Rádio Extraclassse Kolping

domingo, 13 de maio de 2012

Como o novo Código Florestal pode cair no vestibular (ele provavelmente será cobrado!)


O novo Código Florestal é um assunto com enormes chances de cair no vestibular. Não precisa nem ser um grande seguidor do noticiário (mas a gente espera que você acompanhe, se vai prestar vestibular) para ter ouvido falar nele – o tema ganhou também as redes sociais com a campanha “Veta, Dilma”. “Esse é um tema que, de forma ou de outra, vai cair no vestibular”, acredita Samuel Robes Loureiro, professor de Atualidades do Cursinho do XI. Se você ainda não entendeu exatamente o que está acontecendo, esta é a sua chance.
Então, é o seguinte. O Código Florestal foi criado em 1965 (durante a ditadura militar) para regulamentar a exploração da terra no Brasil por meio de leis que estabelecem limites para preservar a vegetação nativa.
Ao longo de todos esses anos, porém, ele sofreu várias modificações e remendos para atender a novas exigências e interesses que apareciam. Agora, ambientalistas, ruralistas e cientistas concordam que o Código precisa ser refeito para ter uma unidade e se adaptar à NOVA realidade brasileira e mundial.
Então, o então deputado e hoje ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), fez uma proposta para um novo código. Ela foi aprovada na Câmara dos Deputados no começo de 2011, mas sofreu tantas modificações até ser votada no Senado que precisou voltar para a avaliação dos deputados para, só então, passar pela aprovação presidencial.
O novo texto foi apresentado pelo senador Jorge Viana (PT-AC) e trouxe novas polêmicas. Mesmo assim, ele foi aprovado no dia 25 de abril pela Câmara. A presidente Dilma Rousseff tem até o dia 25 de maio para vetar (total ou parcialmente) ou aprovar as alterações no novo Código. E é por isso que está rolando essa campanha toda nas redes sociais.
O porquê da polêmica
As principais diferenças entre o antigo e o novo códigos estão relacionadas à área de terra em que será permitido o desmate, ao tipo de produtor que poderá fazer isso, ao reflorestamento dessa área e à punição para quem já desmatou.
Para os ambientalistas e especialistas em meio ambiente, as mudanças no Código abrem brechas para aumentar o desmatamento e, com isso, podem ameaçar o ciclo das chuvas, a proteção do solo e a biodiversidade. Também causam polêmica os pontos que dizem respeito ao possível perdão a quem praticou o desmatamento no passado.
Um dos pontos mais polêmicos é o fato de o novo texto facilitar a ocupação ou regularização de propriedades que mantêm plantações e pastos nas chamadas Áreas de Preservação Permamente (APPs), como o topo de morros, encostas em declive e margens de rios e nascentes. Essas áreas são as mais vulneráveis por terem maior probabilidade de serem palco de deslizamento, erosão ou enchente e, portanto, precisam ser protegidas. A definição das APPs ficaria a cargo de órgãos locais, o que poderia causar a descentralização do Código e provocar diferenças enormes entre os Estados.
Como pode ser cobrado
O professor Samuel acredita haver uma boa possiblidade de o vestibular abordar o tema a partir da questão climática e de desastres ambientais. “Há uma demanda do governo para proteger o ambiente, até mesmo para evitar catástrofes como as que aconteceram na região sul ou na região serrana do Rio de Janeiro”, explica. “O código antigo proíbe ocupar encostas, mas o novo permite se for por uma pequena propriedade. Uma mansão em serras e encostas, por exemplo, é considerada uma grande propriedade em padrões urbanos, mas uma pequena propriedade em padrões rurais. Assim, eles ganham a legalidade de ocupar o espaço em que estão e isso pode provocar deslizamentos no período de chuvas”, completa.
O professor acredita que a questão poderá vir associada a um conceito climático: a chamada zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), uma zona de baixa pressão de orientação Noroeste/Sudeste que se estende desde o sul da região amazônica até a região central do Atlântico Sul. Ela se caracteriza pelas altas temperaturas no verão, maior evaporação e, consequentemente, muita chuva. Esse excesso de chuvas atinge as regiões serranas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e provoca alagamentos e, nas encostas indevidamente ocupadas, deslizamentos.
Este é um assunto sobre o qual vale refletir, porque pode, inclusive, ser tema de redação. Nesse caso, também é possível explorar outras questões. “Dá para refletir sobre o paradoxo de se transferir a responsabilidade da proteção ao meio ambiente para a população, com a proibição das sacolas de plástico, ao mesmo tempo em que se libera a ocupação do solo”, reflete o professor. Mas uma dica: para manter um debate mais rico, procure ler artigos escritos a partir de perspectivas diferentes – tanto dos oponentes quanto dos defensores do novo Código. Veja o que dizem tanto ambientalistas quando os ruralistas.
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Correções das redações do Enem 2012 devem seguir critérios mais objetivos


07/05/2012 16h59 - Atualizado em 07/05/2012 17h01



Após o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) anunciar em fevereiro que estuda alterar o processo de correção das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), agora foi a vez do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmar que os critérios das correções das redações devem mudar. 
De acordo com o ministro, as correções precisam ser mais rigorosas e objetivas. “Nós estamos trabalhando fortemente para ter uma matriz de correção que dê bastante segurança em relação à objetividade, porque texto sempre tem alguma subjetividade. Vamos aumentar o rigor da correção para dar objetividade, critérios bem definidos e bastante segurança ao aluno”, disse Aloizio Mercadante em evento no Rio de Janeiro.
A intenção do Ministério da Educação (MEC) é adotar os novos critérios a partir do Enem 2012, que será realizado nos dias 03 e 04 de novembro. "Estamos discutindo todas as alternativas, partindo das experiências internacionais para criar uma metodologia que seja bastante objetiva em relação aos critérios, isto é, que os alunos saibam quais são os critérios de correção da prova para ele poder ter segurança na redação que ele vai fazer. E que, quando houver divergência entre os avaliadores, a arbitragem seja muito eficiente", comentou o ministro Aloizio Mercadante.
Atualmente, a redação do Enem é corrigida por dois corretores que dão notas de 0 a 1.000. Caso a diferença entre as notas seja maior que 300 pontos, um corretor com mais experiência avalia o texto e dá a nota. O Inep estuda diminuir essa diferença de pontos para acionar um terceiro corretor e até implantar uma banca formada por três corretores para avaliar essas correções com notas bem diferentes.
Inscrições
Na semana passada, o Vestibular Brasil Escola entrou em contato com o Inep para saber quando serão abertas as inscrições para o Enem 2012, mas a Assessoria de Imprensa do órgão disse que ainda não há previsão. No ano passado, as inscrições para o Enem 2011 abriram em 23 de maio.
Por Adriano Lesme
*com informações da Agência Brasil

