| No primeiro levantamento da saúde indígena não foi registrada a ocorrência de doenças cardiovasculares e menos de 5% dos examinados tinham pressão arterial elevada. Mas essa situação mudou | |||||||||||
| por Roberto Baruzzi | |||||||||||
Em seus primórdios a história do Parque se reporta ao início do ano de 1946, quando a expedição Roncador-Xingu, no contexto do movimento de Marcha para o Oeste do governo federal, atingiu o rio Kuluene, um dos formadores do Xingu, após atravessar o território xavante, guerreiros temidos e avessos a qualquer contato com outros povos. Presentes na expedição, os irmãos Villas Bôas: Orlando, Cláudio e Leonardo tiveram seus primeiros contatos com os kalapalo e kuicuro, no Juluene. Nos meses seguintes o relacionamento se estendeu aos demais povos dos formadores do rio Xingu ou Alto Xingu. Em 1953, o processo de contato se estendeu até os metuktire, ou kayapó, na área norte do Parque, próxima da cachoeira de Von Martius. Na época, teve início um movimento em defesa desses povos, ameaçados pela venda das terras que ocupavam desde tempos imemoráveis, o que levou à criação do Parque. Entre as atribuições definidas no decreto de sua fundação, estava: “Garantir aos povos indígenas a assistência médica, social e educacional, indispensável para assegurar sua soberania, com a preservação de seus atributos culturais”. Nesse contexto se inseria a seguinte declaração dos Villas Bôas, de anos anteriores, baseada em sua convivência com povos indígenas: “É neste setor da saúde que a ajuda do civilizado pode ser de transcendente importância. Diante dos acessos violentos de malária, de gripe e de pneumonia os pajés são impotentes. Se for dada a esses índios uma assistência conveniente, não temos dúvidas de que em poucos lustros teremos novamente o Alto Xingu como hábitat dos mais fortes e expressivos indígenas do Brasil”. Em 1965, a convite de Orlando Villas Bôas, diretor do Parque, uma equipe médica da Escola Paulista de Medicina (EPM), hoje ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi avaliar as condições de saúde de sua população. Da avaliação resultou um acordo pelo qual a EPM se comprometia a enviar equipes médicas periódicas e, em situações epidêmicas, iniciar um plano de vacinação e abrir o Hospital São Paulo como unidade de retaguarda para seus habitantes. Essa foi a solução viável, dado o isolamento geográfico na época, e que se tornou possível com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) no transporte das equipes médicas e remoção de pacientes. Os grupos voluntários, eram formadas por médicos, enfermeiras e dentistas, contando sempre com a presença de alunos. Os estudantes têm assegurado, por mais de quatro décadas, a continuidade do Programa de Saúde ou Projeto Xingu, como é conhecido. Muitos deles voltaram a participar de outras equipes, mesmo depois de formados, alguns como membros do corpo dirigente do Projeto. A política de saúde da EPM, no Parque, foi assim expressa por mim, em 1966, na condição de coordenador: “O desafio não é simplesmente implantar no Parque um modelo de assistência à saúde calcado na medicina ocidental, com mera transferência de tecnologia e locação de recursos. O real desafio é trazer benefícios à saúde do índio sem causar danos irreversíveis à sua cultura, sem destruir suas crenças e sua medicina tradicional. A busca de resultados imediatistas poderia significar um dano para essa população no decorrer do tempo, dentro do conceito de saúde definido pela OMS como um estado de completo bem-estar físico, social e mental”. A introdução de uma ficha médica no trabalho de campo, desde os primórdios do Projeto Xingu, permitia que cada um dos membros de uma aldeia fosse chamado nominalmente para ser examinado e tratado entre os que apresentavam alguma queixa. Eram aplicadas as vacinas previamente determinadas e feito o registro das intercorrências clínicas, gestações, nascimentos e óbitos. Na sequência, a equipe de saúde ia de casa em casa da aldeia para atender aqueles que, por condições de saúde ou por outros motivos, não haviam comparecido aos exames. Uma foto atualizada periodicamente, somada a outros dados da ficha médica, facilitava a identificação individual, a salvo de mudanças no nome (prática comum) e de diferenças na sua transcrição gráfica. As fichas médicas têm possibilitado a realização de numerosos estudos nas áreas das ciências humanas e da saúde. Desde o início estabeleceu-se um clima de mútuo respeito e colaboração entre médicos e pajés. Com o transcorrer do programa de saúde foi dada maior atenção à formação de agentes de saúde e auxiliares de enfermagem indígenas, indicados por suas comunidades. Em 2001, o primeiro grupo de formados recebeu seus certificados em cerimônia realizada na Escola Paulista de Medicina. Atualmente, cerca de 40 formados integram o quadro de saúde no PIX, remunerados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A presença de agentes de saúde facilita a participação das aldeias na discussão dos problemas de saúde, pelos traços culturais comuns e uso da língua nativa. De 1966 a 1971, foi realizado o levantamento das condições de saúde nas aldeias, com o uso das fichas médicas. Não foi observada a ocorrência de doenças cardiovasculares, e menos de 5% dos examinados apresentavam níveis de pressão arterial elevados, pouco acima dos valores considerados normais, sem que houvesse aumento com o decorrer da idade, como ocorre em populações não indígenas. Os níveis séricos do colesterol e dos triglicérides eram normais e dentro dos resultados considerados desejáveis. No quadro nosológico havia maior prevalência de doenças infecto parasitárias em relação às doenças não transmissíveis. Era intensa a transmissão de malária, a principal causa de morte em todos os grupos etários a partir dos primeiros anos de vida. Em cerca de um terço da população examinada, o baço era palpável abaixo da cicatriz umbilical em decorrência de frequentes e repetidos ataques da malária. A mortalidade infantil era elevada. Num retrospecto, pode-se afirmar que o Projeto Xingu, ao longo dos anos, contribuiu para a melhoria das condições de saúde dos povos do Parque. A população, que, em 1966, era de 1.135 pessoas, passou para 5.630, em 2009. No atendimento de casos de maior gravidade e mesmo de outras áreas indígenas, tem sido de grande importância o Ambulatório do Índio do Hospital São Paulo da Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). A malária deixou de ser importante causa de morte, presente apenas em raros surtos epidêmicos, em áreas limitadas, e rapidamente debelados com a identificação do plasmódio transmissor e a adoção de pronto tratamento. No que se refere à tuberculose, doença que requer constante controle, houve gradativa redução no número de casos diagnosticados que passou de 7 casos, em 2004, para apenas 1, em 2010. Neste momento o Parque é uma ilha verde cercada por áreas desmatadas para abertura de fazendas, e cidades surgiram em seu entorno, estradas penetram em seu território. A poluição das nascentes dos formadores do Xingu, situadas fora da reserva, tem comprometido a pesca, com prejuízo para a alimentação dos povos xinguanos. A introdução de novos alimentos tem provocado mudanças no padrão alimentar tradicional, com excesso de sal e açúcar e de alimentos ricos em carboidratos como arroz e macarrão. Houve, paralelamente, redução da atividade física pela introdução de novas tecnologias. Em decorrência dessas mudanças, houve a introdução gradativa das chamadas doençasdo Mundo Ocidental ou “doenças do branco”: enfermidades cardiovasculares, hipertensão arterial e obesidade, com especial atenção para o surgimentodos primeiros casos de diabetes, doença que tem sido diagnosticada em número considerável entre os xavante. Há dúvidas sobre eventual maior suscetibilidade do índio ao diabetes, cabendo lembrar que os pima, no Arizona, nos Estados Unidos, há vários anos, foram apontados como portadores da maior prevalência de casos de diabetes em grupos humanos. No decorrer do tempo novos desafios apareceram na área da saúde das diferentes etnias. Esses desafios também estão presentes no Parque Indígena do Xingu, e no que se refere às “doenças do branco”, ao lado do diagnóstico e tratamento precoces, assume maior importância esclarecer a população quanto aos riscos decorrentes de mudanças em seu padrão de vida e quanto às medidas preventivas que podem ser introduzidas no âmbito familiar. Para se obter alguns resultados nesta área é necessário contar com a orientação do pessoal da saúde em campanhas de esclarecimento, com o apoio das lideranças indígenas e plena participação dos agentes indígenas de saúde.
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E.P.A-grupo formado por pré-vestibulandos e alunos do Kolping,seu principal objetivo é ajudar a todos que tenham dúvidas e solucioná-las através dos mesmos para o exito final:aprovação!Neste blog existem,vídeos,matérias e links sobre atualidades que não serão os únicos e nem substituirá,e sim,complementará outras fontes.Além de informar,contribuirá para melhores desempenhos em assuntos que possivelmente serão abordados nos vestibulares.Críticas,Sugestões e Comentários são sempre bem-vindos.
sábado, 21 de abril de 2012
Doenças desconhecidas que a comida dos brancos provocou
domingo, 1 de abril de 2012
Dois em um?
