em materiais supercondutores.
Esse fenômeno, já descrito na coluna de agosto de 2007, resultou na invenção do Squid (sigla em inglês para dispositivo supercondutor de interferência quântica). Trata-se de um sensor que permite realizar medidas magnéticas extremamente sensíveis e é usado atualmente em inúmeros equipamentos de pesquisa e em inovadores aparelhos clínicos de magnetoencefalograma, magnetocardiograma e ressonância magnética funcional.
Nos anos 1970, o avanço científico e tecnológico associado à supercondutividade era tão lento que muita gente foi se dedicar a outras áreas de pesquisa. A história mudou em meados de 1986, com a descoberta das cerâmicas supercondutoras, algumas das quais apresentando supercondutividade abaixo de 90 K.
Enquanto as cerâmicas supercondutoras não satisfazem completamente o sonho dos engenheiros, os pesquisadores avançam na descoberta de novos compostos supercondutores
Encontrar um material supercondutor com temperatura crítica próxima da temperatura do nitrogênio líquido (77 K) foi um grande passo em direção ao sonho supremo da supercondutividade em temperatura ambiente (entre 294 e 296 K). Mas ninguém sabe se chegaremos lá. Na verdade, ainda estamos muito longe: o recorde atual, 138 K, pertence a um óxido à base de mercúrio, bário, cálcio e cobre.
Enquanto as cerâmicas supercondutoras não satisfazem completamente o sonho dos engenheiros, os pesquisadores da área de ciência dos materiais avançam na descoberta de compostos supercondutores, sendo o diboreto de magnésio (MgB2) o mais novo da família. Comparado com as cerâmicas, ele é medíocre em termos de temperatura crítica (39 K), mas seu estado supercondutor resiste a altíssimos campos magnéticos, o que o credencia para a indústria elétrica de alta potência.
Finalmente, uma leve ducha de água fria: a teoria BCS não é capaz de explicar a supercondutividade em muitos dos novos supercondutores. Mas isso não é de todo ruim, pois mostra que ainda há muito o que fazer. Quem se habilita?

Carlos Alberto dos Santos
Professor visitante sênior da Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila)

Novos aliados contra a tuberculose

Compostos químicos da família das chalconas podem ser mais eficientes no combate ao bacilo de Koch do que antibióticos tradicionais. Em vez de atacar a bactéria, as substâncias inibem a ação de uma enzima essencial para o microrganismo.
Por: Célio Yano
Novos aliados contra a tuberculose
Bacilo de Koch, causador da tuberculose, em imagem de microscopia eletrônica de varredura. Sem a ação da enzima PtpA nas células humanas, a bactéria morre em cerca de 48 horas. (foto: Janice Carr/PD-USGov-HHS-CDC)
Na guerra contra o avanço da tuberculose, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) descobriram uma nova estratégia de combate, que um dia poderá ser utilizada na criação de medicamentos mais eficientes.
Ela envolve o uso de compostos químicos capazes de inibir a atividade de uma enzima fundamental para a sobrevivência do bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), bactéria causadora da doença.
O tratamento contra a tuberculose é feito, hoje, à base de antibióticos, que matam o microrganismo. Embora seja eficaz, a terapia leva pelo menos seis meses para ser concluída e, durante esse tempo, provoca efeitos colaterais como lesões na pele e enjoos rotineiros. Esses fatores fazem com que muitos pacientes suspendam o tratamento ao primeiro sinal de melhora, quando ainda não estão totalmente curados.
Tratamento com antibióticos leva meses para ser concluído e provoca efeitos colaterais rotineiros
Em vez de combater diretamente o metabolismo ou a reprodução da bactéria, como fazem os antibióticos, cinco compostos químicos descobertos pelo grupo da UFSC vão atrás do calcanhar de aquiles do microrganismo: a enzima PtpA.
“Sem essa enzima, o bacilo simplesmente não consegue se desenvolver e morre”, explica o químico Hernán Terenzi, coordenador do estudo. Os compostos químicos capazes de inibir a atividade da enzima são de uma família conhecida na química orgânica como chalcona.
A tuberculose é uma das doenças infecciosas que mais mata no mundo. Em 2009, causou cerca de 1,7 milhão de mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde. A doença é peculiar porque, ao se hospedar no organismo, M. tuberculosis passa a viver preferencialmente dentro dos macrófagos, células que defendem o corpo humano de organismos estranhos e que, portanto, deveriam destruir as bactérias.