sábado, 21 de abril de 2012

Como estudar: ensine seu cérebro a se concentrar

Por Mundo Vestibular
Deixar o celular longe, reunir o material de estudo de forma organizada, desligar a TV, sair da Internet, deixar água e algum lanche por perto, ficar sozinho e seguir um bom planejamento ajudam a melhorar o rendimento quando você precisa estudar, mas... cadê a concentração?

Se mesmo com toda a preparação do mundo seus pensamentos continuam bem longe da matéria que você precisa estudar e está difícil focar no mesmo texto ou exercício, dê uma olhada nestas três técnicas. Você pode usá-las separadamente, ou fazer um combinado para ajudar seu cérebro a se concentrar. Sim, é possível treinar o cérebro para focar numa única tarefa por mais tempo, do mesmo jeito que se pode treinar o corpo para fazer musculação, aprender capoeira, dançar ou correr uma maratona. 

Técnica do Intervalo

Se está difícil de se concentrar, forçar a barra para passar horas e horas diante dos livros não ajuda em nada. Se a ideia é começar a treinar seu cérebro para tirar o melhor proveito das suas horas de estudo, vale começar aos poucos.
A Técnica Pomodoro, inventada em 1980 por Francesco Cirillo, é um método de gerenciamento do tempo. A ideia é simples: usar um timer para marcar pequenos períodos de produtividade. Você pode usar um daqueles timers de cozinha, qualquer relógio ou mesmo o seu celular. O método recomenda 25 minutos de concentração, mas você pode chegar lá aos poucos.
Antes de iniciar sua tarefa, lista de exercícios ou leitura, programe o alarme para um tempo curto, digamos, 10 minutos. Ao fim desse intervalo, faça uma pausa de dois minutos. Repita até completar quatro ciclos e faça uma pausa maior. Vá aumentando o tempo de concentração aos poucos, de cinco em cinco minutos, até alcançar o período ideal para você.
Veja mais sobre a Técnica Pomodoro aqui.

Só mais cinco…

Não, não são aqueles “só mais cinco minutinhos” quando o despertador toca de manhã cedo. É uma técnica para resistir à vontade de largar tudo que bate diante de uma tarefa extensa ou aborrecida demais. É uma boa maneira de lidar com o desânimo que dá, por exemplo, quando aqueles 20 exercícios de Química parecem uma barreira intransponível, ou quando o livro não está nem na metade e você já pensa em desistir.
O objetivo aqui, em vez de largar tudo e sair correndo, é dizer a si mesmo que você vai fazer só mais cinco coisas antes de desistir. Podem ser mais cinco exercícios, cinco questões daquela prova do vestibular anterior, cinco páginas do texto, cinco parágrafos do livro obrigatório, ou mesmo cinco linhas! Quando acabar, do mesmo jeito que você aperta o botão do despertador pra dormir mais cinco minutinhos, fale pra si mesmo: “só mais cinco”. 
Ao quebrar a tarefa “de cinco em cinco”, você vai aguentá-la por mais tempo e, quem sabe, até cumprir o objetivo sem muito sofrimento. 

Meditação Instantânea

Às vezes, o que atrapalha é a ansiedade ("Tem muita matéria pra estudar, não vou dar conta!"), ou um problema qualquer que não tem nada a ver com o estudo. Nesses momentos, é importante deixar a mente livre de preocupações para que o tempo de estudo que você separou seja o mais produtivo possível.
Esta técnica de meditação pode ser aplicada em qualquer hora, em qualquer lugar. Vale para quando você precisa se concentrar nos estudos, mas também ajuda a baixar a ansiedade hora da prova.
O passo-a-passo é muito simples, está explicado num vídeo de mais ou menos cinco minutos e está em inglês, mas tem legendas em português. Clique aqui para ver o vídeo. 
Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/14759/1/Como-estudar-ensine-seu-cerebro-a-se-concentrar/Paacutegina1.html

Viciados em consumir


Capaz de gerar problemas financeiros e familiares, a compra compulsiva é um transtorno de difícil diagnóstico e requer a busca por tratamentos específicos. Pesquisa recente traz novos elementos na tentativa de contornar as dificuldades.
Por: Mariana Rocha