Após usar um medicamento contra diabetes para tratar camundongos com sintomas do mal de Alzheimer, pesquisadores descobrem mecanismos compartilhados pelas duas doenças e abrem portas para novas terapias.
Por: Mariana Rocha
Neurônios de camundongos com sintomas de Alzheimer respondem a tratamento prescrito a diabéticos. Apesar disso, ainda é preciso mais pesquisas para entender sua ação em humanos que sofrem da doença degenerativa. (imagem: Theresa Bomfim)
Aprovado em 2006 no Brasil, a exenatida é um medicamento capaz de controlar os níveis de glicose no sangue. Sua eficácia em pacientes com diabetes tipo 2 é inegável, mas pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostram que o remédio pode ir além. Ao tratar camundongos que exibem sintomas do mal de Alzheimer, os cientistas observaram melhora significativa na formação de memória dos animais.
O trabalho foi publicado no periódico The Journal of Clinical Investigation e se baseia em estudos anteriores que mostram a grande incidência de Alzheimer em pacientes com diabetes e a resistência à insulina em cérebros de quem desenvolve a primeira. Partindo de evidências da ligação entre as duas doenças e esse hormônio, os pesquisadores buscam entender melhor os mecanismos que compartilham.
No recente estudo, trataram camundongos transgênicos com sintomas de Alzheimer com o medicamento de diabetes tipo 2, capaz de provocar uma ação parecida com a da insulina por meio de mecanismos alternativos. Em seguida, submeteram os animais a testes de memória, observando neles uma maior capacidade de aprender e memorizar caminhos em um labirinto em comparação com camundongos não tratados com exenatida.
Os pesquisadores também identificaram melhoras nas vias de sinalização de insulina no cérebro dos animais que receberam o remédio, o que reforça evidências de uma possível relação do hormônio com a perda de memória no Alzheimer. Segundo Theresa Bomfim, aluna de doutorado da UFRJ que participou do estudo, outras pesquisas mostram que, quando um animal é gerado sem a capacidade de ativar as vias da insulina, o aprendizado se torna muito mais difícil.
Ligações perigosas
Já se sabe, há décadas, que o diabetes é causado pela deficiência de insulina, responsável por controlar a entrada de glicose na célula para geração de energia. Mas, somente em 2009, a insulina foi descrita como um elemento importante no aparecimento do mal de Alzheimer, não coincidentemente por Fernanda De Felice, bióloga da UFRJ que coordena o atual estudo.
Segundo a pesquisadora, a atividade desse hormônio é diferente em neurônios de pacientes com a doença. “As proteínas onde a insulina se liga para permitir que a célula faça a captação de açúcar para gerar energia são colocadas dentro do neurônio na doença de Alzheimer, impedindo a ação da insulina.”
A resistência à insulina se dá pela presença de grupos de pequenas proteínas chamados oligômeros. Quando eles se ligam ao neurônio, além de impedir a ação do hormônio, os oligômeros também destroem as sinapses nervosas, impedindo a formação de memória.
Os resultados do estudo abrem portas para um novo tratamento, mas ainda é preciso mais pesquisas para entender sua ação em pacientes com Alzheimer. Apesar de ter sido aprovado para diabéticos, o uso da exenatida deve ser avaliado em pessoas com resistência à insulina apenas no neurônio, evitando efeitos colaterais do excesso de atividade desse hormônio em células como as do músculo ou do fígado.
Desafios à vista
A próxima etapa do estudo requer ensaios clínicos, mas os pesquisadores contam que o Brasil não possui estrutura para esse tipo de experimento. Além disso, a falta de exames precisos para o diagnóstico do mal de Alzheimer complica a execução dos testes.
Ferreira: “Sem o diagnóstico, como saber se estamos tratando uma pessoa com Alzheimer ou apenas com lapsos de memória?”
“A doença só é confirmada após a morte, quando é possível ver no cérebro as lesões causadas por ela”, esclarece o químico da UFRJ Sérgio Ferreira, coautor da pesquisa. “Sem o diagnóstico, como saber se estamos tratando uma pessoa com Alzheimer ou apenas com lapsos de memória?”
Outra dificuldade em adotar a exenatida como tratamento para o Alzheimer é o preço. O medicamento pode custar até R$ 500.
Diante dos empecilhos que ainda precisarão ser superados, De Felice alerta para formas de prevenir a doença. “Em animais, é possível ver que a atividade física ajuda na melhora das funções de aprendizagem e memória, além de prevenir outros efeitos maléficos do diabetes como problemas cardíacos e de visão.”
Mariana Rocha
Mariana Rocha
Ciência Hoje On-line
domingo, 18 de março de 2012
Ficha Limpa - Lei já vale para eleições de 2012
José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no último dia 16 de fevereiro, que a Lei da Ficha Limpa é constitucional e que valerá para as eleições municipais deste ano. O resultado do julgamento pôs fim a quase dois anos de batalhas jurídicas para que a lei pudesse vigorar no país.
Direto ao ponto: Ficha-resumo
A Ficha Limpa tornou mais rigorosos os critérios que impedem políticos condenados pela Justiça de se candidatarem. Por sete votos a quatro, o Supremo aprovou a aplicação integral da nova legislação, que terá, inclusive, alcance para condenações anteriores a 4 de julho de 2010, data em que foi sancionada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Diferente da maioria das leis – que são elaboradas pelos próprios congressistas – a Ficha Limpa surgiu por iniciativa popular. O projeto contou com a assinatura de mais de 1,6 milhão de brasileiros, e foi a pressão do povo que fez com que fosse votado e aprovado na Câmara dos Deputados e noSenado Federal.
Na ocasião, a proposta de mudança na legislação eleitoral foi comemorada como uma vitória da democracia. A Ficha Limpa era vista como um mecanismo de combate à corrupção política no Brasil.
Na prática, porém, nem tudo estava resolvido. Alguns pontos da nova lei se chocavam com a Constituição Federal, como o princípio de anuidade e o princípio da inocência presumida. Em casos assim, cabe ao STF julgar a legitimidade.
Mas enquanto o STF não se pronunciava, permaneciam incertezas. Em 2010 foram eleitos presidente, governadores, deputados e senadores. Ao todo, 149 candidatos foram impedidos de tomar posse devido a condenações judiciais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 23 de março do ano passado, o STF se pronunciou quanto ao princípio da anuidade. De acordo com a Constituição, qualquer mudança na legislação eleitoral só é válida se for promulgada um ano antes das eleições. Como a Ficha Limpa havia sido sancionada naquele mesmo ano, os ministros do Supremo decidiram que a lei só valeria para 2012.
Como resultado, os candidatos barrados tiveram o direito de assumir as vagas. Isso alterou as bancadas no Congresso Nacional e em Assembleias Legislativas dos Estados. No Senado, por exemplo, Jader Barbalho (PMDB-PA), que havia renunciado em 2001 para evitar a cassação, pode tomar posse no lugar de Marinor Brito (Psol-PA).
Faltava ainda a palavra final do Supremo a respeito de recursos que questionavam outros aspectos da constitucionalidade da lei.
Direto ao ponto: Ficha-resumo
A Ficha Limpa tornou mais rigorosos os critérios que impedem políticos condenados pela Justiça de se candidatarem. Por sete votos a quatro, o Supremo aprovou a aplicação integral da nova legislação, que terá, inclusive, alcance para condenações anteriores a 4 de julho de 2010, data em que foi sancionada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Diferente da maioria das leis – que são elaboradas pelos próprios congressistas – a Ficha Limpa surgiu por iniciativa popular. O projeto contou com a assinatura de mais de 1,6 milhão de brasileiros, e foi a pressão do povo que fez com que fosse votado e aprovado na Câmara dos Deputados e noSenado Federal.
Na ocasião, a proposta de mudança na legislação eleitoral foi comemorada como uma vitória da democracia. A Ficha Limpa era vista como um mecanismo de combate à corrupção política no Brasil.
Na prática, porém, nem tudo estava resolvido. Alguns pontos da nova lei se chocavam com a Constituição Federal, como o princípio de anuidade e o princípio da inocência presumida. Em casos assim, cabe ao STF julgar a legitimidade.
Mas enquanto o STF não se pronunciava, permaneciam incertezas. Em 2010 foram eleitos presidente, governadores, deputados e senadores. Ao todo, 149 candidatos foram impedidos de tomar posse devido a condenações judiciais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 23 de março do ano passado, o STF se pronunciou quanto ao princípio da anuidade. De acordo com a Constituição, qualquer mudança na legislação eleitoral só é válida se for promulgada um ano antes das eleições. Como a Ficha Limpa havia sido sancionada naquele mesmo ano, os ministros do Supremo decidiram que a lei só valeria para 2012.