Cooperação

Antes dos testes da equipe, já se sabia que M. tuberculosis dependia da PtpA para sobreviver e que algumas substâncias tinham poder de inibir a atividade da enzima. Mas para testar os compostos no combate ao bacilo era preciso saber exatamente de que forma o microrganismo agia.
Pesquisadora em laboratório da UFSC
Pesquisadora trabalha na purificação da enzima PtpA em laboratório da UFSC. (foto: UFSC)
“Em 2009, um grupo de canadenses da Universidade da Colúmbia Britânica [UBC, na sigla em inglês] publicou justamente o que estávamos procurando: os alvos de ação da bactéria dentro dos macrófagos”, conta Terenzi.
Os cientistas da UFSC passaram a se corresponder com o grupo canadense e decidiram dar prosseguimento às pesquisas de forma colaborativa. Pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Pasteur de Montevidéu, no Uruguai, também ajudaram nos experimentos.
Em laboratórios do Canadá, várias chalconas foram testadas em macrófagos infectados e cinco delas inibiram a ação da PtpA. Sem a atividade enzimática, as bactérias começavam a morrer em aproximadamente 48 horas.
Com a inibição da enzima PtpA, as bactérias começam a morrer em aproximadamente 48 horas
Segundo Terenzi, três dos compostos tiveram efeitos tóxicos, possivelmente por inibir a ação de outras enzimas importantes para o organismo humano. “Os outros dois não apresentaram qualquer problema de toxicidade.”
Os resultados da pesquisa foram publicadosem 2010 na revista Bioorganic & Medicinal Chemistry, cujo acesso é livre. Para o químico que coordenou os trabalhos na UFSC, há boas chances de os compostos serem transformados em medicamentos para o tratamento da tuberculose.
“Dependerá agora de toxicologistas e farmacêuticos demonstrarem interesse em continuar os estudos”, diz. O pesquisador ressalta que não foi registrado qualquer tipo de patente e que, por isso, caso alguma indústria tenha interesse em desenvolver um fármaco, o caminho está livre. A nova arma contra a tuberculose está à disposição.
 Célio Yano
Ciência Hoje On-line/ PR

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Download – Curso Preparatório para o ENEM 2010 – Vol. 2

curso Download   Curso Preparatório para o ENEM 2010   Vol. 2
O Kit Preparatório para o Novo Enem possibilita ao aluno o conhecimento necessário para que ele tenha um bom desempenho na resolução da prova do ENEM. Contando com videoaulas, este curso foi elaborado por professores com ampla experiência em cursos preparatórios para os mais concorridos vestibulares.
Nome Original: ENEM 2010
Direção: Curso Preparatório
Lançamento: 2010
Duração: Mtas Hrs
Qualidade: DVDRip
Formato: MPEG
Tamanho: 4.3 Gb
Ídioma: Português

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  • Questões Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
  • Lingua Portuguêsa, Literatura e Artes
  • Fisica – Quimica e Biologia

sábado, 16 de abril de 2011

UESB (BA) - Inscrições abertas para o Vestibular 2011.2

A inscrição para o Vestibular 2011.2 da Uesb pode ser feita através do site da Instituição. São 21 opções de curso, distribuídas entre os campi de Jequié, Vitória da Conquista e Itapetinga. Para proporcionar mais funcionalidade aos vestibulandos, o sistema de inscrições online do Vestibular foi aperfeiçoado.
“As inovações estão no layout, com cores vibrantes e letras maiores, nos recursos tecnológicos utilizados, que dão maior agilidade e tornam o processo menos susceptível a erros”, explica a gerente de desenvolvimento da Unidade de Informática da Uesb, Aline Silva Costa. Além disso, o conteúdo da página do Vestibular também foi melhorado. O manual do candidato e informações como a concorrência do último processo seletivo, filmes e livros estão ao alcance de todos, na mesma interface.  
Acesse a página do Vestibular 2011.2 e confira as mudanças. Para acessar diretamente o link de inscrição, clique aqui. 
Patrício Ribeiro/ Assessoria de Comunicação da UESB

Vírus humano associado à morte de gorilas em perigo

Doença viral tipicamente humana foi transmitida aos gorilas-das-montanhas, seriamente ameaçados de extinção
 
Foto via Wikimedia Commons
Por John Platt

Séculos atrás, gorilas-das-montanhas (Gorilla beringei beringei) viviam isolados e raramente eram observados por seres humanos. Atualmente, esses grandes presença humana em Ruanda, Uganda e na República Democrática do Congo. Paralelamente, o ecoturismo gera fundos necessários para a preservação da espécie.