Viciados em consumir
Segundo pesquisadora, o comprador compulsivo pode ser caracterizado pela impulsividade e dificuldade de planejamento. (imagem: Colectivo Desazkundea/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)
A compra compulsiva, também chamadaoniomania, é um distúrbio caracterizado pela aquisição exagerada – e desnecessária – de objetos, além da incapacidade de controlar os gastos. Apesar de ter sintomas característicos, a presença de sinais de depressão e ansiedade tende a dificultar o diagnóstico da doença, confundida frequentemente com o transtorno obsessivo compulsivo ou com o transtorno bipolar.
A presença de sinais de depressão e ansiedade tende a dificultar o diagnóstico da doença
Diante da dificuldade e da confusão frequente, a psicóloga Tatiana Filomensky decidiu, em sua pesquisa de mestrado, buscar aspectos específicos que ajudem a detectar o problema. Filomensky aplicou questionários de autopreenchimento a 80 pacientes do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde desenvolveu sua tese.
Todos os pacientes envolvidos na pesquisa já haviam sido diagnosticados com oniomania, transtorno obsessivo compulsivo ou transtorno afetivo bipolar. As perguntas dos questionários tentavam evidenciar quais eram os sinais específicos de cada distúrbio.
Com os dados coletados, a psicóloga conseguiu identificar algumas diferenças importantes entre as doenças. “Diferente do comprador compulsivo, o paciente com transtorno obsessivo compulsivo mostrou intensa preocupação com limpeza e possibilidade de contaminação, enquanto o paciente bipolar foi caracterizado pela variação de humor entre os estados eufórico e deprimido”, explica.
Filomensky explica que o comprador compulsivo pode ser caracterizado pela impulsividade e dificuldade de planejamento. Ela também detectou que o comprador compulsivo costuma gastar na tentativa de suprir carências emocionais. “O ato de comprar gera prazer e ameniza a sensação de tristeza do paciente, que não consegue controlar o impulso por gastar e acaba tendo problemas financeiros e familiares.”

Origem incerta

Não se sabe exatamente por que a oniomania surge, mas alguns estudos mostram que ela pode estar relacionada a mutações em um gene que codifica a MAO-A, proteína que controla a produção de serotonina. A doença também pode surgir após eventos traumáticos, como o abuso sexual ou por influência do consumismo que vem se difundindo cada vez mais na sociedade.
O comprador compulsivo se sente angustiado até poder comprar alguma coisa, como um dependente químico que anseia pela droga
Mesmo em quem não sofre do problema, o ato de comprar estimula a produção de substâncias que atuam no cérebro e geram prazer. A diferença entre quem tem uma queda por liquidações e quem é viciado em compras é que o comprador compulsivo se sente angustiado até poder comprar alguma coisa, como um dependente químico que anseia pela droga.
Quando não podem comprar, os oniomaníacos chegam a ter sintomas comuns aos de dependentes em abstinência de drogas, como tremores, suor em excesso e irritação. Em alguns casos, a busca pelo prazer é desastrosa: o paciente adquire dívidas e muitos passam horas comprando e perdem compromissos importantes no emprego, além de criar conflitos com os familiares que tentam impedi-los de comprar.
Por não haver um medicamento específico contra a doença, os psiquiatras costumam tratar os sintomas de depressão e ansiedade. No entanto, para a psicóloga, o melhor modo de administrar a doença é a partir de terapias que trabalhem os problemas característicos de cada paciente. “O tratamento psicológico é mais específico e usa a terapia individual ou em grupo para ajudar o paciente a se libertar do vício, reatar os laços com a família e se livrar das dívidas.”

Mariana Rocha

Ciência Hoje On-line

Física no cotidiano


Em sua coluna de abril, Adilson de Oliveira explica conceitos físicos por trás de fenômenos e objetos muito presentes na nossa vida e mostra como a ciência está inserida no nosso dia a dia.
Por: Adilson de Oliveira

Física no cotidiano
Praticamente todas as formas de energia usadas na nossa sociedade têm sua origem associada ao Sol, desde os alimentos que consumimos até os combustíveis que movem nossos veículos. (fotos: Sxc.hu e Wikimedia Commons)
O nascer do Sol é um dos mais belos espetáculos da natureza. Nas grandes cidades, infelizmente, ele passa despercebido, não somente devido à correria do dia a dia, mas também devido ao fato de que os altos prédios e a poluição acabam ocultando-o.
Quem sai cedo de casa eventualmente tem a chance de ver esse fenômeno. Talvez muitos de nós já tenhamos observado a rápida transição que ocorre no amanhecer. Parece que, em um instante, tudo está escuro e, minutos depois, o Sol domina o ambiente.
A grande influência do Sol sobre nós fez com que ele fosse considerado uma divindade em muitas culturas. A sua luz e o seu calor são essenciais para a manutenção da vida na Terra.
A luz e o calor do Sol são essenciais para a manutenção da vida na Terra
Praticamente todas as formas de energia usadas na nossa sociedade são oriundas do Sol. Por exemplo, a energia que extraímos dos alimentos foi quimicamente acumulada durante o processo de fotossíntese, por meio do qual as plantas usam a energia da luz solar para converter gás carbônico, água e minerais em compostos orgânicos e oxigênio gasoso.
Ao ingerir um alimento, nosso organismo quebra as ligações químicas dessas moléculas e obtém energia, que é armazenada em outras moléculas, como a adenosina trifosfato (ATP).
Quando nos dirigimos para o trabalho, seja por meio de automóveis, ônibus ou metrô, também utilizamos, de certa forma, a energia do Sol. Os biocombustíveis, gerados principalmente a partir da cana–de-açúcar (caso do etanol) e de óleos vegetais (caso do biodiesel), são exemplos disso.
Na produção de combustíveis fósseis, derivados do petróleo, também ocorre uma transformação da energia solar. Admite-se que a origem do petróleo esteja relacionada à decomposição dos seres que formam o plâncton e de outras matérias orgânicas – restos de vegetais, algas e animais marinhos –, em um processo que demora centenas de milhões de anos. Quando queimamos esses combustíveis, liberamos a energia química que foi acumulada na matéria orgânica durante esse tempo.
A energia hidrelétrica, que representa grande parte da matriz energética do Brasil, também depende da energia solar. No momento em que a água desce pela represa da usina hidrelétrica, fazendo com que as turbinas girem e produzam eletricidade, há o processo de transformação da energia de movimento (energia cinética) da água em energia elétrica. Para que a represa continue a ter água, é necessário que haja chuvas e estas só acontecem por causa da evaporação da água provocada pelo Sol.
Portanto, uma manhã ensolarada não é apenas prenúncio de um dia bonito. Ela deve servir também para nos lembrar da importância do Sol em nossas vidas.