Como resultado, os candidatos barrados tiveram o direito de assumir as vagas. Isso alterou as bancadas no Congresso Nacional e em Assembleias Legislativas dos Estados. No Senado, por exemplo, Jader Barbalho (PMDB-PA), que havia renunciado em 2001 para evitar a cassação, pode tomar posse no lugar de Marinor Brito (Psol-PA).
Faltava ainda a palavra final do Supremo a respeito de recursos que questionavam outros aspectos da constitucionalidade da lei.
Moral
Os ministros do STF primeiro discutiram se a Ficha Limpa não contrariava o princípio da inocência, previsto do artigo 5o da Constituição e aplicado ao direito penal. Este artigo afirma que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Trânsito em julgado é uma expressão judicial que se aplica a uma sentença definitiva, da qual não se pode mais recorrer. Em geral, ocorre quando já se esgotaram todos os recursos de apelação.
Um processo cível ou criminal começa a ser julgado no Fórum da cidade, onde acontece a decisão de primeira instância, que é a sentença proferida por um juiz. Se houver recurso, o pedido é analisado por juízes do Tribunal de Justiça dos Estados. Há ainda a possibilidade de apelar a uma terceira instância, que pode ser tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto, em se tratando de artigos da Constituição, o STF.
Antes de a Ficha Limpa entrar em vigor, de acordo com a Lei Complementar no 64, de 1990, somente quando esgotados todos esses recursos o político que responde a processo poderia ser impedido de se candidatar. A lentidão do andamento de processos, que levam até uma década para serem concluídos, acabava beneficiando políticos corruptos.
Já a Ficha Limpa impede a candidatura por oito anos de políticos condenados por um órgão colegiado (com mais de um juiz, como o Tribunal de Justiça), que tiverem mandato cassado ou que tiverem renunciado para evitar a cassação (como no caso do senador Jader Barbalho). Os ministros do Supremo entenderam que a inocência presumida se restringe ao direito penal, ou seja, ela não se aplica às leis eleitorais.
Em geral, os ministros do STF basearam a decisão no princípio constitucional da moralidade administrativa. Eles consideraram que o histórico ético de um candidato é fundamental para evitar casos de corrupção na política brasileira. O consenso sobre isso é que, independente da lei, a melhor forma de excluir maus políticos, num regime democrático, ainda é a consciência do cidadão.
Trânsito em julgado é uma expressão judicial que se aplica a uma sentença definitiva, da qual não se pode mais recorrer. Em geral, ocorre quando já se esgotaram todos os recursos de apelação.
Um processo cível ou criminal começa a ser julgado no Fórum da cidade, onde acontece a decisão de primeira instância, que é a sentença proferida por um juiz. Se houver recurso, o pedido é analisado por juízes do Tribunal de Justiça dos Estados. Há ainda a possibilidade de apelar a uma terceira instância, que pode ser tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto, em se tratando de artigos da Constituição, o STF.
Antes de a Ficha Limpa entrar em vigor, de acordo com a Lei Complementar no 64, de 1990, somente quando esgotados todos esses recursos o político que responde a processo poderia ser impedido de se candidatar. A lentidão do andamento de processos, que levam até uma década para serem concluídos, acabava beneficiando políticos corruptos.
Já a Ficha Limpa impede a candidatura por oito anos de políticos condenados por um órgão colegiado (com mais de um juiz, como o Tribunal de Justiça), que tiverem mandato cassado ou que tiverem renunciado para evitar a cassação (como no caso do senador Jader Barbalho). Os ministros do Supremo entenderam que a inocência presumida se restringe ao direito penal, ou seja, ela não se aplica às leis eleitorais.
Em geral, os ministros do STF basearam a decisão no princípio constitucional da moralidade administrativa. Eles consideraram que o histórico ético de um candidato é fundamental para evitar casos de corrupção na política brasileira. O consenso sobre isso é que, independente da lei, a melhor forma de excluir maus políticos, num regime democrático, ainda é a consciência do cidadão.
*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.
Câncer - A doença por trás do mito
José Renato Salatiel* Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
No final dos anos 1970, a escritora norte-americana Susan Sontag (1933-2004) escreveu um ensaio, intitulado “A Doença como Metáfora”, no qual analisava mitos e tabus envolvendo o câncer. Na época, a doença era considerada uma sentença de morte e, não raro, associada a uma punição divina para uma vida de pecados – da mesma forma como seria a Aids, na década seguinte – ou resultado de emoções reprimidas pelo doente.
Nas três últimas décadas, avanços na medicina, campanhas governamentais e o acesso a informações mudaram a maneira de as pessoas verem a doença. O câncer deixou de ser um estigma social, cuja mera menção da palavra era evitada entre as famílias e até ocultada do próprio paciente.
O drama dos doentes ganhou rostos conhecidos quando políticos, artistas, atletas e outras figuras públicas revelaram sofrer da enfermidade. Mais recentemente, a imprensa passou a acompanhar os casos de cânceres que afligiram o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o presidente venezuelanoHugo Chávez, o ator Reynaldo Gianecchini e a apresentadora de TV Hebe Camargo.
Lula foi diagnosticado com um tumor na laringe em outubro do ano passado e, desde então, faz tratamento contra a doença. Seu colega venezuelano, Hugo Chávez, também foi tratado de um tumor, localizado na região pélvica, em duas operações realizadas em Cuba. No Brasil, fãs acompanharam o esforço de cura do ator Reynaldo Gianecchini, vítima de um linfoma, e de Hebe Camargo, submetida a cirurgias para retirada de tumores no intestino e na região do aparelho digestivo.
Os tumores não diferenciam homens ou mulheres, jovens ou velhos, negros ou brancos, ricos ou pobres, famosos ou pessoas comuns. Qualquer um pode ser vítima da moléstia. Hoje, apesar de a cura universal ser um desafio para os cientistas, há formas de tratamento que diminuem o sofrimento dos pacientes. Novos remédios, vacinas e o campo de pesquisas aberto pela biologia genética oferecem melhores perspectivas aos doentes.
Nas três últimas décadas, avanços na medicina, campanhas governamentais e o acesso a informações mudaram a maneira de as pessoas verem a doença. O câncer deixou de ser um estigma social, cuja mera menção da palavra era evitada entre as famílias e até ocultada do próprio paciente.
O drama dos doentes ganhou rostos conhecidos quando políticos, artistas, atletas e outras figuras públicas revelaram sofrer da enfermidade. Mais recentemente, a imprensa passou a acompanhar os casos de cânceres que afligiram o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o presidente venezuelanoHugo Chávez, o ator Reynaldo Gianecchini e a apresentadora de TV Hebe Camargo.
Lula foi diagnosticado com um tumor na laringe em outubro do ano passado e, desde então, faz tratamento contra a doença. Seu colega venezuelano, Hugo Chávez, também foi tratado de um tumor, localizado na região pélvica, em duas operações realizadas em Cuba. No Brasil, fãs acompanharam o esforço de cura do ator Reynaldo Gianecchini, vítima de um linfoma, e de Hebe Camargo, submetida a cirurgias para retirada de tumores no intestino e na região do aparelho digestivo.
Os tumores não diferenciam homens ou mulheres, jovens ou velhos, negros ou brancos, ricos ou pobres, famosos ou pessoas comuns. Qualquer um pode ser vítima da moléstia. Hoje, apesar de a cura universal ser um desafio para os cientistas, há formas de tratamento que diminuem o sofrimento dos pacientes. Novos remédios, vacinas e o campo de pesquisas aberto pela biologia genética oferecem melhores perspectivas aos doentes.
Mal da modernidade
O termo câncer, na verdade, se refere a um conjunto de diferentes doenças (mais de 100) caracterizadas pelo crescimento desordenado de células, que pode ocorrer em qualquer parte do corpo. Esse processo forma os tumores malignos, que destroem o tecido afetado e pode se espalhar para outros órgãos – a chamada metástase, que é a principal causa de morte entre pacientes com câncer.
A doença é conhecida desde a Antiguidade, mas os números de casos começaram a aumentar e a chamar a atenção dos governos nos anos 1970. Por volta desse período, a urbanização e industrialização das sociedades, ao mesmo tempo em que elevaram a expectativa de vida da população mundial, causaram uma epidemia de câncer.
O envelhecimento é um dos fatores de desenvolvimento da doença, pois, com a idade avançada, há uma diminuição natural da capacidade do organismo de reparar células defeituosas. Além disso, o morador de cidades fica mais exposto a outros agentes cancerígenos, como poluição, radiação, fumo e má alimentação.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é hoje uma das principais causas de mortes no mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. Em 2008, 7,6 milhões de pessoas morreram de câncer (13% do total de mortes no planeta). Os tipos mais letais são os cânceres de pulmão, fígado, cólon e mama. E o número de casos continuará crescendo, uma vez que a OMS estima 13,1 milhões de óbitos em 2030.
No Brasil, as mortes por cânceres só são superadas por doenças do coração e por causas violentas (acidentes de trânsito e homicídios).