As espécies em risco de extinção, no geral, estão submetidas a várias ameaças, como invasões de seu hábitat, caça, e recentemente, doenças humanas.

Segundo um estudo publicado no Emerging Infectious Diseases, o índice de doenças respiratórias aumentou muito nas populações desses símios. As doenças estão cada vez mais frequentes e mais agressivas, e já são a segunda maior causa de óbitos entre esses gorilas.

Pela primeira vez, pesquisadores provaram que doenças respiratórias humanas podem ser transmitidas a esses animais. O estudo iniciou após uma epidemia em um grupo de gorilas em Ruanda. Doze animais foram infectados, apresentando sintomas como tosse, coriza e letargia. O Mountain Gorilla Veterinary Project tratou os primatas com antibióticos, mas infelizmente dois gorilas ─ uma fêmea adulta e um macho de apenas três dias ─ morreram em decorrência da infecção. A fêmea, mãe do bebê recém nascido, teve sua infecção tratada remotamente com uso de dardos com medicação.

Analise do tecido dos animais mortos possibilitou saber que a causa foi um tipo de vírus conhecido como Metapneumovírus (MPV).

Em um pronunciamento, um dos autores do estudo evidenciou a real periculosidade da situação para essa espécie: “Restam menos de 800 gorilas-das-montanhas e esses símios da reserva são fundamentais para a sobrevivência de toda a espécie”, alerta Mike Cranfield, diretor executivo do Mountain Gorilla Veterinary Project, e veterinário da vida selvagem, daUniversity of Califórnia, em Davis. “Os gorilas-das-montanhas estão cercados pelos humanos, e essa pesquisa mostra que viver em parques protegidos não os protege suficientemente”.


Fonte:
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/virus_humano_associado_a_morte_de_gorilas_em_perigo.html

Crise nuclear no Japão: tudo que você precisa saber

A situação na Usina Nuclear Daiichi em Fukushima muda diariamente. Essa lista fornece uma compilação da nossa cobertura mais essencial do reator e da ameaça de radiação
Clique nos links da lista abaixo, e confira cada artigo:

CORTESIA DA MARINHA AMERICANA
Vista aérea da Usina Daiichi em Fukushima (Japão)
1. Peritos concebem cenário para usina de Fukushima
Por Steve Mirsky

2. O que ocorre durante uma fusão nuclear
Por John Matson

3. Quanto ficou de combustível na estação Daiichi?
Por Katherine Harmon

4. Água do mar é o último recurso?
Por Larry Greenemeier

5. Destino de usina nuclear no Japão é incerto
Por David Biello

6. Resumo de fatos sobre a radiação em Fukushima
Por John Matson

7. Como a radiação pode ameaçar a saúde?
Por Nina Bai

8. Iodeto de potássio protege pessoas contra radiação?
Por Larry Greenemeier

Fonte:
http://www2.uol.com.br/sciam/artigos/crise_nuclear_no_japao_tudo_que_voce_precisa_saber.html

MEC estuda dar tempo para aluno conferir prova do Enem e quer "confiscar" celular

O MEC (Ministério da Educação) estuda mudanças nos procedimentos nas provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano. O UOL Educação apurou que os alunos terão um tempo determinado, antes do início do exame, para verificar se há erros nos cadernos de prova. Além disso, os celulares serão “confiscados” e não poderão ficar com os estudantes.



No ano passado, houve problemas em cadernos amarelos da prova, que vieram com questões faltantes e/ou repetidas. É por isso que os alunos deverão ter um tempo neste ano para verificar e pedir a troca do caderno caso haja problema antes mesmo de começar o exame. Se o estudante não avisar, não poderá reclamar posteriormente.
O “confisco” do celular visa evitar problemas como os de 2010, no qual um repórter do Jornal do Comércio, de Pernambuco, vazou o tema da redação por mensagem de texto. Os aparelhos, estuda o MEC, deverão ser devolvidos no final da prova.

Número de exames

Somente em 2012 haverá duas edições do Enem. Neste ano, como adiantou oUOL Educação, será feito somente um exame, em outubro ou novembro. Segundo o ministro Fernando Haddad, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) vai divulgar “brevemente” a data.
A realização de duas provas por ano havia sido apontada pelo ministro Fernando Haddad como uma maneira de reduzir os seguidos problemas que o Enem vem enfrentando. O MEC cogitava a possibilidade de aplicar os dois exames já em 2011. A licitação com a gráfica que imprime o Enem permitia que isso acontecesse agora -já que o contrato foi assinado para a realização de duas provas.