O dia começa

Durante o dia, em nossos empregos ou em nossas casas, realizamos diversas atividades que dependem de certos dispositivos ou fenômenos e normalmente não temos noção de como eles funcionam ou ocorrem. Utilizamos, por exemplo, a radiação eletromagnética para controlar à distância televisores, aparelhos de DVD, videocassetes, videogames, computadores etc.
Geralmente esses equipamentos utilizam controles remotos que emitem radiação na faixa do infravermelho, com comprimento de onda entre 1 milímetro e 1 micrômetro (milionésima parte do metro). Esses comprimentos de onda são invisíveis aos nossos olhos, pois são muito longos (enxergamos comprimentos de onda entre 630 e 390 nanômetros).
Controle remoto
Os controles remotos usam radiação infravermelha para enviar os comandos aos aparelhos controlados por eles. (foto: Subhadip Mukherjee/ Sxc.hu)
Ao acionarmos os botões do controle remoto, ele emite pulsos longos e curtos que representam um código binário, que é convertido pelo aparelho receptor. Cada botão do controle remoto corresponde a determinado código, representado por frequências específicas que são enviadas para o equipamento controlado. Ao receber esses sinais, o aparelho os decodifica e realiza as operações solicitadas (trocar de canal, aumentar/diminuir o volume etc.).
Em nossas casas, também são comuns os fornos que utilizam radiações na faixa das micro-ondas (com comprimentos de onda entre 1 metro e 1 milímetro). Os fornos de micro-ondas comerciais operam com radiação de comprimento de onda de aproximadamente 12,2 cm.
Nesses aparelhos, o cozimento dos alimentos ocorre pela absorção da energia das micro-ondas pelo corpo. Como as micro-ondas são uma radiação eletromagnética, elas fazem com que as moléculas que apresentam dipolo elétrico (sistema com duas cargas elétricas opostas – positiva e negativa – e de mesmo valor), como as de água, oscilem e, como consequência, dissipem a energia absorvida.
Os aparelhos celulares, tão comuns atualmente, também operam na faixa das micro-ondas, mas com potência muito menor, da ordem de 3 watts. Nos fornos de micro-ondas, a potência é de aproximadamente 1.100 watts.
Processos descritos pela chamada física quântica ocorrem no interior de computadores,smartphones etablets
Já os computadores, smartphones e tabletsutilizam processadores que chegam a conter mais de um trilhão de componentes. Esses componentes são responsáveis pelo processamento das informações e conseguem transformar as centenas degigabytes que estão armazenadas nos discos rígidos em imagens, sons, cálculos, textosetc.
Processos descritos pela chamada física quântica (que estuda os sistemas em escala atômica) ocorrem no interior desses dispositivos e os levam a executar operações lógicas que resultam em todas as maravilhas que os computadores realizam (saiba mais na coluna ‘Pequenos habitantes de um mundo próximo’).

A noite chega

Quando o dia termina, começam a surgir alguns pontos brilhantes no céu, que, em uma noite sem luar, longe das luzes da cidade, podem ser vistos aos milhares. Esses pontos, as estrelas, sempre nos maravilharam. Embora essa visão de céu noturno seja rara nos dias de hoje, ela é, sem dúvida, tão bela quanto o amanhecer.
Se olharmos com cuidado, perceberemos que as estrelas têm diversos tamanhos e cores e que estão dispostas de maneira a formar certos padrões, nos quais visualizamos algumas figuras. Chamamos esses agrupamentos de estrelas de constelações. Em certas regiões do céu, é possível perceber aglomerados com muitas estrelas e nuvens opacas (nebulosas). É o caso da constelação de Órion, uma das mais visíveis no céu, principalmente entre o início de dezembro e o final de maio ou começo de junho.
Constelação de Órion
A constelação de Órion é uma das mais visíveis no céu, especialmente entre o início de dezembro e o final de maio ou começo de junho. (foto: Nasa)
As estrelas podem ter diâmetros que variam de centenas de milhares de quilômetros (nosso Sol, por exemplo, tem 1,4 milhão de quilômetros) até mais de um bilhão de quilômetros, como é o caso de Betelgeuse, a estrela vermelha da constelação de Órion. Elas são formadas principalmente por hidrogênio e hélio em altíssimas temperaturas.
A quantidade de massa e a temperatura da estrela determinam seu tamanho e sua cor. E quanto maior a massa da estrela, mais quente ela tende a ser. A temperatura na superfície de estrelas com massa igual à do Sol é da ordem de 6.000 ºC, mas, em seu interior, esse valor atinge dezenas de milhões de graus Celsius.
Diante dos tamanhos desses distantes sóis, cuja luz viaja milhares de anos até chegar aos nossos olhos, nos lembramos do quanto somos pequenos comparados à imensidão do cosmos.
Mas nos congestionamentos de trânsito e nas filas de supermercados e bancos, pouco tempo nos sobra para refletirmos sobre esse complexo mundo que está a nossa volta. Precisamos incorporar um pouco mais a ciência ao nosso cotidiano, afinal, ela pode ser tão bela e fascinante quanto todos os fenômenos que explica.

Adilson de Oliveira
Departamento de Física
Universidade Federal de São Carlos

Doenças desconhecidas que a comida dos brancos provocou



No primeiro levantamento da saúde indígena não foi registrada a ocorrência de doenças cardiovasculares e menos de 5% dos examinados tinham pressão arterial elevada. Mas essa situação mudou
por Roberto Baruzzi

© rsfatt/Shutterstock
O Parque Indígena do Xingu, inicialmente Parque Nacional do Xingu, resultou de um amplo movimento que teve a participação dos irmãos Villas Bôas, além de personagens como Darcy Ribeiro, Noel Nutels e Heloísa Torres, diretora do Museu Nacional, entre outros defensores dos direitos dos povos indígenas. O Parque cobria uma área de  aproximadamente 26.300 km2, estendendo-se por 300 km da região dos formadores do rio Xingu, ao sul, e ao longo de sua calha até a cachoeira de Von Martius, ao norte, nos  limites do Mato Grosso e Pará. Era habitado por 14 povos indígenas dos troncos ou famílias de línguas aruaque, caribe, jê e tupi, incluindo os trumai, de língua isolada.