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) apontam que este ano, no Brasil, serão diagnosticados 518 mil novos casos. Os mais comuns são o câncer de pele do tipo não melanoma (considerado mais grave), de próstata, de mama feminina, cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero. Em 2009 ocorreram 164 mil mortes no país, 88 homens e 76 mil mulheres.
A doença é conhecida desde a Antiguidade, mas os números de casos começaram a aumentar e a chamar a atenção dos governos nos anos 1970. Por volta desse período, a urbanização e industrialização das sociedades, ao mesmo tempo em que elevaram a expectativa de vida da população mundial, causaram uma epidemia de câncer.
O envelhecimento é um dos fatores de desenvolvimento da doença, pois, com a idade avançada, há uma diminuição natural da capacidade do organismo de reparar células defeituosas. Além disso, o morador de cidades fica mais exposto a outros agentes cancerígenos, como poluição, radiação, fumo e má alimentação.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é hoje uma das principais causas de mortes no mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. Em 2008, 7,6 milhões de pessoas morreram de câncer (13% do total de mortes no planeta). Os tipos mais letais são os cânceres de pulmão, fígado, cólon e mama. E o número de casos continuará crescendo, uma vez que a OMS estima 13,1 milhões de óbitos em 2030.
No Brasil, as mortes por cânceres só são superadas por doenças do coração e por causas violentas (acidentes de trânsito e homicídios).
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) apontam que este ano, no Brasil, serão diagnosticados 518 mil novos casos. Os mais comuns são o câncer de pele do tipo não melanoma (considerado mais grave), de próstata, de mama feminina, cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero. Em 2009 ocorreram 164 mil mortes no país, 88 homens e 76 mil mulheres.
Fatores de risco
A doença não é contagiosa. Ela pode ter causas genéticas ou adquiridas por agentes físicos, como a radiação; químicos, como os componentes do cigarro; ou biológicos, como infecções causadas por vírus ou bactérias.
De acordo com a OMS, 30% das mortes por câncer poderiam ser evitadas. Elas são provocadas por maus hábitos, como uso de álcool e fumo, e estilo de vida, como o consumo de alimentos prejudiciais à saúde e sedentarismo. Os demais fatores, principalmente os genéticos, são uma “loteria” da natureza.
O fumo é o maior fator de risco, pois os tumores malignos associados a ele – de pulmão, laringe, boca e esôfago, entre outros – causam 22% das mortes de câncer no mundo. O fumo também é responsável por 71% das mortes por câncer nos pulmões.
De modo geral, a mortalidade por câncer pode ser reduzida com a detecção e tratamento nos primeiros estágios da doença. Por isso, o governo brasileiro promove campanhas contra o câncer de mama, por exemplo, que possui uma alta porcentagem de cura quando diagnosticado na fase inicial, por um médico ou por meio do autoexame.
O tratamento, para curar ou prolongar a vida do paciente, inclui a cirurgia para remoção de tumores, radioterapia e quimioterapia. Na radioterapia são usadas radiações para destruir o tumor, impedindo que se espalhe pelo organismo. Na quimioterapia são empregados medicamentos, aplicados, na maioria dos casos, na veia do paciente. Em alguns tipos de cânceres que afetam as células do sangue é feito o transplante de medula óssea.
Os avanços nas pesquisas médicas melhoraram muito os tratamentos, reduzindo os efeitos colaterais e aumentando muito as chances de cura. Surgiram vacinas e testes genéticos para casos específicos, de origem infecciosa e hereditária.
Ainda que não haja como erradicá-la, dadas a diversidade e complexidade do mal, o homem passou a enxergar a doença por trás do mito. Como disse Sontag, citada no começo deste texto, deixou-se de ver o câncer como “uma maldição, um castigo, uma vergonha”, para vê-lo “apenas como uma doença, uma doença muito grave, mas apenas uma doença”.
De acordo com a OMS, 30% das mortes por câncer poderiam ser evitadas. Elas são provocadas por maus hábitos, como uso de álcool e fumo, e estilo de vida, como o consumo de alimentos prejudiciais à saúde e sedentarismo. Os demais fatores, principalmente os genéticos, são uma “loteria” da natureza.
O fumo é o maior fator de risco, pois os tumores malignos associados a ele – de pulmão, laringe, boca e esôfago, entre outros – causam 22% das mortes de câncer no mundo. O fumo também é responsável por 71% das mortes por câncer nos pulmões.
De modo geral, a mortalidade por câncer pode ser reduzida com a detecção e tratamento nos primeiros estágios da doença. Por isso, o governo brasileiro promove campanhas contra o câncer de mama, por exemplo, que possui uma alta porcentagem de cura quando diagnosticado na fase inicial, por um médico ou por meio do autoexame.
O tratamento, para curar ou prolongar a vida do paciente, inclui a cirurgia para remoção de tumores, radioterapia e quimioterapia. Na radioterapia são usadas radiações para destruir o tumor, impedindo que se espalhe pelo organismo. Na quimioterapia são empregados medicamentos, aplicados, na maioria dos casos, na veia do paciente. Em alguns tipos de cânceres que afetam as células do sangue é feito o transplante de medula óssea.
Os avanços nas pesquisas médicas melhoraram muito os tratamentos, reduzindo os efeitos colaterais e aumentando muito as chances de cura. Surgiram vacinas e testes genéticos para casos específicos, de origem infecciosa e hereditária.
Ainda que não haja como erradicá-la, dadas a diversidade e complexidade do mal, o homem passou a enxergar a doença por trás do mito. Como disse Sontag, citada no começo deste texto, deixou-se de ver o câncer como “uma maldição, um castigo, uma vergonha”, para vê-lo “apenas como uma doença, uma doença muito grave, mas apenas uma doença”.
Chamadas - Prosel 2012.1
Convocações em segunda chamada
- Convocações
- Relação de convocados em 2ª chamada
- Escalonamento de matrícula e documentos necessários
- Escalonamento de matrícula da 2ª chamada do ProSel 2012.1
- Relação de documentos para entrega do ProSel 2012.1
Fonte: http://www2.uefs.br:8081/prosel/index.php/prosel121/resultados
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Mundo em 2012: Eleições decidem futuro de Obama, Sarkozy e Putin
José Renato Salatiel*
O mundo não vai acabar em 2012, dizem os cientistas, contrariando interpretações obtusas do Calendário Mesoamericano. Este ano, porém, será decisivo para alguns dos principais líderes mundiais, que devem enfrentar o veredicto das urnas em mudanças que, estas sim, terão impacto sobre o planeta.
Para se ter uma ideia da importância dos pleitos do ano, dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – um dos mais prestigiados e poderosos órgãos internacionais –, apenas o Reino Unido não terá seu governante, o premiê britânico David Cameron, submetido ao teste de fogo do eleitorado. Todos os demais integrantes do conselho, Estados Unidos, França, Rússia e China, realizarão eleições cruciais para o futuro político de presidentes e primeiros-ministros.
Dois presidentes, o americano Barack Obama e o francês Nicolas Sarkozy, devem tentar a reeleição. Mas ambos estão com a popularidade em baixa, por conta da crise financeira nos Estados Unidos e na Zona do Euro.
Na Rússia, os planos de sucessão do premiê Vladimir Putin, há mais de uma década no poder, ficam cada vez mais improváveis diante das manifestações contra a corrupção que agitam Moscou. E na China, o regime comunista prepara uma renovação de 70% da cúpula partidária que governa o país há 62 anos.
Casa Branca
A disputa pela Casa Branca já começou e será acirrada. O processo eleitoral nos Estados Unidos é complexo (começa um ano antes das eleições) e polarizado entre dois partidos, o Democrata e o Republicano.
Neste ano, dois fatores tornam a escolha imprevisível. De um lado, os índices de aprovação de Barack Obama têm oscilado, gerando incertezas quando ao voto de confiança do eleitorado americano para mais um mandato.
Quando foi eleito, há três anos, havia muitas expectativas quanto às mudanças de rumo do país, sobretudo na área econômica, afetada por gastos militares com duas guerras no Iraque e no Afeganistão. A estagnação econômica e a falta de soluções em curto prazo abalaram a reputação do democrata.
Já os republicanos (segundo fator) não possuem, ainda, um nome forte para concorrer à Presidência. Na primeira prévia, realizada no Estado de Iowa em 3 de janeiro, dois pré-candidatos saíram como os mais cotados para concorrer ao cargo: Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e Rick Santorum, ex-senador pelo Estado da Pensilvânia.
Em agosto, o Partido Republicano indicará o candidato de oposição e os democratas devem confirmar a candidatura de Obama. A eleição será em 6 de novembro. Além de presidente, os americanos escolherão senadores e deputados federais (Câmara dos Representantes).
Direita
A política também deve dominar Paris, onde, em meio à crise dos débitos na Europa, os franceses elegerão presidente e representantes da Assembleia Nacional. As eleições presidenciais acontecem em 22 de abril e 6 de maio, e as Legislativas, em 10 e 17 de junho.
Sarkozy foi eleito em 2007 pelo partido União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, após derrotar os socialistas. O cenário político começou a mudar em setembro do ano passado, quando o governo perdeu a maioria no Legislativo. Foi a primeira vez, desde 1958, que a esquerda francesa conseguiu 175 das 348 cadeiras do Senado.
Em outubro, o socialista François Hollande foi escolhido candidato pela oposição, após a candidatura de Dominique Strauss-Kahn ter desmoronado em razão do escândalo sexual envolvendo o ex-diretor do FMI.
Desde então, as pesquisas de opinião têm dado vantagem a Hollande, apesar de a diferença ter diminuído nos últimos meses. O maior inimigo de Sarkozy nas urnas, entretanto, é a crise na Eurozona, que já derrubou nove governantes.
Outro líder que pode estar com os dias contados é Vladimir Putin. Desde dezembro, o Kremlin é alvo de protestos em razão de denúncias de fraudes nas eleições parlamentares. O partido de Putin (Rússia Unida) saiu vitorioso sobre os comunistas, mesmo com o aumento de cadeiras ocupadas pela oposição na Duma (parlamento russo).
Há 12 anos no poder, Putin era o favorito para as eleições presidenciais de 4 de março, quando apenas trocaria de cargo com o presidente Dmitri Medvedev. Protestos contra a corrupção no governo podem agora decretar o fim da hegemonia do Rússia Unida.
China
Nada de votos nem debates públicos. Na China, a alternância de poder será consolidada no 18o Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado entre outubro e novembro próximos.
Nessa ocasião, o presidente Hu Jintao e primeiro-ministro Wen Jiabao serão substituídos no comando do partido por, respectivamente, Xi Jinping e Li Keqiang. E, a partir de maio de 2013, sucedidos também em seus respectivos cargos políticos. Um total de sete dos nove membros do alto escalão devem ser trocados.
A mudança na cúpula partidária na China é esperada com expectativa pelo Ocidente. O PC chinês sobreviveu à derrocada do comunismo no final dos anos 1980, adotando a economia capitalista. Mas, diferente da Rússia, manteve o Estado centralizador, alvo de constantes críticas por parte das nações democráticas.
Direto ao ponto
Dois mil e doze será um ano eleitoral decisivo para a política mundial. Dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, apenas o Reino Unido não terá seu líder, o premiê britânico David Cameron, submetido ao veredicto das urnas. Todos os demais integrantes do conselho, Estados Unidos, França, Rússia e China, passarão por processos eleitorais.
Nos Estados Unidos, a disputa pela Casa Branca será acirrada. A reeleição de Barack Obama é ameaçada pela queda nos índices de popularidade entre os americanos, enquanto os republicanos ainda escolhem o candidato de oposição.
O presidente francês Nicolas Sarkozy encontra dificuldades semelhantes no caminho do segundo mandato. Contra ele concorre o socialista François Hollande, primeiro colocado nas pesquisas de opinião, e o palco conturbado da crise dos débitos na Zona do Euro.
Na Rússia, os planos de sucessão do premiê Vladimir Putin, há mais de uma década no poder, são contrariados por protestos contra a corrupção, que se espalham pelo país desde dezembro. Já na China o 18o Congresso do Partido Comunista substituirá toda a cúpula do poder e preparará a saída do presidente Hu Jintao e do premiê Wen Jiabao, em 2013.
Saiba mais
Virada no jogo: como Obama chegou à Casa Branca (Intrínseca): John Heilemann e Mark Halperin revelam os bastidores da corrida presidencial norte-americana em 2008.
Trabalho Interno (2010): documentário vencedor do Oscar que explica as causas da crise econômica de 2008.
*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.
O mundo não vai acabar em 2012, dizem os cientistas, contrariando interpretações obtusas do Calendário Mesoamericano. Este ano, porém, será decisivo para alguns dos principais líderes mundiais, que devem enfrentar o veredicto das urnas em mudanças que, estas sim, terão impacto sobre o planeta.
Para se ter uma ideia da importância dos pleitos do ano, dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – um dos mais prestigiados e poderosos órgãos internacionais –, apenas o Reino Unido não terá seu governante, o premiê britânico David Cameron, submetido ao teste de fogo do eleitorado. Todos os demais integrantes do conselho, Estados Unidos, França, Rússia e China, realizarão eleições cruciais para o futuro político de presidentes e primeiros-ministros.
Dois presidentes, o americano Barack Obama e o francês Nicolas Sarkozy, devem tentar a reeleição. Mas ambos estão com a popularidade em baixa, por conta da crise financeira nos Estados Unidos e na Zona do Euro.
Na Rússia, os planos de sucessão do premiê Vladimir Putin, há mais de uma década no poder, ficam cada vez mais improváveis diante das manifestações contra a corrupção que agitam Moscou. E na China, o regime comunista prepara uma renovação de 70% da cúpula partidária que governa o país há 62 anos.
Casa Branca
A disputa pela Casa Branca já começou e será acirrada. O processo eleitoral nos Estados Unidos é complexo (começa um ano antes das eleições) e polarizado entre dois partidos, o Democrata e o Republicano.
Neste ano, dois fatores tornam a escolha imprevisível. De um lado, os índices de aprovação de Barack Obama têm oscilado, gerando incertezas quando ao voto de confiança do eleitorado americano para mais um mandato.
Quando foi eleito, há três anos, havia muitas expectativas quanto às mudanças de rumo do país, sobretudo na área econômica, afetada por gastos militares com duas guerras no Iraque e no Afeganistão. A estagnação econômica e a falta de soluções em curto prazo abalaram a reputação do democrata.
Já os republicanos (segundo fator) não possuem, ainda, um nome forte para concorrer à Presidência. Na primeira prévia, realizada no Estado de Iowa em 3 de janeiro, dois pré-candidatos saíram como os mais cotados para concorrer ao cargo: Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e Rick Santorum, ex-senador pelo Estado da Pensilvânia.
Em agosto, o Partido Republicano indicará o candidato de oposição e os democratas devem confirmar a candidatura de Obama. A eleição será em 6 de novembro. Além de presidente, os americanos escolherão senadores e deputados federais (Câmara dos Representantes).
Direita
A política também deve dominar Paris, onde, em meio à crise dos débitos na Europa, os franceses elegerão presidente e representantes da Assembleia Nacional. As eleições presidenciais acontecem em 22 de abril e 6 de maio, e as Legislativas, em 10 e 17 de junho.
Sarkozy foi eleito em 2007 pelo partido União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, após derrotar os socialistas. O cenário político começou a mudar em setembro do ano passado, quando o governo perdeu a maioria no Legislativo. Foi a primeira vez, desde 1958, que a esquerda francesa conseguiu 175 das 348 cadeiras do Senado.
Em outubro, o socialista François Hollande foi escolhido candidato pela oposição, após a candidatura de Dominique Strauss-Kahn ter desmoronado em razão do escândalo sexual envolvendo o ex-diretor do FMI.
Desde então, as pesquisas de opinião têm dado vantagem a Hollande, apesar de a diferença ter diminuído nos últimos meses. O maior inimigo de Sarkozy nas urnas, entretanto, é a crise na Eurozona, que já derrubou nove governantes.
Outro líder que pode estar com os dias contados é Vladimir Putin. Desde dezembro, o Kremlin é alvo de protestos em razão de denúncias de fraudes nas eleições parlamentares. O partido de Putin (Rússia Unida) saiu vitorioso sobre os comunistas, mesmo com o aumento de cadeiras ocupadas pela oposição na Duma (parlamento russo).
Há 12 anos no poder, Putin era o favorito para as eleições presidenciais de 4 de março, quando apenas trocaria de cargo com o presidente Dmitri Medvedev. Protestos contra a corrupção no governo podem agora decretar o fim da hegemonia do Rússia Unida.
China
Nada de votos nem debates públicos. Na China, a alternância de poder será consolidada no 18o Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado entre outubro e novembro próximos.
Nessa ocasião, o presidente Hu Jintao e primeiro-ministro Wen Jiabao serão substituídos no comando do partido por, respectivamente, Xi Jinping e Li Keqiang. E, a partir de maio de 2013, sucedidos também em seus respectivos cargos políticos. Um total de sete dos nove membros do alto escalão devem ser trocados.
A mudança na cúpula partidária na China é esperada com expectativa pelo Ocidente. O PC chinês sobreviveu à derrocada do comunismo no final dos anos 1980, adotando a economia capitalista. Mas, diferente da Rússia, manteve o Estado centralizador, alvo de constantes críticas por parte das nações democráticas.
Direto ao ponto
Dois mil e doze será um ano eleitoral decisivo para a política mundial. Dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, apenas o Reino Unido não terá seu líder, o premiê britânico David Cameron, submetido ao veredicto das urnas. Todos os demais integrantes do conselho, Estados Unidos, França, Rússia e China, passarão por processos eleitorais.