Em seus primórdios a história do Parque se reporta ao início do ano de 1946, quando a  expedição Roncador-Xingu, no contexto do movimento de Marcha para o Oeste do  governo federal, atingiu o rio Kuluene, um dos formadores do Xingu, após atravessar o território xavante, guerreiros temidos e avessos a qualquer contato com outros povos. Presentes na expedição, os irmãos Villas Bôas: Orlando, Cláudio e Leonardo tiveram seus primeiros contatos com os kalapalo e kuicuro, no Juluene. Nos meses seguintes o relacionamento se estendeu aos demais povos dos formadores do rio Xingu ou Alto Xingu. Em 1953, o processo de contato se estendeu até os metuktire, ou kayapó, na área norte do Parque, próxima da cachoeira de Von Martius.

Na época, teve início um movimento em defesa desses povos, ameaçados pela venda das terras que ocupavam desde tempos imemoráveis, o que levou à criação do Parque. Entre as atribuições definidas no decreto de sua fundação, estava: “Garantir aos povos indígenas a assistência médica, social e educacional, indispensável para assegurar sua soberania, com a preservação de seus atributos culturais”.

Nesse contexto se inseria a seguinte declaração dos Villas Bôas, de anos anteriores, baseada em sua convivência com povos indígenas: “É neste setor da saúde que a ajuda do civilizado pode ser de transcendente importância. Diante dos acessos violentos de malária, de gripe e de pneumonia os pajés são impotentes. Se for dada a esses índios uma assistência conveniente, não temos dúvidas de que em poucos lustros teremos  novamente o Alto Xingu como hábitat dos mais fortes e expressivos indígenas do Brasil”.

Em 1965, a convite de Orlando Villas Bôas, diretor do Parque, uma equipe médica da Escola Paulista de Medicina (EPM), hoje ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi avaliar as condições de saúde de sua população. Da avaliação resultou um acordo pelo qual a EPM se comprometia a enviar equipes médicas periódicas e, em situações epidêmicas, iniciar um plano de vacinação e abrir o Hospital São Paulo como unidade de retaguarda para seus habitantes. Essa foi a solução viável, dado o isolamento geográfico na época, e que se tornou possível com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) no transporte das equipes médicas e remoção de pacientes. Os grupos  voluntários, eram formadas por médicos, enfermeiras e dentistas, contando sempre com a presença de alunos. Os estudantes têm assegurado, por mais de quatro décadas, a continuidade do Programa de Saúde ou Projeto Xingu, como é conhecido. Muitos deles voltaram a participar de outras equipes, mesmo depois de formados, alguns como membros do corpo dirigente do Projeto.

A política de saúde da EPM, no Parque, foi assim expressa por mim, em 1966, na condição de coordenador: “O desafio não é simplesmente implantar no Parque um modelo de assistência à saúde calcado na medicina ocidental, com mera transferência de tecnologia e locação de recursos. O real desafio é trazer benefícios à saúde do índio sem causar danos irreversíveis à sua cultura, sem destruir suas crenças e sua medicina tradicional. A busca de resultados imediatistas poderia significar um dano para essa população no decorrer do tempo, dentro do conceito de saúde definido pela OMS como um estado de completo bem-estar físico, social e mental”.

A introdução de uma ficha médica no trabalho de campo, desde os primórdios do Projeto Xingu, permitia que cada um dos membros de uma aldeia fosse chamado nominalmente para ser examinado e tratado entre os que apresentavam alguma queixa. Eram aplicadas as vacinas previamente determinadas e feito o registro das  intercorrências clínicas, gestações, nascimentos e óbitos. Na sequência, a equipe de saúde ia de casa em casa da aldeia para atender aqueles que, por condições de saúde ou por outros motivos, não haviam comparecido aos exames. Uma foto atualizada  periodicamente, somada a outros dados da ficha médica, facilitava a identificação individual, a salvo de mudanças no nome (prática comum) e de diferenças na sua transcrição gráfica. As fichas médicas têm possibilitado a realização de numerosos estudos nas áreas das ciências humanas e da saúde.

Desde o início estabeleceu-se um clima de mútuo respeito e colaboração entre médicos e pajés. Com o transcorrer do programa de saúde foi dada maior atenção à formação de agentes de saúde e auxiliares de enfermagem indígenas, indicados por suas  comunidades. Em 2001, o primeiro grupo de formados recebeu seus certificados em cerimônia realizada na Escola Paulista de Medicina. Atualmente, cerca de 40 formados integram o quadro de saúde no PIX, remunerados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A presença de agentes de saúde facilita a participação das aldeias na discussão dos problemas de saúde, pelos traços culturais comuns e uso da língua nativa.

De 1966 a 1971, foi realizado o levantamento das condições de saúde nas aldeias, com o uso das fichas médicas. Não foi observada a ocorrência de doenças cardiovasculares, e menos de 5% dos examinados apresentavam níveis de pressão arterial elevados, pouco acima dos valores considerados normais, sem que houvesse aumento com o decorrer da idade, como ocorre em populações não indígenas. Os níveis séricos do colesterol e dos triglicérides eram normais e dentro dos resultados considerados desejáveis.

No quadro nosológico havia maior prevalência de doenças infecto parasitárias em relação às doenças não transmissíveis. Era intensa a transmissão de malária, a principal causa de morte em todos os grupos etários a partir dos primeiros anos de vida. Em cerca de um terço da população examinada, o baço era palpável abaixo da cicatriz umbilical em decorrência de frequentes e repetidos ataques da malária. A mortalidade infantil era elevada.