Nos Estados Unidos, a disputa pela Casa Branca será acirrada. A reeleição de Barack Obama é ameaçada pela queda nos índices de popularidade entre os americanos, enquanto os republicanos ainda escolhem o candidato de oposição.
O presidente francês Nicolas Sarkozy encontra dificuldades semelhantes no caminho do segundo mandato. Contra ele concorre o socialista François Hollande, primeiro colocado nas pesquisas de opinião, e o palco conturbado da crise dos débitos na Zona do Euro.
Na Rússia, os planos de sucessão do premiê Vladimir Putin, há mais de uma década no poder, são contrariados por protestos contra a corrupção, que se espalham pelo país desde dezembro. Já na China o 18o Congresso do Partido Comunista substituirá toda a cúpula do poder e preparará a saída do presidente Hu Jintao e do premiê Wen Jiabao, em 2013.
Saiba mais
Virada no jogo: como Obama chegou à Casa Branca (Intrínseca): John Heilemann e Mark Halperin revelam os bastidores da corrida presidencial norte-americana em 2008.
Trabalho Interno (2010): documentário vencedor do Oscar que explica as causas da crise econômica de 2008.
*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.
Operação na cracolândia: As pedras no meio do caminho
José Renato Salatiel*
Desde o dia 3 de janeiro a Polícia Militar realiza uma operação para combater o tráfico de drogas e dispersar viciados da região conhecida como cracolândia, no centro da cidade de São Paulo.
O objetivo do Estado é dificultar o acesso às drogas pelos dependentes, forçando-os a procurar ajuda especializada para deixarem o vício. A estratégia, chamada “dor e sofrimento”, consiste em impedir a venda e o uso de drogas, por meio da ocupação policial, e, com isso, obrigar os usuários a buscarem apoio junto à rede municipal de saúde e assistência social.
A eficácia do cerco, entretanto, vem sendo questionada por especialistas em segurança pública e saúde. Um dos pontos criticados é que a “limpeza” não resolveria o problema. Os frequentadores do local estariam apenas sendo deslocados para outros bairros da região. O Ministério Público também investiga possíveis abusos por parte da PM.
Em dez dias de operação, 69 pessoas foram presas (a maioria, pequenos traficantes), 152 usuários foram encaminhados para unidades de tratamento e 3.607 pessoas revistadas, de acordo com o balanço da PM. A maior apreensão ocorreu no dia 12, quando uma mulher foi detida com 16 mil pedras de crack.
Nesse mesmo período, 50 crianças foram recolhidas das ruas, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social. Elas foram encaminhadas ao serviço de saúde pública, para tratamento, ou a abrigos, conselhos tutelares e suas famílias. A ocupação é por tempo indeterminado.
Euforia
O crack é uma droga de alto poder viciante, composta de pasta de cocaína e bicarbonato de sódio. Vendida em forma de pedra e fumado em cachimbo, a substância produz um efeito de euforia que dura alguns minutos, ao fim dos quais o usuário sofre depressão e é levado a consumir mais.
A droga surgiu nos Estados Unidos nos anos 1980. Em 1990 o prefeito de Washington, Marion Barry, foi preso por uso e porte de crack. Desde então, o país conseguiu reverter os índices de criminalidade associados ao entorpecente, com medidas policiais, de saúde e campanhas educativas.
No Brasil, o crack se popularizou nos anos 1990 (a primeira apreensão ocorreu em 1991). Ele se espalhou rapidamente por ser mais barato que a cocaína, ter uma produção doméstica e por ser consumido mais facilmente, dispensando o uso de seringas. O país tem hoje estimados 1,2 milhão de usuários.
Uma pesquisa recente da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o Governo Federal, apontou a existência de 29 cracolândias em 17 capitais brasileiras, que se movem de acordo com as investidas da polícia e o confronto entre traficantes. Nenhuma delas, contudo, possui as dimensões da existente em São Paulo.
Boca do lixo
A cracolândia existe há 20 anos no bairro da Luz e imediações, no centro da capital. O local é frequentado diariamente por cerca de 400 pessoas, mas a população flutuante chega a mais de 2 mil.
A “boca do lixo” ficou conhecida nos anos 1960 por concentrar produções de cinema brasileiro. Era um lugar de boemia, casas de jogos, prostituição e tráfico, que proliferou com a conivência do Estado.
Nos anos 1990 houve um pico de violência urbana em São Paulo, com chacinas em bairros de periferia. Entre as vítimas dessas matanças estavam os “noias”, como são chamados os viciados em crack. Eles eram mortos por furtarem objetos nas comunidades em que viviam (para sustentar o vício), por delatarem traficantes ou acumularem dívida junto ao tráfico.
Os “noias” então buscaram refúgio no centro, que acabou se tornando um território livre para o consumo e a venda ilegal de drogas. Diferente das periferias, onde a venda de drogas é controlada por facções criminosas, na cracolândia o comércio ocorre de forma indiscriminada. Essa facilidade de acesso, combinada com o uso “liberado” em imóveis abandonados ou nas ruas, fez surgir a cracolândia.
Soluções
Nos últimos anos, houve uma tentativa mais sistemática de resolver o problema. A Prefeitura de São Paulo lançou o programa Nova Luz, para revigorar a região central e atrair investimentos imobiliários. Entre as medidas adotadas estão a isenção de IPTU, para estimular a reforma de fachadas, e a desapropriação de imóveis.
Outras providências do governo incluem o fechamento de bares e hotéis ligados ao tráfico, o encaminhamento de moradores de rua para programas assistenciais e o reforço do policiamento nos bairros.
Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff (PT) lançou um programa “Crack, é possível vencer”, com investimentos de R$ 4 bilhões, aplicados até 2014, em ações de prevenção, tratamento médico e ações de repressão ao tráfico. Estão previstas a ampliação da oferta de tratamento aos usuários e a criação de enfermarias especializadas em hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde), com leitos exclusivos para usuários. Além disso, serão oferecidos cursos de qualificação profissional e feitas campanhas preventivas nas escolas.
Direto ao ponto
A Polícia Militar realiza desde 3 de janeiro uma operação para combater o tráfico de drogas e dispersar viciados da região conhecida como cracolândia, no centro da cidade de São Paulo.
A estratégia consiste em dificultar o acesso às drogas pelos dependentes, forçando-os a procurar ajuda especializada para deixarem o vício. A eficácia do cerco, entretanto, vem sendo questionada por especialistas. Eles criticam a suposta violência policial e a expulsão dos dependentes sem que o problema seja, de fato, resolvido.
O crack é uma droga de alto poder viciante, composta de pasta de cocaína e bicarbonato de sódio. A droga surgiu nos Estados Unidos nos anos 1980. Em 1990, a substância se popularizou no Brasil, por ser mais barata que a cocaína e consumida mais facilmente.
A cracolândia existe há 20 anos no bairro da Luz, no centro da capital. O local é frequentado diariamente por cerca de 400 pessoas, mas a população flutuante chega a 2 mil.
Em dezembro, o Governo Federal lançou um programa de combate à dependência do crack. Estão previstos investimento de R$ 4 bilhões até 2014, em ações de prevenção, tratamento médico e repressão ao tráfico.
Saiba mais
Retrato de um Viciado Quando Jovem (Companhia das Letras): relato do americano Bill Clegg, um ex-viciado em crack, a respeito de sua experiência com o uso da droga.
Kids (1995): filme sobre grupo de adolescentes americanos que consome drogas e pratica sexo sem segurança.
Crack, é possível vencer: site da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas com informações sobre o crack e formas de tratamento:
Fonte: http://educacao.uol.com.br/atualidades/operacao-na-cracolandia-as-pedras-no-meio-do-caminho.jhtm
Desde o dia 3 de janeiro a Polícia Militar realiza uma operação para combater o tráfico de drogas e dispersar viciados da região conhecida como cracolândia, no centro da cidade de São Paulo.
O objetivo do Estado é dificultar o acesso às drogas pelos dependentes, forçando-os a procurar ajuda especializada para deixarem o vício. A estratégia, chamada “dor e sofrimento”, consiste em impedir a venda e o uso de drogas, por meio da ocupação policial, e, com isso, obrigar os usuários a buscarem apoio junto à rede municipal de saúde e assistência social.
A eficácia do cerco, entretanto, vem sendo questionada por especialistas em segurança pública e saúde. Um dos pontos criticados é que a “limpeza” não resolveria o problema. Os frequentadores do local estariam apenas sendo deslocados para outros bairros da região. O Ministério Público também investiga possíveis abusos por parte da PM.
Em dez dias de operação, 69 pessoas foram presas (a maioria, pequenos traficantes), 152 usuários foram encaminhados para unidades de tratamento e 3.607 pessoas revistadas, de acordo com o balanço da PM. A maior apreensão ocorreu no dia 12, quando uma mulher foi detida com 16 mil pedras de crack.
Nesse mesmo período, 50 crianças foram recolhidas das ruas, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social. Elas foram encaminhadas ao serviço de saúde pública, para tratamento, ou a abrigos, conselhos tutelares e suas famílias. A ocupação é por tempo indeterminado.
Euforia
O crack é uma droga de alto poder viciante, composta de pasta de cocaína e bicarbonato de sódio. Vendida em forma de pedra e fumado em cachimbo, a substância produz um efeito de euforia que dura alguns minutos, ao fim dos quais o usuário sofre depressão e é levado a consumir mais.
A droga surgiu nos Estados Unidos nos anos 1980. Em 1990 o prefeito de Washington, Marion Barry, foi preso por uso e porte de crack. Desde então, o país conseguiu reverter os índices de criminalidade associados ao entorpecente, com medidas policiais, de saúde e campanhas educativas.
No Brasil, o crack se popularizou nos anos 1990 (a primeira apreensão ocorreu em 1991). Ele se espalhou rapidamente por ser mais barato que a cocaína, ter uma produção doméstica e por ser consumido mais facilmente, dispensando o uso de seringas. O país tem hoje estimados 1,2 milhão de usuários.
Uma pesquisa recente da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o Governo Federal, apontou a existência de 29 cracolândias em 17 capitais brasileiras, que se movem de acordo com as investidas da polícia e o confronto entre traficantes. Nenhuma delas, contudo, possui as dimensões da existente em São Paulo.
Boca do lixo
A cracolândia existe há 20 anos no bairro da Luz e imediações, no centro da capital. O local é frequentado diariamente por cerca de 400 pessoas, mas a população flutuante chega a mais de 2 mil.
A “boca do lixo” ficou conhecida nos anos 1960 por concentrar produções de cinema brasileiro. Era um lugar de boemia, casas de jogos, prostituição e tráfico, que proliferou com a conivência do Estado.
Nos anos 1990 houve um pico de violência urbana em São Paulo, com chacinas em bairros de periferia. Entre as vítimas dessas matanças estavam os “noias”, como são chamados os viciados em crack. Eles eram mortos por furtarem objetos nas comunidades em que viviam (para sustentar o vício), por delatarem traficantes ou acumularem dívida junto ao tráfico.
Os “noias” então buscaram refúgio no centro, que acabou se tornando um território livre para o consumo e a venda ilegal de drogas. Diferente das periferias, onde a venda de drogas é controlada por facções criminosas, na cracolândia o comércio ocorre de forma indiscriminada. Essa facilidade de acesso, combinada com o uso “liberado” em imóveis abandonados ou nas ruas, fez surgir a cracolândia.
Soluções
Nos últimos anos, houve uma tentativa mais sistemática de resolver o problema. A Prefeitura de São Paulo lançou o programa Nova Luz, para revigorar a região central e atrair investimentos imobiliários. Entre as medidas adotadas estão a isenção de IPTU, para estimular a reforma de fachadas, e a desapropriação de imóveis.
Outras providências do governo incluem o fechamento de bares e hotéis ligados ao tráfico, o encaminhamento de moradores de rua para programas assistenciais e o reforço do policiamento nos bairros.
Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff (PT) lançou um programa “Crack, é possível vencer”, com investimentos de R$ 4 bilhões, aplicados até 2014, em ações de prevenção, tratamento médico e ações de repressão ao tráfico. Estão previstas a ampliação da oferta de tratamento aos usuários e a criação de enfermarias especializadas em hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde), com leitos exclusivos para usuários. Além disso, serão oferecidos cursos de qualificação profissional e feitas campanhas preventivas nas escolas.
Direto ao ponto
A Polícia Militar realiza desde 3 de janeiro uma operação para combater o tráfico de drogas e dispersar viciados da região conhecida como cracolândia, no centro da cidade de São Paulo.
A estratégia consiste em dificultar o acesso às drogas pelos dependentes, forçando-os a procurar ajuda especializada para deixarem o vício. A eficácia do cerco, entretanto, vem sendo questionada por especialistas. Eles criticam a suposta violência policial e a expulsão dos dependentes sem que o problema seja, de fato, resolvido.
O crack é uma droga de alto poder viciante, composta de pasta de cocaína e bicarbonato de sódio. A droga surgiu nos Estados Unidos nos anos 1980. Em 1990, a substância se popularizou no Brasil, por ser mais barata que a cocaína e consumida mais facilmente.
A cracolândia existe há 20 anos no bairro da Luz, no centro da capital. O local é frequentado diariamente por cerca de 400 pessoas, mas a população flutuante chega a 2 mil.
Em dezembro, o Governo Federal lançou um programa de combate à dependência do crack. Estão previstos investimento de R$ 4 bilhões até 2014, em ações de prevenção, tratamento médico e repressão ao tráfico.
Saiba mais
Retrato de um Viciado Quando Jovem (Companhia das Letras): relato do americano Bill Clegg, um ex-viciado em crack, a respeito de sua experiência com o uso da droga.
Kids (1995): filme sobre grupo de adolescentes americanos que consome drogas e pratica sexo sem segurança.
Crack, é possível vencer: site da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas com informações sobre o crack e formas de tratamento:
Fonte: http://educacao.uol.com.br/atualidades/operacao-na-cracolandia-as-pedras-no-meio-do-caminho.jhtm
Crise do Euro - União monetária faz dez anos na Europa
José Renato Salatiel*
Há dez anos, em 1o de janeiro de 2002, entrou oficialmente em circulação o euro, a moeda única corrente em países que compõem a União Europeia (UE). Na época, o lastro monetário simbolizava a integração do continente que, no século 20, enfrentou duas guerras mundiais e uma divisão ideológica que quase provocou uma terceira. Hoje, porém, o euro é sinônimo de incertezas, numa crise que ameaça a futuro da segunda maior economia do planeta.
A Eurozona é composta por 17 dos 27 Estados-membros da União Europeia: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal. Na ocasião em que o euro foi instituído, Dinamarca, Suécia e Reino Unido optaram por não aderir ao projeto e mantiveram suas moedas locais.
O euro é usado diariamente por 332 milhões de europeus. A moeda também é a segunda maior reserva monetária internacional e a segunda maior comercial, atrás somente do dólar americano.
Apesar disso, a Europa enfrenta desde 2009 uma crise de débitos que ameaça a estabilidade do bloco, obrigando os governos a fazer reformas impopulares. Em 2012, o desafio dos líderes europeus será manter todos os países integrantes da Zona do Euro, de modo a impedir o enfraquecimento da aliança.
Desde 1999, a moeda que passou a ser usada pelos europeus há uma década já era corrente entre os mercados financeiros. Nesse ano, os governos aboliram moedas locais como o marco alemão, a lira italiana, a peseta espanhola e o franco (belga e francês) nas transações comerciais entre países. O objetivo era unir mais as nações, em um bloco com maior representação política, e gerar mais desenvolvimento econômico, pois o sistema monetário integrado facilitaria o comércio e os negócios entre os países.
Nos primeiros anos, tudo caminhava bem e os europeus estavam entusiasmados com a novidade. E, mesmo não correspondendo às projeções mais otimistas, houve crescimento de até 15% na economia da UE. Outro benefício da adoção da moeda única foi o controle da inflação, que em média não ultrapassa os 2%. Empresas também pouparam dinheiro com os custos de transações cambiais – somente na indústria automobilística, a economia chegaria a 500 milhões de euros por ano.
Grécia
Os problemas começaram com a crise econômica de 2008, que atingiu o “calcanhar de Aquiles” da Zona do Euro. Em uma década de moeda única, não houve uma política fiscal comum que regulasse o mercado, deixando o sistema exposto a especulações de alto risco e endividamento desmedido dos Estados.
O colapso iniciou-se na Grécia, berço da democracia ocidental. O país gastou muito além do que seu orçamento permitia em programas sociais, na folha de pagamento dos servidores públicos, em pensões e outros benefícios. Para pagar as contas, o Estado adquiriu empréstimos junto a instituições bancárias.
A dívida pública grega atingiu 124,9% do PIB (Produto Interno Bruto), mais do que o dobro permitido na Eurozona (60%). O déficit no orçamento, isto é, a diferença de quanto o país gasta e quanto arrecada, correspondia a 13,6% do PIB grego em 2009, índice mais de quatro vezes a porcentagem tolerada de 3%.
A crise atingiu outros países da Zona do Euro, que também estão em condições fiscais debilitadas, como Irlanda (déficit de 14,3% do PIB), Espanha (11,2%) e Portugal (9,4%). Os déficits orçamentários desses governos, que tiveram de socorrer a economia injetando recursos públicos durante a crise e sofreram queda de receitas, são os piores desde o período da Segunda Guerra Mundial.