Num retrospecto, pode-se afirmar que o Projeto Xingu, ao longo dos anos, contribuiu para a melhoria das condições de saúde dos povos do Parque. A população, que, em 1966, era de 1.135 pessoas, passou para 5.630, em 2009. No atendimento de casos de  maior gravidade e mesmo de outras áreas indígenas, tem sido de grande importância o Ambulatório do Índio do Hospital São Paulo da Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

A malária deixou de ser importante causa de morte, presente apenas em raros surtos epidêmicos, em áreas limitadas, e rapidamente debelados com a identificação do plasmódio transmissor e a adoção de pronto tratamento. No que se refere à tuberculose, doença que requer constante controle, houve gradativa redução no número de casos diagnosticados que passou de 7 casos, em 2004, para apenas 1, em 2010.

Neste momento o Parque é uma ilha verde cercada por áreas desmatadas para abertura de fazendas, e cidades surgiram em seu entorno, estradas penetram em seu território. A poluição das nascentes dos formadores do Xingu, situadas fora da reserva, tem comprometido a pesca, com prejuízo para a alimentação dos povos xinguanos. A introdução de novos alimentos tem provocado mudanças no padrão alimentar tradicional, com excesso de sal e açúcar e de alimentos ricos em carboidratos como arroz e macarrão. Houve, paralelamente, redução da atividade física pela introdução de novas tecnologias.

Em decorrência dessas mudanças, houve a introdução gradativa das chamadas doençasdo Mundo Ocidental ou “doenças do branco”: enfermidades cardiovasculares, hipertensão arterial e obesidade, com especial atenção para o surgimentodos primeiros casos de diabetes, doença que tem sido diagnosticada em número considerável entre os xavante. Há dúvidas sobre eventual maior suscetibilidade do índio ao diabetes, cabendo  lembrar que os pima, no Arizona, nos Estados Unidos, há vários anos, foram apontados como portadores da maior prevalência de casos de diabetes em grupos humanos.

No decorrer do tempo novos desafios apareceram na área da saúde das diferentes etnias. Esses desafios também estão presentes no Parque Indígena do Xingu, e no que se refere às “doenças do branco”, ao lado do diagnóstico e tratamento precoces, assume maior importância esclarecer a população quanto aos riscos decorrentes de mudanças em seu padrão de vida e quanto às medidas preventivas que podem ser introduzidas no âmbito familiar.

Para se obter alguns resultados nesta área é necessário contar com a orientação do pessoal da saúde em campanhas de esclarecimento, com o apoio das lideranças indígenas e plena participação dos agentes indígenas de saúde.

Roberto Baruzzi médico da antiga Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo, foi um dos pioneiros na assistência médica às populações indígenas do Xingu.
Fonte:
http://www2.uol.com.br/sciam/artigos/doencas_desconhecidas_que_a_comida_dos_brancos_provocou.html 

domingo, 1 de abril de 2012

Dois em um?


Após usar um medicamento contra diabetes para tratar camundongos com sintomas do mal de Alzheimer, pesquisadores descobrem mecanismos compartilhados pelas duas doenças e abrem portas para novas terapias.
Por: Mariana Rocha

Dois em um?
Neurônios de camundongos com sintomas de Alzheimer respondem a tratamento prescrito a diabéticos. Apesar disso, ainda é preciso mais pesquisas para entender sua ação em humanos que sofrem da doença degenerativa. (imagem: Theresa Bomfim)
Aprovado em 2006 no Brasil, a exenatida é um medicamento capaz de controlar os níveis de glicose no sangue. Sua eficácia em pacientes com diabetes tipo 2 é inegável, mas pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostram que o remédio pode ir além. Ao tratar camundongos que exibem sintomas do mal de Alzheimer, os cientistas observaram melhora significativa na formação de memória dos animais.
O trabalho foi publicado no periódico The Journal of Clinical Investigation e se baseia em estudos anteriores que mostram a grande incidência de Alzheimer em pacientes com diabetes e a resistência à insulina em cérebros de quem desenvolve a primeira. Partindo de evidências da ligação entre as duas doenças e esse hormônio, os pesquisadores buscam entender melhor os mecanismos que compartilham.
No recente estudo, trataram camundongos transgênicos com sintomas de Alzheimer com o medicamento de diabetes tipo 2, capaz de provocar uma ação parecida com a da insulina por meio de mecanismos alternativos. Em seguida, submeteram os animais a testes de memória, observando neles uma maior capacidade de aprender e memorizar caminhos em um labirinto em comparação com camundongos não tratados com exenatida.
Os pesquisadores também identificaram melhoras nas vias de sinalização de insulina no cérebro dos animais que receberam o remédio, o que reforça evidências de uma possível relação do hormônio com a perda de memória no Alzheimer. Segundo Theresa Bomfim, aluna de doutorado da UFRJ que participou do estudo, outras pesquisas mostram que, quando um animal é gerado sem a capacidade de ativar as vias da insulina, o aprendizado se torna muito mais difícil.
Esquema explicativo do estudo.
Esquema explicativo do estudo. Clique na imagem para ver os detalhes.

Ligações perigosas

Já se sabe, há décadas, que o diabetes é causado pela deficiência de insulina, responsável por controlar a entrada de glicose na célula para geração de energia. Mas, somente em 2009, a insulina foi descrita como um elemento importante no aparecimento do mal de Alzheimer, não coincidentemente por Fernanda De Felice, bióloga da UFRJ que coordena o atual estudo.
Segundo a pesquisadora, a atividade desse hormônio é diferente em neurônios de pacientes com a doença. “As proteínas onde a insulina se liga para permitir que a célula faça a captação de açúcar para gerar energia são colocadas dentro do neurônio na doença de Alzheimer, impedindo a ação da insulina.”
A resistência à insulina se dá pela presença de grupos de pequenas proteínas chamados oligômeros. Quando eles se ligam ao neurônio, além de impedir a ação do hormônio, os oligômeros também destroem as sinapses nervosas, impedindo a formação de memória.
Os resultados do estudo abrem portas para um novo tratamento, mas ainda é preciso mais pesquisas para entender sua ação em pacientes com Alzheimer. Apesar de ter sido aprovado para diabéticos, o uso da exenatida deve ser avaliado em pessoas com resistência à insulina apenas no neurônio, evitando efeitos colaterais do excesso de atividade desse hormônio em células como as do músculo ou do fígado.