Além disso, a ameaça de anunciarem “calotes” em suas dívidas causou desconfiança nos mercados. Como consequência, tornou-se mais difícil para empresas e governos refinanciarem suas dívidas, aprofundando a recessão no bloco. Em 2010, no auge da crise, o euro acumulou perdas de 14% perante o dólar.
Os Estados enfrentaram a situação com programas e pacotes de estímulo ao mercado. Entre as medidas, algumas impopulares, como aumento dos impostos e corte em programas sociais, que afetaram o modelo de justiça social do capitalismo europeu.
Política
Atingida no bolso, a população reagiu com protestos em toda a Europa, alguns mais organizados, como o movimento dos “Indignados” na Espanha. Na esteira da crise, nove presidentes e primeiros-ministros foram destituídos do cargo, entre eles o premiê grego George Papandreou e o italiano Silvio Berlusconi.
No plano político, a Europa parece também ter regredido. A insatisfação com a economia fez também ressurgir partidos de direita e grupos de extrema direita, aprofundando divisões ideológicas. Ainda que compartilhem moeda, bandeira e instituições em comum, cisões entre governos mostram que falta unidade política aos europeus, pondo em risco o plano de integração.
A despeito de todos os problemas, o risco do fim do euro é mínimo, pois os prejuízos seriam compartilhados por todos. Se a moeda fosse abolida, poderia haver uma valorização muito grande de moedas nacionais fortes como o marco alemão. Isso prejudicaria as exportações da Alemanha, gerando desemprego em massa no país. Mesmo a saída de algum membro, como a Grécia, é algo que se tenta evitar a todo o custo, pois afetaria a estabilidade do bloco.
Direto ao ponto
Há dez anos, em 1o de janeiro de 2002, entrou oficialmente em circulação o euro, a moeda única corrente em países que compõem a União Europeia (UE). O lastro monetário simbolizava a integração do continente que, no século 20, enfrentou duas guerras mundiais e uma divisão ideológica que quase provocou uma terceira.
A Eurozona é composta por 17 dos 27 Estados-membros da UE: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal. A moeda é usada diariamente por 332 milhões de europeus. O euro também é a segunda maior reserva monetária internacional e a segunda maior comercial, atrás somente do dólar americano.
A moeda que passou a ser usada pelos europeus, há uma década já era corrente entre os mercados financeiros desde 1999. Nesse ano, os governos aboliram moedas locais nas transações comerciais entre países. O objetivo era unir mais as nações e gerar mais desenvolvimento econômico.
Apesar disso, a Europa enfrenta desde 2009 uma crise de débito que ameaça a estabilidade do bloco, obrigando os governos a fazerem reformas impopulares que já derrubaram nove líderes político nos últimos três anos. Em países como Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, a dívida pública e o déficit no orçamento ultrapassam em muito os limites estabelecidos para a Eurozona.
Saiba mais
O Euro (Publifolha): livro de Silvia Bittencourt que explica o processo de implantação do euro e suas consequências para a União Europeia.
O Dia Antes do Fim (2011): filme que conta a história de funcionários de uma empresa de investimentos que descobrem a crise econômica, um dia antes de ela começar nos Estados Unidos.
*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.
Fonte: http://educacao.uol.com.br/atualidades/crise-do-euro--uniao-monetaria-faz-dez-anos-na-europa.jhtm
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Decodificar para combater
Grupo internacional decifra genoma do ‘Schistossoma haematobium’, um dos três maiores causadores da esquistossomose. O objetivo agora é a criação de medicamentos capazes de combater todos os parasitas da doença ao mesmo tempo.
Por: Ana Carolina Correia
Consórcio internacional sequencia genoma do parasita ‘S. haematobium’ e abre espaço para novos trabalhos e medicamentos mais eficazes contra a esquistossomose. (foto: Wikimedia Commons)
A esquistossomose do aparelho urinário, causada pelo Schistossoma haematobium, é uma das mais perigosas formas da doença, podendo evoluir para o câncer de bexiga e até mesmo facilitar a contaminação pelo vírus HIV. A boa notícia é que o genoma do parasita acaba de ser sequenciado, abrindo caminho para novas pesquisas e medicamentos mais eficazes.
Pesquisadores de consórcio internacional que inclui cientistas australianos, chineses e brasileiros utilizaram um par de vermes femininos do S. haematobium e tecnologia de última geração para realizar o sequenciamento.
“Embora digamos que todo o genoma foi identificado, ele ainda contém gapsou falhas”
A partir das sequências geradas, produziram o genoma do parasita em duas etapas. Na primeira, fizeram uma montagem incluindo todas as sequências. Em seguida, realizaram montagens locais para ligar os fragmentos gerados na primeira rodada. Depois, compararam o material com os genomas já disponíveis do S. mansoni e do S. japonicum, outros dois parasitas causadores da esquistossomose e similares ao S. haematobium.
“Embora digamos que todo o genoma foi identificado, ele ainda contém gaps ou falhas”, explica Guilherme Oliveira, biologista molecular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Belo Horizonte e coautor do estudo, publicado na edição atual da revista Nature Genetics.
Tão importante quanto decifrar o genoma da espécie, é levar em conta a expressão dos genes em todas as suas fases de vida – a larval, de verme adulto e de ovo. A equipe analisou os diversos genes expressos em cada um desses estágios. “Não adianta termos um alvo para novas drogas se o gene não é expresso e a proteína produzida na fase de vida de interesse”, ressalta Oliveira, lembrando que os estágios em que a espécie deve ser atacada são o larval e o de verme adulto.
- Formas adultas do 'Schistosoma mansoni', parasita causador da esquistossomose, presente na América do Sul, inclusive no Brasil, e na África. Par de macho e fêmea na esquerda, fêmea ao centro e macho à direita. (foto: Wikimedia Commons)
Remédio único
“O sequenciamento do genoma é a apenas o começo”, garante o biologista molecular. Atualmente, o único tratamento conhecido contra a esquistossomose é o comprimido praziquantel. “Com essa pesquisa procuramos encontrar novos medicamentos, já que se a população adquirir resistência a essa droga, estaremos sem nada.”
Procuramos encontrar novos medicamentos, já que se a população adquirir resistência ao praziquantel, estaremos sem nada
Além disso, com os genomas dos maiores causadores da esquistossomose – o S. mansoni, o S. japonicum e S. haematobium – decifrados, pretende-se agora gerar um amplo material para a produção de medicamentos eficientes contra as três espécies de importância médica.
O genoma dos três parasitas responsáveis pela disseminação da doença pode ser acessado no banco de dados disponibilizado pelo grupo de pesquisadores por meio do sitedo Centro de Excelência em Bioinformática da Fiocruz.
Ana Carolina CorreiaCiência Hoje On-line
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
UFBA decide adotar Enem como 1ª fase do vestibular em 2013
O Conselho Acadêmico de Ensino da Universidade Federal da Bahia (UFBA) decidiu que a partir do vestibular para ingresso dos alunos em 2013 vai adotar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como primeira fase da seleção. As provas da segunda fase continuarão a ser realizadas pela UFBA.
As discussões sobre a adoção do exame nacional tiveram início no primeiro semestre deste ano. Em julho, foi realizado um seminário sobre o tema com a presença de representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) e dos pró-reitores de graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que já adotam o Enem.
A seleção para o ingresso em 2013 vai contecer no segundo semestre do ano que vem e terá validade para os cursos de progressão linear. A UFBA já adotava o Enem para a seleção dos candidatos às duas novas modalidades de curso da instituição, os bacharelados interdisciplinares e os cursos superiores de tecnologia.
A decisão de adotar o Enem foi tomada em reunião do Conselho Acadêmico no final da tarde de quarta-feira.
Fim dos vestibulares
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou em diversas oportunidades que "ainda nesta década" o Enem vai acabar com os vestibulares. Desde 2009, a prova passou a ser usada como critério de seleção por parte das universidades públicas, o que fez crescer o número de inscritos no exame.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou em diversas oportunidades que "ainda nesta década" o Enem vai acabar com os vestibulares. Desde 2009, a prova passou a ser usada como critério de seleção por parte das universidades públicas, o que fez crescer o número de inscritos no exame.
A partir do resultado da prova do Enem, os alunos podem se inscrevem no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e podem pleitear vagas em instituições públicas de todo o País. A participação no Enem também é pré-requisito para os estudantes interessados em uma bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni). Os benefícios são distribuídos a partir do desempenho do candidato no exame e podem ser integrais ou parciais, dependendo da renda da família. Para participar do programa é preciso ter cursado todo o ensino médio na rede pública.
A partir de 2012 a prova terá duas edições ao ano, uma no primeiro semestre e outra no segundo. A primeira edição do ano que vem já está confirmada para os dias 28 e 29 de abril. A data da segunda edição ainda não foi definida em função das eleições municipais, que ocorrerão em outubro, mês de aplicação do Enem.
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