Desafios à vista

A próxima etapa do estudo requer ensaios clínicos, mas os pesquisadores contam que o Brasil não possui estrutura para esse tipo de experimento. Além disso, a falta de exames precisos para o diagnóstico do mal de Alzheimer complica a execução dos testes. 
Ferreira: “Sem o diagnóstico, como saber se estamos tratando uma pessoa com Alzheimer ou apenas com lapsos de memória?”
“A doença só é confirmada após a morte, quando é possível ver no cérebro as lesões causadas por ela”, esclarece o químico da UFRJ Sérgio Ferreira, coautor da pesquisa. “Sem o diagnóstico, como saber se estamos tratando uma pessoa com Alzheimer ou apenas com lapsos de memória?”
Outra dificuldade em adotar a exenatida como tratamento para o Alzheimer é o preço.  O medicamento pode custar até R$ 500.
Diante dos empecilhos que ainda precisarão ser superados, De Felice alerta para formas de prevenir a doença. “Em animais, é possível ver que a atividade física ajuda na melhora das funções de aprendizagem e memória, além de prevenir outros efeitos maléficos do diabetes como problemas cardíacos e de visão.”

Mariana Rocha

Ciência Hoje On-line

domingo, 18 de março de 2012

Ficha Limpa - Lei já vale para eleições de 2012


José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação 
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no último dia 16 de fevereiro, que a Lei da Ficha Limpa é constitucional e que valerá para as eleições municipais deste ano. O resultado do julgamento pôs fim a quase dois anos de batalhas jurídicas para que a lei pudesse vigorar no país.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

A Ficha Limpa tornou mais rigorosos os critérios que impedem políticos condenados pela Justiça de se candidatarem. Por sete votos a quatro, o Supremo aprovou a aplicação integral da nova legislação, que terá, inclusive, alcance para condenações anteriores a 4 de julho de 2010, data em que foi sancionada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Diferente da maioria das leis – que são elaboradas pelos próprios congressistas – a Ficha Limpa surgiu por iniciativa popular. O projeto contou com a assinatura de mais de 1,6 milhão de brasileiros, e foi a pressão do povo que fez com que fosse votado e aprovado na Câmara dos Deputados e noSenado Federal.

Na ocasião, a proposta de mudança na legislação eleitoral foi comemorada como uma vitória da democracia. A Ficha Limpa era vista como um mecanismo de combate à corrupção política no Brasil.

Na prática, porém, nem tudo estava resolvido. Alguns pontos da nova lei se chocavam com a Constituição Federal, como o princípio de anuidade e o princípio da inocência presumida. Em casos assim, cabe ao STF julgar a legitimidade.

Mas enquanto o STF não se pronunciava, permaneciam incertezas. Em 2010 foram eleitos presidente, governadores, deputados e senadores. Ao todo, 149 candidatos foram impedidos de tomar posse devido a condenações judiciais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 23 de março do ano passado, o STF se pronunciou quanto ao princípio da anuidade. De acordo com a Constituição, qualquer mudança na legislação eleitoral só é válida se for promulgada um ano antes das eleições. Como a Ficha Limpa havia sido sancionada naquele mesmo ano, os ministros do Supremo decidiram que a lei só valeria para 2012.

Como resultado, os candidatos barrados tiveram o direito de assumir as vagas. Isso alterou as bancadas no Congresso Nacional e em Assembleias Legislativas dos Estados. No Senado, por exemplo, Jader Barbalho (PMDB-PA), que havia renunciado em 2001 para evitar a cassação, pode tomar posse no lugar de Marinor Brito (Psol-PA).

Faltava ainda a palavra final do Supremo a respeito de recursos que questionavam outros aspectos da constitucionalidade da lei.
 

Moral

Os ministros do STF primeiro discutiram se a Ficha Limpa não contrariava o princípio da inocência, previsto do artigo 5o da Constituição e aplicado ao direito penal. Este artigo afirma que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Trânsito em julgado é uma expressão judicial que se aplica a uma sentença definitiva, da qual não se pode mais recorrer. Em geral, ocorre quando já se esgotaram todos os recursos de apelação.

Um processo cível ou criminal começa a ser julgado no Fórum da cidade, onde acontece a decisão de primeira instância, que é a sentença proferida por um juiz. Se houver recurso, o pedido é analisado por juízes do Tribunal de Justiça dos Estados. Há ainda a possibilidade de apelar a uma terceira instância, que pode ser tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto, em se tratando de artigos da Constituição, o STF.

Antes de a Ficha Limpa entrar em vigor, de acordo com a Lei Complementar no 64, de 1990, somente quando esgotados todos esses recursos o político que responde a processo poderia ser impedido de se candidatar. A lentidão do andamento de processos, que levam até uma década para serem concluídos, acabava beneficiando políticos corruptos.

Já a Ficha Limpa impede a candidatura por oito anos de políticos condenados por um órgão colegiado (com mais de um juiz, como o Tribunal de Justiça), que tiverem mandato cassado ou que tiverem renunciado para evitar a cassação (como no caso do senador Jader Barbalho). Os ministros do Supremo entenderam que a inocência presumida se restringe ao direito penal, ou seja, ela não se aplica às leis eleitorais.

Em geral, os ministros do STF basearam a decisão no princípio constitucional da moralidade administrativa. Eles consideraram que o histórico ético de um candidato é fundamental para evitar casos de corrupção na política brasileira. O consenso sobre isso é que, independente da lei, a melhor forma de excluir maus políticos, num regime democrático, ainda é a consciência do cidadão.
*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário. 

Câncer - A doença por trás do mito


José Renato Salatiel* Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

No final dos anos 1970, a escritora norte-americana Susan Sontag (1933-2004) escreveu um ensaio, intitulado “A Doença como Metáfora”, no qual analisava mitos e tabus envolvendo o câncer. Na época, a doença era considerada uma sentença de morte e, não raro, associada a uma punição divina para uma vida de pecados – da mesma forma como seria a Aids, na década seguinte – ou resultado de emoções reprimidas pelo doente.


Nas três últimas décadas, avanços na medicina, campanhas governamentais e o acesso a informações mudaram a maneira de as pessoas verem a doença. O câncer deixou de ser um estigma social, cuja mera menção da palavra era evitada entre as famílias e até ocultada do próprio paciente.

O drama dos doentes ganhou rostos conhecidos quando políticos, artistas, atletas e outras figuras públicas revelaram sofrer da enfermidade. Mais recentemente, a imprensa passou a acompanhar os casos de cânceres que afligiram o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o presidente venezuelanoHugo Chávez, o ator Reynaldo Gianecchini e a apresentadora de TV Hebe Camargo.

Lula foi diagnosticado com um tumor na laringe em outubro do ano passado e, desde então, faz tratamento contra a doença. Seu colega venezuelano, Hugo Chávez, também foi tratado de um tumor, localizado na região pélvica, em duas operações realizadas em Cuba. No Brasil, fãs acompanharam o esforço de cura do ator Reynaldo Gianecchini, vítima de um linfoma, e de Hebe Camargo, submetida a cirurgias para retirada de tumores no intestino e na região do aparelho digestivo.

Os tumores não diferenciam homens ou mulheres, jovens ou velhos, negros ou brancos, ricos ou pobres, famosos ou pessoas comuns. Qualquer um pode ser vítima da moléstia. Hoje, apesar de a cura universal ser um desafio para os cientistas, há formas de tratamento que diminuem o sofrimento dos pacientes. Novos remédios, vacinas e o campo de pesquisas aberto pela biologia genética oferecem melhores perspectivas aos doentes.
 

Mal da modernidade

O termo câncer, na verdade, se refere a um conjunto de diferentes doenças (mais de 100) caracterizadas pelo crescimento desordenado de células, que pode ocorrer em qualquer parte do corpo. Esse processo forma os tumores malignos, que destroem o tecido afetado e pode se espalhar para outros órgãos – a chamada metástase, que é a principal causa de morte entre pacientes com câncer.

A doença é conhecida desde a Antiguidade, mas os números de casos começaram a aumentar e a chamar a atenção dos governos nos anos 1970. Por volta desse período, a urbanização e industrialização das sociedades, ao mesmo tempo em que elevaram a expectativa de vida da população mundial, causaram uma epidemia de câncer.

O envelhecimento é um dos fatores de desenvolvimento da doença, pois, com a idade avançada, há uma diminuição natural da capacidade do organismo de reparar células defeituosas. Além disso, o morador de cidades fica mais exposto a outros agentes cancerígenos, como poluição, radiação, fumo e má alimentação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é hoje uma das principais causas de mortes no mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. Em 2008, 7,6 milhões de pessoas morreram de câncer (13% do total de mortes no planeta). Os tipos mais letais são os cânceres de pulmão, fígado, cólon e mama. E o número de casos continuará crescendo, uma vez que a OMS estima 13,1 milhões de óbitos em 2030.

No Brasil, as mortes por cânceres só são superadas por doenças do coração e por causas violentas (acidentes de trânsito e homicídios).

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) apontam que este ano, no Brasil, serão diagnosticados 518 mil novos casos. Os mais comuns são o câncer de pele do tipo não melanoma (considerado mais grave), de próstata, de mama feminina, cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero. Em 2009 ocorreram 164 mil mortes no país, 88 homens e 76 mil mulheres.
 

Fatores de risco

A doença não é contagiosa. Ela pode ter causas genéticas ou adquiridas por agentes físicos, como a radiação; químicos, como os componentes do cigarro; ou biológicos, como infecções causadas por vírus ou bactérias.

De acordo com a OMS, 30% das mortes por câncer poderiam ser evitadas. Elas são provocadas por maus hábitos, como uso de álcool e fumo, e estilo de vida, como o consumo de alimentos prejudiciais à saúde e sedentarismo. Os demais fatores, principalmente os genéticos, são uma “loteria” da natureza.

O fumo é o maior fator de risco, pois os tumores malignos associados a ele – de pulmão, laringe, boca e esôfago, entre outros – causam 22% das mortes de câncer no mundo. O fumo também é responsável por 71% das mortes por câncer nos pulmões.

De modo geral, a mortalidade por câncer pode ser reduzida com a detecção e tratamento nos primeiros estágios da doença. Por isso, o governo brasileiro promove campanhas contra o câncer de mama, por exemplo, que possui uma alta porcentagem de cura quando diagnosticado na fase inicial, por um médico ou por meio do autoexame.

O tratamento, para curar ou prolongar a vida do paciente, inclui a cirurgia para remoção de tumores, radioterapia e quimioterapia. Na radioterapia são usadas radiações para destruir o tumor, impedindo que se espalhe pelo organismo. Na quimioterapia são empregados medicamentos, aplicados, na maioria dos casos, na veia do paciente. Em alguns tipos de cânceres que afetam as células do sangue é feito o transplante de medula óssea.

Os avanços nas pesquisas médicas melhoraram muito os tratamentos, reduzindo os efeitos colaterais e aumentando muito as chances de cura. Surgiram vacinas e testes genéticos para casos específicos, de origem infecciosa e hereditária.

Ainda que não haja como erradicá-la, dadas a diversidade e complexidade do mal, o homem passou a enxergar a doença por trás do mito. Como disse Sontag, citada no começo deste texto, deixou-se de ver o câncer como “uma maldição, um castigo, uma vergonha”, para vê-lo “apenas como uma doença, uma doença muito grave, mas apenas uma doença”.

Chamadas - Prosel 2012.1

Convocações em segunda chamada




Fonte: http://www2.uefs.br:8081/prosel/index.php/prosel121/resultados